Conflito de moedas: Dólar forte e o euro em crise entre políticas e geopolítica

O cenário atual: um espaço restrito dominado pela volatilidade

O par euro-dólar atualmente vive uma das fases mais complexas dos últimos anos. A moeda americana mantém sua força relativa, enquanto o euro se mantém nos níveis de suporte sob pressão. Ao longo de outubro e novembro de 2025, o par continuou a oscilar entre 1.1550 e 1.17, preso a um intervalo lateral que reflete apenas a incerteza coletiva sobre o rumo das políticas monetárias de ambos os lados do Atlântico.

Essa expectativa não é por acaso. Os mercados observam com cautela as possibilidades de corte de juros nos EUA em dezembro de 2025, enquanto questionam se o Banco Central Europeu (BCE) se moverá em sincronia ou permanecerá cauteloso. A resposta determinará a direção do euro-dólar nos próximos meses.

Fator geopolítico: guerra, energia e confiança

Não se pode entender a dinâmica atual do euro-dólar sem considerar o que acontece fora das salas dos bancos centrais. A guerra Rússia-Ucrânia, que parece ter diminuído de atenção na mídia, ainda corrói a economia europeia.

Somente em outubro de 2025, os preços do gás natural na Europa subiram cerca de 12%, impulsionados por uma onda de frio precoce e interrupções súbitas no fornecimento norueguês. Essa alta se traduziu diretamente em aumento nos custos de produção industrial, especialmente nas economias mais pesadas, como Alemanha e Itália.

Segundo dados da Agência Internacional de Energia, esse aumento pode acrescentar entre 0,3 e 0,4 pontos percentuais à inflação europeia até o final do ano. E o que isso significa? O Banco Central Europeu se encontra em um dilema: aliviar a pressão sobre a economia ou combater o retorno potencial da inflação.

Por outro lado, os EUA enfrentam um problema completamente diferente. A dívida federal ultrapassou 34 trilhões de dólares em setembro de 2025. Mas, apesar desse peso, o dólar continua sendo um refúgio seguro. Sempre que os riscos globais aumentam, os investidores retornam a ativos denominados em dólar, como ficou claro em outubro, quando o índice do dólar subiu 1,2% em uma semana após o aumento das tensões no Mar Negro.

A equação monetária: a diferença de rendimentos dita o jogo

Apesar do fraco desempenho da atividade econômica europeia, a diferença de rendimentos entre os títulos americanos e europeus permanece o fator decisivo. O rendimento real dos EUA aproxima-se de 4%, contra 3,25% na zona do euro. Essa diferença por si só é suficiente para atrair capital para os ativos americanos.

O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros inalteradas pelo terceiro mês consecutivo em outubro, reafirmando que o nível atual é “adequado”. Mas essa estabilidade oculta uma divisão real dentro do conselho de governadores. Uma ala teme um afrouxamento precoce, enquanto outra defende ações para salvar as economias em dificuldades.

Por sua vez, o Federal Reserve se aproxima de um ciclo de cortes de juros. As expectativas apontam para uma ação em dezembro de 2025 ou no início de 2026. Essa divergência nas estratégias monetárias é a principal razão pela qual o euro-dólar permanece fraco.

Uma equação simples: quando o Fed sinaliza um afrouxamento enquanto os europeus permanecem relativamente restritivos, a demanda pelo euro despenca. A moeda única perde seu apelo de investimento.

O lado americano: resiliência contínua, mas com sinais de recuo

A economia dos EUA mantém um grau notável de força. No primeiro semestre de 2025, o PIB cresceu a uma taxa anual de 2,1%. O consumo permaneceu estável, e a demanda por bens duráveis continuou forte.

Por outro lado, há sinais de alerta. A taxa de desemprego, embora tenha caído para cerca de 4%, mostra sinais de estabilização. O emprego nos setores de serviços e transporte começou a desacelerar. O índice de gastos de consumo pessoal (PCE), preferido pelo Fed, permaneceu elevado em 2,9% em agosto, acima da meta de 2%.

Esse equilíbrio entre crescimento estável e inflação persistente dá ao Fed uma justificativa lógica para começar a reduzir os juros de forma gradual. Não há necessidade de pressionar ainda mais a economia, mas também não há uma corrida desenfreada.

Europa: recessão lenta sem estímulos fortes

E a situação na Europa é bem menos positiva. A Alemanha, maior economia da zona do euro, registrou uma queda de 0,3% na produção industrial em setembro de 2025. Os índices de gerentes de compras (PMI) das indústrias e serviços caíram abaixo de 50 pontos — o limite entre crescimento e contração — por quatro meses consecutivos.

A França, segunda maior economia, enfrenta uma taxa de desemprego próxima de 7,5%, e uma queda de 0,4% nas vendas no varejo mensalmente. As famílias europeias perdem poder de compra sob o peso de preços elevados e juros altos.

Mas, apesar desses dados negativos, o euro não despenca livremente. Por quê? Os mercados já precificam essa possibilidade. Quando os relatórios do Fed começaram a indicar um corte iminente, o rendimento dos títulos alemães de 10 anos subiu para 2,3% em outubro, atraindo alguns fluxos de investimento para os ativos europeus. Essa é uma janela de curto prazo que pode sustentar o euro temporariamente.

Análise técnica: aguardando o ponto de inflexão

Tecnicamente, o euro-dólar está preso em um intervalo horizontal de consolidação: 1.1550 a 1.17. O par move-se sem uma direção clara, como se aguardasse um gatilho externo.

O suporte principal está em 1.1550, seguido por 1.1367 e, por fim, 1.1186. As resistências estão em 1.1711 e 1.1913. Uma única quebra dessas níveis pode desencadear um movimento com maior impulso.

O índice de força relativa (RSI) está em torno de 40, indicando ausência de tendência forte. O MACD mostra um cruzamento fraco na direção de baixa. Isso sugere que o próximo movimento pode ser mais corretivo do que uma forte impulsão.

Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC) mostram uma contração de 12% nas posições de especuladores no euro em outubro. Os traders estão menos otimistas, o que explica a falta de momentum de alta. Mas os dados de confiança do Sentix para novembro mostraram uma leve melhora, podendo oferecer suporte psicológico temporário.

Cenários esperados e seus impactos no euro-dólar

Cenário 1: corte europeu antes do americano

Se o BCE surpreender com um corte de 25 pontos-base em dezembro de 2025, enquanto o Fed adia sua decisão, o euro-dólar pode despencar para 1.14 no curto prazo. A diferença de rendimentos se ampliará a favor do dólar. Mas essa queda pode ser temporária, com recuperação assim que os mercados começarem a precificar uma rodada completa de afrouxamento na Europa no início de 2026.

Cenário 2: manutenção com sinais de afrouxamento

Se o BCE mantiver a taxa em 4%, mas indicar claramente uma redução futura no primeiro trimestre de 2026, isso pode ser considerado um “afrouxamento verbal” que dará fôlego ao euro-dólar. Analistas do Deutsche Bank preveem uma alta gradual até 1.17, especialmente se os dados do mercado de trabalho dos EUA mostrarem fraqueza.

Cenário 3: continuidade do aperto

Se o BCE insistir em não mover-se até meados de 2026, isso pode sustentar temporariamente o euro-dólar. Mas aprofundará a fraqueza econômica no sul da Europa e aumentará as disparidades regionais. A longo prazo, esse cenário pode reverter-se em mais pressão sobre a moeda única.

Como lidar com a volatilidade do euro-dólar

Tradicionalmente, os investidores compram a moeda que esperam valorizar e mantêm-na. Mas a estratégia mais comum hoje é negociar contratos por diferença (CFDs), que oferecem maior facilidade para investidores individuais.

Apesar dos riscos associados a esses instrumentos, as oportunidades de lucro são bastante altas. O sucesso depende crucialmente de escolher um corretor confiável e de boa reputação. Escolher o corretor certo significa melhor proteção do capital, suporte técnico avançado e acesso a ferramentas de análise profissional.

O trader sério precisa de mais do que uma plataforma de negociação. Precisa de acesso imediato a dados, notícias e alertas importantes que influenciam os movimentos do mercado. Esses elementos essenciais diferenciam o trader bem-sucedido de outros.

Conclusão: um equilíbrio delicado entre duas forças fracas

O euro-dólar não reflete apenas as diferenças econômicas entre EUA e Europa, mas também o humor geral dos mercados globais. O otimismo sustenta o euro, enquanto o medo o empurra de volta para o dólar.

O dólar mantém uma vantagem relativa graças à diferença de rendimentos e à liquidez. Mas não possui mais a hegemonia absoluta de antes de 2024. Por sua vez, o euro sofre de uma fraqueza estrutural, embora encontre suporte nas expectativas de melhora gradual e estabilidade de preços.

É provável que o par permaneça preso na faixa entre 1.15 e 1.18 até o final de 2025, com chances limitadas de quebras fortes, a menos que ocorram mudanças radicais na política monetária.

A verdadeira questão não é para onde o par irá, mas qual das duas moedas perderá a confiança do mercado primeiro: a economia americana mostrará sinais claros de recessão e perderá terreno para o dólar? Ou as crises energéticas e políticas europeias continuarão pressionando o euro?

No final, o euro-dólar é um palco contínuo de luta de forças entre os continentes, e sob essa disputa residem oportunidades reais para traders que entendem o jogo.

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