Introdução: Ferramentas financeiras em rápida evolução
No mundo dos investimentos atuais, os derivativos tornaram-se uma das ferramentas mais discutidas e de maior interesse. Alguns os veem como a chave para aumentar os lucros, enquanto outros os evitam devido ao alto risco. A verdade é que ambas as perspectivas têm alguma razão, pois o Derivado é uma ferramenta com características específicas que requer uma compreensão profunda.
Quer esteja procurando uma forma de proteger sua carteira de investimentos ou desejar especular com as movimentações de preço, os derivativos oferecem muitas oportunidades, mas exigem estudo e gestão de risco cuidadosa.
Derivativos: definição e princípios básicos
Define-se claramente
Derivados, ou Derivative, são instrumentos financeiros que consistem em contratos ou acordos entre duas partes, feitos atualmente, mas cujo intercâmbio de bens ou o uso de direitos de compra e venda do ativo subjacente (Underlying Asset) ocorrerá no futuro.
O que diferencia os derivativos de investimentos tradicionais é que os participantes podem concordar com preços e quantidades antecipadamente, mesmo sem possuir o bem físico no momento.
Funcionamento
Ao concordar com um preço futuro dessa forma, o valor do derivativo reflete a visão do mercado sobre o preço do ativo no futuro. Quando chega o momento de entrega e o preço do ativo mudou em relação ao acordado, surge uma diferença que permite aos especuladores obter lucros com a variação de preço.
Exemplo prático:
Um contrato futuro no mercado de petróleo bruto (WTI Crude Oil) de dezembro de 2020 foi negociado a 40 dólares por barril. Isso significa que, ao final de dezembro de 2020, a entrega será feita a esse preço, independentemente do preço de mercado naquele momento.
Para o comprador, isso garante a aquisição do bem na quantidade desejada a um preço conhecido. Para o vendedor, assegura que o bem em produção será vendido a um preço justo.
Classificação: cinco principais categorias de derivativos
1. Contratos a Termo (Forward Contracts)
Este é o formato mais simples de derivativo. Contratos a termo são acordos diretos entre duas partes para comprar ou vender um bem, com um preço acordado atualmente, e a entrega e pagamento ocorrerão na data estipulada.
Vantagens:
Usados como instrumentos de proteção contra variações de preço no futuro
Comuns nos setores agrícola e de commodities
Desvantagens:
Baixa liquidez, pois são acordos diretos entre as partes
Não indicados para especulação de curto prazo
Risco de inadimplência na execução do contrato
2. Contratos Futuros (Futures Contracts)
Futuros são semelhantes aos contratos a termo, mas com uma diferença importante: as negociações ocorrem em mercados regulamentados (Exchange), com especificações padronizadas.
Características:
Quantidade de ativo por contrato é padronizada
Alta liquidez de negociação
Mercados renomados, como o de petróleo WTI ou ouro na COMEX
Vantagens:
Facilidade de fechamento de posições por meio de contratos contrários
Padronização que reduz riscos de inadimplência
3. Opções (Options)
As opções ou contratos de direito conferem maior liberdade ao titular. O comprador paga um “prêmio” para adquirir o direito de comprar ou vender o ativo no futuro, podendo exercer ou não esse direito. O vendedor, por sua vez, deve cumprir o contrato caso o comprador decida exercer.
Vantagens das opções:
Risco do comprador limitado ao valor do prêmio
Potencial de lucro ilimitado
Podem ser usadas para proteção contra riscos de diferentes formas
Desafios:
Complexidade na avaliação de valor e na escolha de estratégias
Necessidade de compreensão aprofundada de “Greeks” e outros fatores que influenciam o preço
4. Swap (Swap Agreements)
Swaps são acordos de troca de fluxos de caixa futuros, diferentes de outros derivativos que geralmente estão ligados a ativos subjacentes.
Aplicações:
Gestão de riscos de taxas de juros e fluxos de caixa futuros
Utilizados principalmente por instituições financeiras e grandes corporações
Limitações:
Baixa liquidez, sem mercado de negociação específico
Recomendados para quem possui conhecimento financeiro avançado
5. Negociação de Diferença de Preço (CFD - Contracts for Difference)
CFD difere de outros derivativos por não envolver troca física de bens, sendo uma negociação baseada na variação de preço de futuros ou outros ativos de referência, pagando apenas a diferença entre os preços de abertura e fechamento da posição.
Características especiais:
Uso de alta alavancagem para ampliar lucros
Potencial de ganhos tanto em mercados de alta quanto de baixa
Alta liquidez e facilidade de negociação via aplicativos
Não indicado para investimentos de longo prazo
Tabela comparativa: diferentes instrumentos de derivativos
Tipo
Conceito principal
Vantagens
Desvantagens
CFD
Especulação na variação de preço
Alta alavancagem, pouco capital necessário, alta liquidez, fácil de negociar, lucros em alta e baixa
Alavancagem amplia perdas, não recomendado para longo prazo
Contratos a Termo
Proteção de preço futuro
Garantia de preço para produtores
Baixa liquidez, alto risco de entrega
Futuros
Proteção de preço oficial
Alta liquidez, mercado padronizado
Alto valor mínimo de negociação, risco de entrega
Opções
Direito de compra/venda futuro
Risco limitado, lucro potencial ilimitado, alta flexibilidade
Complexidade, necessidade de estudo aprofundado
Swaps
Troca de fluxos de caixa
Proteção contra riscos de taxas de juros
Baixa liquidez, uso por profissionais
Benefícios para investidores
1. Fixar retorno esperado
Os derivativos permitem que investidores estabeleçam preços e quantidades antecipadamente, podendo negociar independentemente das mudanças de mercado.
2. Proteção eficiente contra riscos
Certos derivativos, como futuros e CFD, possuem alta liquidez, sendo ideais para hedge. Por exemplo, um investidor que possui barras de ouro pode usar futuros ou CFD em posição Short para se proteger de quedas de preço.
3. Diversificação de investimentos
Como os derivativos não requerem posse física do ativo, é possível acessar bens difíceis de adquirir, como petróleo, ouro ou outras commodities, de forma mais fácil.
4. Especulação com volatilidade
Operadores podem usar CFD ou futuros para especular com as movimentações de preço, abrindo posições com alta alavancagem em curto prazo.
Riscos a compreender
Risco de uso de alavancagem
A alavancagem permite ampliar ganhos, mas também aumenta perdas. Se a operação for contrária à expectativa e a gestão de risco for inadequada, o investimento pode ser totalmente perdido. Recomenda-se escolher corretoras que ofereçam proteção contra saldo negativo e usar ordens de stop loss / trailing stop.
Risco de entrega
Alguns derivativos, como futuros, exigem a entrega física do ativo na data de vencimento. É fundamental estudar cuidadosamente as condições de cada contrato.
Risco de volatilidade de mercado
Fatores externos, como mudanças nas taxas de juros do banco central, podem causar oscilações rápidas nos preços de ativos como ouro. Sem uma gestão de risco adequada, essas variações podem gerar perdas significativas.
Risco de liquidez
Alguns derivativos, como swaps, possuem baixa liquidez e podem ser difíceis de negociar no momento desejado.
Cenário prático: onde comprar derivativos?
Cada tipo de derivativo possui mercados específicos:
Futuros: negociados em mercados centralizados e regulamentados, como CME
CFD: negociados via plataformas online de corretoras diversas
Opções: mercado de balcão (OTC) ou mercados regulamentados
Swaps: geralmente negociados OTC entre instituições financeiras
Perguntas frequentes
( As opções de ações são derivativos?
Sim, opções de ações são contratos que dão o direito de comprar ou vender ações a um preço e prazo determinados. Seu valor está diretamente relacionado ao preço da ação de referência.
) Quem pode negociar CFD?
Quem tem 18 anos ou mais e possui uma conta de trading pode negociar CFD, mas deve estudar os riscos previamente.
Qual a diferença entre derivativos e apostas?
Derivativos são instrumentos financeiros que refletem valores reais, enquanto apostas são apenas escolhas de resultado, sem bens de referência reais.
Resumo
Derivativos são instrumentos financeiros com potencial e riscos simultâneos. Podem servir para proteção ou especulação, dependendo de como são utilizados.
O ponto principal a lembrar é que, antes de usar derivativos, é necessário compreender profundamente como funcionam, quais riscos envolvem e como gerenciá-los.
Investir com conhecimento limita riscos e, ao seguir um plano de investimento claro, é possível maximizar os benefícios dos derivativos de acordo com o perfil de risco de cada um.
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O que são instrumentos derivados? Guia completo para investidores
Introdução: Ferramentas financeiras em rápida evolução
No mundo dos investimentos atuais, os derivativos tornaram-se uma das ferramentas mais discutidas e de maior interesse. Alguns os veem como a chave para aumentar os lucros, enquanto outros os evitam devido ao alto risco. A verdade é que ambas as perspectivas têm alguma razão, pois o Derivado é uma ferramenta com características específicas que requer uma compreensão profunda.
Quer esteja procurando uma forma de proteger sua carteira de investimentos ou desejar especular com as movimentações de preço, os derivativos oferecem muitas oportunidades, mas exigem estudo e gestão de risco cuidadosa.
Derivativos: definição e princípios básicos
Define-se claramente
Derivados, ou Derivative, são instrumentos financeiros que consistem em contratos ou acordos entre duas partes, feitos atualmente, mas cujo intercâmbio de bens ou o uso de direitos de compra e venda do ativo subjacente (Underlying Asset) ocorrerá no futuro.
O que diferencia os derivativos de investimentos tradicionais é que os participantes podem concordar com preços e quantidades antecipadamente, mesmo sem possuir o bem físico no momento.
Funcionamento
Ao concordar com um preço futuro dessa forma, o valor do derivativo reflete a visão do mercado sobre o preço do ativo no futuro. Quando chega o momento de entrega e o preço do ativo mudou em relação ao acordado, surge uma diferença que permite aos especuladores obter lucros com a variação de preço.
Exemplo prático: Um contrato futuro no mercado de petróleo bruto (WTI Crude Oil) de dezembro de 2020 foi negociado a 40 dólares por barril. Isso significa que, ao final de dezembro de 2020, a entrega será feita a esse preço, independentemente do preço de mercado naquele momento.
Para o comprador, isso garante a aquisição do bem na quantidade desejada a um preço conhecido. Para o vendedor, assegura que o bem em produção será vendido a um preço justo.
Classificação: cinco principais categorias de derivativos
1. Contratos a Termo (Forward Contracts)
Este é o formato mais simples de derivativo. Contratos a termo são acordos diretos entre duas partes para comprar ou vender um bem, com um preço acordado atualmente, e a entrega e pagamento ocorrerão na data estipulada.
Vantagens:
Desvantagens:
2. Contratos Futuros (Futures Contracts)
Futuros são semelhantes aos contratos a termo, mas com uma diferença importante: as negociações ocorrem em mercados regulamentados (Exchange), com especificações padronizadas.
Características:
Vantagens:
3. Opções (Options)
As opções ou contratos de direito conferem maior liberdade ao titular. O comprador paga um “prêmio” para adquirir o direito de comprar ou vender o ativo no futuro, podendo exercer ou não esse direito. O vendedor, por sua vez, deve cumprir o contrato caso o comprador decida exercer.
Vantagens das opções:
Desafios:
4. Swap (Swap Agreements)
Swaps são acordos de troca de fluxos de caixa futuros, diferentes de outros derivativos que geralmente estão ligados a ativos subjacentes.
Aplicações:
Limitações:
5. Negociação de Diferença de Preço (CFD - Contracts for Difference)
CFD difere de outros derivativos por não envolver troca física de bens, sendo uma negociação baseada na variação de preço de futuros ou outros ativos de referência, pagando apenas a diferença entre os preços de abertura e fechamento da posição.
Características especiais:
Tabela comparativa: diferentes instrumentos de derivativos
Benefícios para investidores
1. Fixar retorno esperado
Os derivativos permitem que investidores estabeleçam preços e quantidades antecipadamente, podendo negociar independentemente das mudanças de mercado.
2. Proteção eficiente contra riscos
Certos derivativos, como futuros e CFD, possuem alta liquidez, sendo ideais para hedge. Por exemplo, um investidor que possui barras de ouro pode usar futuros ou CFD em posição Short para se proteger de quedas de preço.
3. Diversificação de investimentos
Como os derivativos não requerem posse física do ativo, é possível acessar bens difíceis de adquirir, como petróleo, ouro ou outras commodities, de forma mais fácil.
4. Especulação com volatilidade
Operadores podem usar CFD ou futuros para especular com as movimentações de preço, abrindo posições com alta alavancagem em curto prazo.
Riscos a compreender
Risco de uso de alavancagem
A alavancagem permite ampliar ganhos, mas também aumenta perdas. Se a operação for contrária à expectativa e a gestão de risco for inadequada, o investimento pode ser totalmente perdido. Recomenda-se escolher corretoras que ofereçam proteção contra saldo negativo e usar ordens de stop loss / trailing stop.
Risco de entrega
Alguns derivativos, como futuros, exigem a entrega física do ativo na data de vencimento. É fundamental estudar cuidadosamente as condições de cada contrato.
Risco de volatilidade de mercado
Fatores externos, como mudanças nas taxas de juros do banco central, podem causar oscilações rápidas nos preços de ativos como ouro. Sem uma gestão de risco adequada, essas variações podem gerar perdas significativas.
Risco de liquidez
Alguns derivativos, como swaps, possuem baixa liquidez e podem ser difíceis de negociar no momento desejado.
Cenário prático: onde comprar derivativos?
Cada tipo de derivativo possui mercados específicos:
Perguntas frequentes
( As opções de ações são derivativos?
Sim, opções de ações são contratos que dão o direito de comprar ou vender ações a um preço e prazo determinados. Seu valor está diretamente relacionado ao preço da ação de referência.
) Quem pode negociar CFD?
Quem tem 18 anos ou mais e possui uma conta de trading pode negociar CFD, mas deve estudar os riscos previamente.
Qual a diferença entre derivativos e apostas?
Derivativos são instrumentos financeiros que refletem valores reais, enquanto apostas são apenas escolhas de resultado, sem bens de referência reais.
Resumo
Derivativos são instrumentos financeiros com potencial e riscos simultâneos. Podem servir para proteção ou especulação, dependendo de como são utilizados.
O ponto principal a lembrar é que, antes de usar derivativos, é necessário compreender profundamente como funcionam, quais riscos envolvem e como gerenciá-los.
Investir com conhecimento limita riscos e, ao seguir um plano de investimento claro, é possível maximizar os benefícios dos derivativos de acordo com o perfil de risco de cada um.