Se alguém agora invadisse a sua casa, se sentasse na sua cama, fazendo algo que você não consegue aceitar de forma alguma, você certamente o impediria imediatamente. Você diria: Sai daqui, esta é a minha fronteira, isto é ilegal, você não tem o direito de fazer isso. Mas por que na vida real, diante de muitas coisas igualmente óbvias e até invasivas, muitas vezes não dizemos “não”?



Na China, esse fenômeno é especialmente comum. Isso não acontece porque os chineses sejam por natureza fracos, mas porque vivemos há muito tempo numa estrutura social que quase não ensina “limites pessoais” de forma sistemática. Desde pequenos, somos repetidamente instruídos: em casa, deve-se obedecer; na escola, deve-se cumprir; na sociedade, deve-se ser sensato, realista, capaz de suportar. Mas ao longo de toda a nossa formação, quase ninguém nos ensinou seriamente: você é uma pessoa independente, sua personalidade tem limites, você tem o direito de recusar qualquer invasão.

Na estrutura social tradicional da China, o coletivo, a ordem e as relações sempre foram colocados acima do indivíduo. “Não contrarie”, “não cause problemas”, “deixe pra lá”, “tente suportar pelo bem maior” — essas se tornaram a linguagem de sobrevivência aceita por gerações. O resultado não é que não sentimos dor, mas que a própria ideia de “igualdade de personalidade” é algo estranho para nós.

Por que nas grandes cidades da China essa situação é relativamente melhor? Não porque as pessoas sejam mais corajosas, mas porque há maior mobilidade, relações mais fracas, maior consciência de contratos e leis. As pessoas percebem mais cedo: os outros não podem ser controlados ou invadidos à vontade. Portanto, na China, quando alguém avalia você como “difícil de lidar”, “difícil de entender” ou “sem jeito”, muitas vezes o verdadeiro significado é: você não aceita mais que os outros ultrapassem seus limites à vontade, você não é mais fácil de manipular. Isso não é resistência, é o começo de limites.

É como uma pessoa que nunca foi ensinada a “trancar a porta” desde pequeno. Não porque ela queira que alguém entre sem permissão, mas porque ela simplesmente não sabe que a porta pode ser fechada. Quando você era criança, não aprendeu a estabelecer limites, e ao crescer, continua assim — não por fraqueza, mas porque, em nossa educação e socialização, a ideia de “proteger a si mesmo” foi negligenciada por muito tempo, ou até suprimida.

Claro que muitas vezes as pessoas não desconhecem seus limites, mas sabem que dizer “não” traz custos reais: desigualdade de poder, pressão social, falta de proteção legal, fazendo com que “recusar” seja algo que exige esforço. Mas isso não significa que limites sejam errados. Pelo contrário — quando não sabemos onde estão nossos limites, o mundo continuará a testá-los, a avançar, até te engolir.

A verdadeira mudança começa, primeiramente, com a conscientização. Quando mais pessoas souberem claramente: quais comportamentos são explicitamente proibidos, quais formas de tratamento são inaceitáveis, só assim as instituições, regras e a ordem social poderão ser impulsionadas, e não apenas mantidas pela tolerância individual. Ninguém tem o direito de invadir você. Você precisa proteger sua personalidade, seu respeito próprio, como protegeria seu próprio quarto.

Em uma sociedade que há muito tempo negligencia o indivíduo, aprender a estabelecer limites não é uma forma de resistir ao mundo, mas uma habilidade básica de sobrevivência. Você não é fraco. Você apenas nasceu em um ambiente que nunca ensinou seriamente às pessoas que “você tem limites”.
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