Máscaras, armas de fogo, sequestros, roubo de pen drives: Por que os crimes violentos relacionados com criptomoedas na França acontecem com tanta frequência

A criminalidade relacionada com criptomoedas na França está a intensificar-se. Na noite de 6 de janeiro, segunda-feira, três homens encapuzados e armados invadiram uma residência em Manosque, Alpes de Haute-Provence, França, sequestraram uma mulher dentro de casa e roubaram um pen drive contendo dados de criptografia. Este não é um incidente isolado — de acordo com registros públicos da empresa de segurança Casa, o Diretor de Tecnologia Jameson Lopp, a França já reportou mais de 14 casos semelhantes de “ataques com ferramenta” (Wrench Attacks), tornando-se um dos países com maior incidência de crimes violentos relacionados com criptomoedas na Europa.

De casos isolados a tendência: o panorama atual do crime violento com criptomoedas na França

Análise do incidente e contexto

Este incidente ocorreu na Chemin Champs de Pruniers. Após invadir a residência, os suspeitos ameaçaram a vítima com uma arma de fogo e a agrediram fisicamente, antes de roubar rapidamente o pen drive alvo. Este pen drive supostamente continha ativos criptográficos importantes ou chaves privadas, sendo o objetivo claro da ação.

Felizmente, a vítima conseguiu se libertar em poucos minutos e acionou a polícia. O caso foi oficialmente registrado e está sob investigação conjunta da polícia criminal local e da polícia regional, com os suspeitos ainda sendo procurados.

Escala global dos “ataques com ferramenta”

O termo “ataque com ferramenta” (Wrench Attack) refere-se a uma modalidade de crime em que os criminosos usam ameaças físicas para forçar as vítimas a entregarem chaves privadas, carteiras de hardware ou dispositivos de armazenamento criptográfico. Essas ações têm como características o alvo bem definido, métodos diretos e alto retorno financeiro.

Segundo o banco de dados da Casa, já foram registrados mais de 70 casos globais relacionados a “ataques com ferramenta” envolvendo criptomoedas. Desses, a França, com mais de 14 incidentes, destaca-se como uma das principais regiões de crimes violentos com criptomoedas na Europa. Por trás desses números, há uma questão mais profunda: por que a França é particularmente vulnerável a esse tipo de crime?

Por que a França? A sobreposição de riscos em múltiplos níveis

Concentração de riqueza e oportunidades criminosas

O consultor de crimes cibernéticos David Sehyeon Baek, em entrevista à decrypt, apontou fatores-chave: a França possui uma base elevada de atividades criminosas, e a riqueza em criptomoedas está altamente concentrada entre fundadores, traders e figuras públicas, além do conhecimento sobre ativos digitais estar cada vez mais difundido. Isso faz do país um terreno fértil para crimes organizados e oportunistas relacionados a criptomoedas.

Em comparação com dinheiro em espécie ou o sistema bancário tradicional, as criptomoedas apresentam três características que as tornam prioridade para redes criminosas:

  • Alto potencial de lucro: uma única operação pode gerar ativos no valor de milhões
  • Transferências transfronteiriças rápidas: sem a necessidade de passar por processos bancários tradicionais demorados
  • Rastreabilidade relativamente baixa: uma vez transferidos para mixers ou exchanges, o rastreamento torna-se extremamente difícil

Vulnerabilidades internas no sistema de aplicação da lei

Mais alarmante ainda é o fato de que o próprio sistema de aplicação da lei na França também se tornou uma fraqueza na cadeia criminosa.

Segundo reportagens da mídia francesa, uma funcionária fiscal foi processada em junho de 2025 por abuso de autoridade ao acessar dados do sistema fiscal nacional. Ghalia C., uma funcionária de 32 anos, atuava na agência tributária de Bobigny, na Seine-Saint-Denis, e suas buscas incluíam não apenas informações de presos, mas também de investidores em criptomoedas e figuras públicas conhecidas (como o bilionário Vincent Bolloré).

Investigações indicam que suas buscas não tinham relação com obrigações fiscais empresariais e, inclusive, estavam temporalmente relacionadas a invasões violentas posteriores. Isso sugere que criminosos podem estar explorando vazamentos de informações para obter dados como identidade e endereço das vítimas, possibilitando ataques precisos.

De incidentes marginais a uma ameaça sistêmica

O risco de violência contra indivíduos que possuem criptomoedas está passando por uma transformação qualitativa. Antes considerados eventos periféricos na comunidade cripto, esses incidentes agora evoluíram para uma questão de segurança de grande escala.

Por trás dessa mudança está a ampliação do volume de ativos digitais. Com a valorização do Bitcoin, Ethereum e outras moedas principais, além do aumento de riqueza no setor, a motivação econômica para crimes violentos contra detentores de criptomoedas também cresce. Ao mesmo tempo, a difusão do conhecimento sobre chaves privadas faz com que mais pessoas entendam seu valor, criando oportunidades para organizações criminosas.

O caso da França nos lembra que essa questão não é apenas de segurança individual, mas também de risco para o sistema de aplicação da lei. Quando vazamentos de informações e crimes violentos entram em um ciclo fechado, o problema deixa de ser um caso isolado e se torna uma ameaça sistêmica.

Conclusão

A frequência de crimes violentos relacionados com criptomoedas na França reflete uma realidade maior: à medida que o volume de ativos digitais aumenta, o risco de violência contra detentores também cresce. A alta concentração de riqueza, a difusão do conhecimento sobre criptomoedas e as vulnerabilidades internas no sistema de aplicação da lei criam um ecossistema propício ao crime na França. Este não é um problema exclusivo do país, mas uma tendência que toda a comunidade global de criptomoedas deve estar atenta. Para os detentores, a segurança dos ativos exige não apenas proteção técnica (como carteiras frias e multiassinaturas), mas também uma maior conscientização sobre riscos no cotidiano.

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