Impulso Legislativo nas Filipinas contra a Desinformação Online: Três Projetos de Lei Visam a Opacidade dos Algoritmos e as Falsidades Coordenadas

O Senado das Filipinas está a avançar com uma agenda legislativa abrangente para combater a desinformação digital, com os legisladores na segunda-feira, 15 de dezembro, a aprovar três medidas interligadas destinadas a enfrentar a crescente crise de desinformação do país. A sessão destacou a determinação do comité do Senado para a informação pública e os meios de comunicação de massa em regular sistemas algorítmicos, penalizar manipulações online organizadas e estabelecer mecanismos para a remoção rápida de conteúdos falsos.

O Quadro de Três Projetos de Lei: Abordar a Desinformação Sistémica

O pacote legislativo em consideração compreende os projetos de lei do Senado 191, 1441 e 1490—cada um abordando aspetos distintos, mas interrelacionados, do ecossistema de informação. Presidindo as deliberações, o senador Robin Padilla, principal autor de uma das medidas, destacou como estas propostas representam respostas em camadas aos crescentes desafios de integridade da informação do país.

Projeto de Lei do Senado 191: Estabelecimento de Mecanismos de Verificação de Conteúdo e Remoção

A proposta de Lei Anti-Falsidade de Conteúdo e Fake News visa a criação e distribuição intencional de conteúdos digitais demonstravelmente falsos ou enganosos que prejudiquem indivíduos, a segurança pública ou interesses nacionais. A legislação daria poder ao Gabinete do Ministério da Justiça para emitir ordens de retificação, remoções obrigatórias de conteúdo, diretivas de bloqueio de acesso e remoções preventivas—tudo sujeito a proteções de devido processo e direitos de recurso.

Os apoiantes do projeto argumentam que os quadros legais atuais operam demasiado lentamente para acompanhar a velocidade com que as narrativas falsas se propagam nas plataformas digitais, muitas vezes deixando as partes afetadas sem remédios significativos ou oportunos. A medida procura fechar esta lacuna temporal entre a proliferação de conteúdo e a resposta institucional.

Projeto de Lei do Senado 1441: Exigência de Transparência Algorítmica

Em vez de focar no comportamento individual do utilizador, a proposta de Lei de Equidade nas Redes Sociais e Transparência Algorítmica redireciona a atenção regulatória para os sistemas computacionais que curam a distribuição de conteúdo. A lei obrigaria as principais plataformas sociais a divulgar os seus processos de tomada de decisão algorítmica—especificamente como os seus sistemas classificam, elevam, diminuem ou filtram conteúdo, particularmente material relacionado com política eleitoral e governação.

Durante a sessão, os legisladores questionaram repetidamente a ausência de capacidade regulatória local para supervisionar algoritmos que influenciam fundamentalmente os resultados eleitorais, moldam o discurso público e determinam a confiança nas instituições. O presidente do Senado, Vicente Sotto III, alertou que os sistemas algorítmicos favorecem inerentemente o sensacionalismo em detrimento de relatórios fundamentados, privando efetivamente o jornalismo tradicional de envolvimento do público enquanto inundam os canais de informação com conteúdo baseado em rumores.

“Os cidadãos não merecem apenas liberdade de expressão, mas acesso equitativo e transparente a informações factuais que permitam decisões fundamentadas. A governação democrática não pode sobreviver quando relatórios verificados são sobrecarregados por manipulação algorítmica que serve interesses lucrativos em detrimento do interesse público,” afirmou Sotto nos materiais explicativos do projeto de lei.

Projeto de Lei do Senado 1490: Criminalização de Operações Organizadas de Trolls

A proposta de Lei Anti-Fazendas de Trolls enquadra comportamentos inautênticos coordenados não como atividade incidental de utilizadores, mas como infraestrutura organizada. A medida procura penalizar aqueles que operam, financiam ou ocultam redes de fazendas de trolls, incluindo casos em que recursos públicos, infraestrutura estatal ou equipamentos governamentais facilitam campanhas de desinformação sincronizadas.

Padilla caracterizou estas operações como maquinaria sistemática com consequências que se estendem para além da política eleitoral, atingindo estruturas de governação e quadros de segurança nacional.

Equilibrar a Regulação com a Liberdade de Imprensa

Durante as sessões da tarde, membros do comité e especialistas técnicos enfatizaram que a amplificação algorítmica não é nem acidental nem neutra. Organizações de verificação de factos, incluindo pessoal do Rappler, explicaram que, embora avaliem a precisão do conteúdo, as decisões das plataformas relativas à visibilidade, despromoção ou remoção permanecem inteiramente ao critério da empresa. Analistas independentes não podem controlar os resultados algorítmicos; só podem avaliar e rotular conteúdo.

Representantes das forças de segurança, incluindo oficiais da Polícia Nacional das Filipinas e do Gabinete Nacional de Investigação, revelaram que pedidos de remoção recebem ações aceleradas apenas em casos de terrorismo, segurança infantil e segurança nacional. A desinformação política e as falsidades eleitorais dependem em grande medida do cumprimento voluntário das plataformas—uma realidade que motivou intervenção legislativa.

Senadores e especialistas jurídicos enfatizaram simultaneamente a proteção da liberdade de imprensa e da expressão política. Surgiram preocupações de que regulações excessivamente amplas poderiam transformar-se em armas contra a difamação cibernética, potencialmente silenciando críticas e discursos políticos. Especialistas jurídicos instaram os legisladores a proteger explicitamente comentários políticos, sátira, paródia e participação cívica dentro de qualquer texto legislativo adotado durante o 19º Congresso das Filipinas e além.

Ausência da Meta e Questões de Responsabilidade

A Meta, operadora do Facebook e Instagram, foi formalmente convidada para a sessão, mas recusou participar, enviando uma declaração escrita em seu lugar—um padrão que o senador Marcoleta observou persistir desde o 19º Congresso. A não-aparição da empresa revelou-se particularmente conspícua, dado que as suas plataformas tiveram destaque ao longo das discussões dos legisladores sobre o problema da desinformação.

O senador Marcoleta propôs obrigar a Meta a comparecer às próximas sessões do comité, com Padilla a apoiar a proposta. Em contraste, a TikTok enviou Yves Gonzalez, seu chefe de assuntos governamentais e política pública, demonstrando envolvimento da plataforma no processo legislativo.

O comité indicou a sua intenção de continuar a refinar detalhadamente as políticas através de grupos de trabalho técnicos, sugerindo que o processo legislativo permanece em fases de desenvolvimento ativo.

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