Enigma que define a moeda digital: A busca pela pessoa real por trás de Satoshi Nakamoto

Enquanto o Bitcoin estabelece recordes ao atingir mais de $109.000 no início de 2025, os criadores estão a esconder aproximadamente (750.000 a 1.100.000) moedas, avaliadas entre $63,8 bilhões e $93,5 bilhões, mas nunca as moveram sequer uma vez. A história de Satoshi Nakamoto—uma figura que influencia o sistema financeiro global, mesmo que nunca tenha existido—é uma lenda que está a mudar a forma como pensamos sobre identidade, riqueza e preservação do eu.

Em busca da verdade: Quem é realmente Satoshi Nakamoto?

A primeira verdade que sabemos: o nome que aparece no documento do white paper intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System”, publicado a 31 de outubro de 2008, não é o nome verdadeiro. Isso já foi afirmado várias vezes.

O perfil da P2P Foundation afirma que nasceu a 5 de abril de 1975, o que faria Nakamoto ter 50 anos em abril de 2025. No entanto, quase todos os especialistas concordam que essa não é a data de nascimento real. Provavelmente, a data foi escolhida intencionalmente—5 de abril de 1933, o dia em que o presidente Franklin Roosevelt assinou a Ordem Executiva 6102, proibindo os cidadãos americanos de possuírem ouro, e 1975, o ano em que essa proibição foi revogada. Essa escolha revela uma intenção clara: o Bitcoin é ouro digital fora do controle dos governos.

Estudos sobre o padrão de digitação de Nakamoto—como o uso de dois espaços após pontos decimais e o estilo de escrita húngaro popular na década de 1990—levam muitos pesquisadores a acreditar que Nakamoto tem mais de 50 anos, possivelmente na faixa dos 60 ou mais. Os horários em que ele publica—principalmente fora do período das 5h às 11h GMT—sugerem uma pessoa provavelmente americana ou britânica, mesmo alegando residir no Japão.

Rastros do mistério: Candidatos a Nakamoto

Com o tempo, vários nomes surgiram como possíveis candidatos. Alguns deles incluem:

Hal Finney (1956-2014), um criptógrafo que recebeu a primeira transação de Bitcoin de Nakamoto, com habilidades técnicas sólidas e uma escrita que lembra Nakamoto. Ele negou veementemente antes de falecer de ALS em 2014.

Nick Szabo, criador do “bit gold”, precursor do Bitcoin, com perfil técnico compatível. Análises linguísticas também apontam semelhanças, mas Szabo sempre negou.

Adam Back, criador do Hashcash, sistema de prova de trabalho no qual o Bitcoin se baseia. Ele teve contato próximo com Nakamoto durante o desenvolvimento, mas nega envolvimento.

Creg Wright, que afirma publicamente ser Nakamoto, mas o Tribunal Superior do Reino Unido decidiu, em março de 2024, que “Wright não é o autor do white paper” e há evidências de fraude em suas alegações.

Peter Todd, mencionado no documentário HBO de 2024 “Money Electric: The Bitcoin Mystery”, com base em padrões de escrita, sotaque canadense e referências técnicas semelhantes.

Dorian Nakamoto, engenheiro japonês-americano, foi erroneamente identificado em 2014. Ele pareceu confirmar, mas depois afirmou que interpretaram mal sua resposta.

Talvez seja uma combinação de várias pessoas, mais do que um único indivíduo.

Riqueza perdida para sempre: moedas nunca movimentadas

O criptógrafo Sergio Demian Lerner identificou o “Padrão Patoshi” nos primeiros blocos do Bitcoin, que ajuda a estimar quais blocos Nakamoto pode ter minerado. Resultado: Nakamoto possui entre 750.000 e 1.100.000 bitcoins, avaliados em aproximadamente $63,8 bilhões a $93,5 bilhões na cotação atual.

Essa enorme riqueza—suficiente para colocar Nakamoto entre as 20 pessoas mais ricas do mundo—permanece inalterada desde 2011, sem movimentações conhecidas.

Por que essas moedas permanecem imóveis? Algumas teorias:

  • Nakamoto faleceu ou perdeu acesso às suas chaves privadas.
  • Intenção deliberada de deixar essa riqueza como um presente para o ecossistema do Bitcoin.
  • Risco legal: vender as moedas poderia revelar sua identidade por meio de verificações KYC ou análise de blockchain.
  • Proteção do mercado: medo de que uma venda em massa possa fazer o preço disparar.

Em 2019, surgiu uma teoria contrária—que Nakamoto poderia ter vendido sistematicamente suas moedas iniciais. No entanto, análises de blockchain refutam essa hipótese, pois o padrão das transações não corresponde às moedas conhecidas de Nakamoto.

A revolução do Bitcoin desde o início: a importância do white paper

Em 31 de outubro de 2008, Nakamoto enviou um documento de 9 páginas para uma lista de destinatários criptografados. Este documento original apresentou uma ideia simples, mas revolucionária: um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer que não requer bancos ou intermediários financeiros.

O diferencial: a solução para o problema do “gasto duplo”—uma questão crítica que havia derrubado projetos anteriores de moedas digitais. O Bitcoin usou uma rede de validadores descentralizados $120 mineradores e um sistema de prova de trabalho para garantir que cada moeda pudesse ser gasta apenas uma vez. Foi a primeira criação de escassez digital.

Três dias depois, em 3 de janeiro de 2009, Nakamoto minerou o primeiro bloco—o bloco gênese—com uma mensagem: “The Times 03/Jan/2009 O Primeiro-Ministro Está na Porta Pronta para uma Segunda Ajuda”, uma referência a uma manchete do jornal britânico. Essa mensagem revela a intenção de Nakamoto: o Bitcoin é uma resposta à crise financeira e ao fracasso do sistema financeiro tradicional.

Por que optar pelo anonimato: os princípios por trás do mistério

A decisão de Nakamoto de desaparecer em 2011—após passar a entrega para Gavin Andresen—pode ter sido uma escolha deliberada, não por medo.

Se Nakamoto permanecesse visível, o Bitcoin teria um centro—uma pessoa com poder, uma entidade que poderia manipular ou, até mesmo, se tornar o epicentro de uma falha do sistema. Inimigos do governo, concorrentes ou investidores prejudicados poderiam ter objetivos específicos.

O mistério de Nakamoto permite que o Bitcoin seja um sistema verdadeiramente democrático, não uma aposta na saúde de uma pessoa. Baseado na redução da necessidade de confiança, a presença de um criador oculto é uma demonstração de princípio—o Bitcoin não precisa que os usuários confiem em alguém, nem mesmo no seu criador.

Essa é a genialidade do design do sistema.

Por que ainda nos interessamos: do white paper à cultura popular

Com o passar do tempo, o Bitcoin evoluiu de uma mensagem enviada por e-mail para um ativo avaliado em milhões, com 500 milhões de usuários previstos para 2025. Mas o interesse por Satoshi Nakamoto só aumentou.

No documentário HBO de 2024, “Money Electric: The Bitcoin Mystery”, a identidade de Nakamoto tornou-se uma questão de investigação séria. Marcas de streetwear, como a Vans, lançaram coleções limitadas de Satoshi Nakamoto. A cultura de roupas com a marca Nakamoto mostra que o criador do Bitcoin transcendeu a moeda digital, tornando-se um ícone cultural—um símbolo da revolução digital e da resistência ao centralismo.

Em março de 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para criar o estoque estratégico de Bitcoin dos EUA—um risco que Nakamoto poderia perceber diretamente, se ainda estivesse vivo e assistindo às notícias. O Bitcoin entrou na esfera de aceitação governamental.

A criação de Nakamoto deu origem a toda a tecnologia blockchain—desde plataformas de contratos inteligentes até finanças descentralizadas. Até os bancos centrais estão desenvolvendo suas próprias moedas digitais—embora versões centralizadas que Nakamoto certamente desaprovaria.

O legado ainda oculto: conclusão

Em abril de 2025, Satoshi Nakamoto permanece como o maior enigma do universo das criptomoedas. Uma pessoa que pode—ou não—existir, o criador de um sistema fora do controle central, envolvido há mais de 16 anos. Se ainda estiver vivo, deve estar na faixa dos anos, com um patrimônio avaliado em mais de bilhões de dólares, quando o Bitcoin atingiu seu pico.

Mas a riqueza é um código, o mistério é uma esperança, e o anonimato é uma herança que mantém o Bitcoin sem um centro.

Quem quer que seja Satoshi Nakamoto, onde quer que esteja, seu impacto continua a ser uma fera do sistema financeiro—uma busca que ainda está por ser concluída.

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