5 de abril de 2025, um aniversário virtual é assinalado no calendário pela comunidade global de criptomoedas. Se acreditar naquela fonte misteriosa, Сатоши Накамото deveria comemorar 50 anos nesse dia. Mas essa data em si está repleta de metáforas — ela remete ao momento em que os EUA proibiram a posse de ouro em 1933, e também ao ano em que essa proibição foi levantada. Claramente, não é uma coincidência, mas uma homenagem engenhosa aos cyberpunks.
O bilionário desaparecido
O mais estranho não está na identidade desconhecida, mas na estranheza de sua riqueza. Segundo análises de blockchain, Сатоши Накамото controla entre 750 mil e 1,1 milhão de bitcoins. Com o valor de abril de 2025, essa fortuna vale entre 63,8 e 93,5 bilhões de dólares. Em outras palavras, essa pessoa — se realmente for uma pessoa — pode estar entre as 20 mais ricas do mundo.
Mas essa quantia astronômica nunca foi movimentada. Nem um único bitcoin foi tocado.
Desde que Сатоши desapareceu da internet em 2011, esses bitcoins parecem congelados no tempo, repousando silenciosamente em algum canto da blockchain. Essa estagnação inquietante gerou uma série de especulações: ele morreu? Esqueceu a chave privada? Ou desde o início planejava doar essa riqueza para o ecossistema do Bitcoin?
Os principais suspeitos da identidade
Ao longo de 16 anos, todo o mundo cripto tem jogado um jogo chamado “Você é Сатоши?”. Cada suspeito que apareceu nega veementemente.
Хал Финни (1956-2014) é um dos candidatos mais fortes. Este criptógrafo não só possui o conhecimento técnico necessário para criar o Bitcoin, como também recebeu a primeira transferência de bitcoin de Сатоши. Seu estilo de escrita é surpreendentemente semelhante ao de Сатоши, até mesmo seus hábitos gramaticais — como o uso de espaço duplo na máquina de escrever. Финни morava na Califórnia, perto de outro suspeito. Mas ele negou ser Сатоши até sua morte, em 2014, vítima de esclerose lateral amiotrófica.
Ник Сабо é o criador do conceito de “Bit Gold”, uma ideia semelhante ao Bitcoin proposta já em 1998. Análises linguísticas mostram que seu estilo de escrita combina fortemente com o de Сатоши. Mas Сабо respondeu: “Receio que você tenha se enganado, embora eu já esteja acostumado a essas acusações.”
Адам Бэк desenvolveu o algoritmo Hashcash — mencionado explicitamente no white paper do Bitcoin. Ele também foi um dos primeiros desenvolvedores com quem Сатоши entrou em contato. Mas Бэк também nega veementemente.
O mais absurdo é Крейг Райт. Este cientista da computação australiano afirmou várias vezes ser Сатоши, até mesmo registrando direitos autorais do white paper do Bitcoin na Inglaterra. Mas, em março de 2024, o juiz do Tribunal Superior do Reino Unido, Джеймс Меллор, declarou: “Dr. Wright não é o autor do white paper do Bitcoin, nem a pessoa por trás do pseudônimo.” O tribunal considerou as provas apresentadas por ele como falsificadas.
Em 2024, o documentário da HBO Money Electric: The Bitcoin Mystery apresentou um novo suspeito — Питер Тодд, um dos primeiros desenvolvedores do Bitcoin. Mas Тодд respondeu de forma irônica que essa teoria é “absurda, como ganhar na loteria”.
O que mudou com o white paper
Em 31 de outubro de 2008, em uma lista de discussão de criptografia, surgiu silenciosamente um documento de 9 páginas. O título era simples: Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto.
Esse documento não apenas apresentou uma nova moeda. Resolvia um problema que atormentava as moedas digitais há mais de 20 anos — o problema do duplo gasto. Antes dele, nenhuma moeda digital conseguia impedir que a mesma unidade fosse gasta duas vezes. Сатоши resolveu essa questão com um mecanismo de prova de trabalho e uma rede descentralizada.
Em 3 de janeiro de 2009, o bloco gênese foi minerado. No código desse bloco, Сатоши inseriu uma mensagem: The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks. Essa não foi uma escolha aleatória, mas uma nota de rodapé de uma era — o sistema bancário tradicional estava entrando em colapso, e algo novo nascia.
Por que é imprescindível permanecer anônimo
O desaparecimento de Сатоши não foi uma coincidência, mas uma autoeliminação cuidadosamente planejada.
Primeiro, um criador com nome próprio se tornaria um “ponto central de falha” do Bitcoin. Governos poderiam pressionar, prender ou ameaçar. Concorrentes poderiam comprá-lo. Cada declaração sua poderia causar volatilidade no mercado ou bifurcações na rede. Com um criador público, a descentralização se tornaria uma ilusão.
Segundo, do ponto de vista de segurança pura, uma pessoa com ativos de bilhões de dólares se torna alvo de sequestros, extorsões ou até assassinatos. O anonimato é a defesa mais básica.
Mas a razão mais profunda é filosófica. O conceito do Bitcoin é justamente fazer com que os usuários não precisem confiar em ninguém — nem mesmo no seu criador. Em um sistema que valoriza a matemática acima da humanidade, um fundador invisível representa exatamente essa ideia. Ao desaparecer, Сатоши provou que o Bitcoin não depende de nenhuma pessoa.
Como uma pessoa que não existe mudou o mundo
Сатоши Накамото se tornou um símbolo, e não uma identidade.
Em 2021, uma estátua de bronze foi erguida em Budapeste. Seu rosto é feito de material refletivo, de modo que quem olha vê seu próprio reflexo. A inscrição é simples: We are all Сатоши.
Em março de 2025, o presidente dos EUA assinou uma ordem executiva criando uma reserva estratégica de Bitcoin. Algo que antes era considerado uma tecnologia marginal agora virou ativo de nível nacional. Essa é a ironia que Сатоши imaginou — um sistema criado para desafiar a política monetária dos governos, que acabou sendo incorporado às políticas estatais.
Citações de Сатоши circulam na comunidade cripto:
“O problema fundamental do dinheiro tradicional é a confiança necessária para mantê-lo funcionando.”
“Se você não acredita em mim ou não entende minha visão, não tenho tempo para convencê-lo a mudar de ideia.”
Essas palavras se tornaram escrituras da filosofia cripto.
Marcas de roupas de rua lançaram uma coleção temática de Сатоши. A Vans lançou, em 2022, uma edição limitada de colaboração. Um personagem virtual entrou na cultura pop, tornando-se um ícone da revolução digital.
O impacto mais amplo é na camada tecnológica. Os mecanismos de blockchain inventados por Сатоши deram origem a todo um ecossistema — plataformas de contratos inteligentes, aplicações DeFi, protótipos de moedas digitais de bancos centrais. Mais de 500 milhões de usuários de criptomoedas no mundo herdaram indiretamente o legado desse criador fantasma.
Ele está vivo?
Ninguém sabe.
A última comunicação confirmada foi em abril de 2011, quando Сатоши enviou um e-mail ao desenvolvedor inicial Гэвин Андресен: “Lamento ver que você continua me retratando como uma figura misteriosa, a mídia só vai transformar isso na história do moeda pirata.” Depois disso, nunca mais houve notícias.
Há motivos para acreditar que ele já faleceu. As carteiras contendo entre 7,5 e 11 milhões de bitcoins nunca foram movimentadas. Anos de silêncio indicam uma única conclusão: essa pessoa ou morreu, ou abandonou completamente essa fortuna, ou está em algum lugar que só ela conhece, assistindo sua criação operar de forma independente, em silêncio.
A dissonância histórica
Há ainda uma outra pista sobre a idade real de Сатоши. Os hábitos de codificação que ele usou — o estilo de nomenclatura húngara, a definição de classes com C maiúsculo — apontam para alguém que aprendeu a programar na década de 1980 ou início dos anos 1990. Quando criou o Bitcoin em 2008, essa pessoa provavelmente tinha mais de 20 anos de experiência em programação. Isso sugere que o Сатоши atual pode não ter 50 anos, mas estar próximo dos 60.
Seu comentário sobre o evento de manipulação de prata dos irmãos Hunt em 1980 — parecendo ter vivido aquilo — reforça essa hipótese. Um verdadeiro cyberpunk, testemunha de crises financeiras e que acredita na inviolabilidade da liberdade.
A última dúvida
Passaram-se 16 anos, e agências de inteligência, jornalistas e pesquisadores tentam desvendar esse mistério. Mas cada investigação termina em fracasso. Talvez Сатоши Накамото nunca tenha querido ser encontrado. Ou talvez sua identidade seja irrelevante.
Ao celebrarmos esse aniversário virtual de 50 anos, a questão real mudou. Não perguntamos mais “Quem é Сатоши?”, mas “Precisamos mesmo saber?”.
A resposta pode estar no próprio código do Bitcoin — um sistema que não exige confiança em ninguém, criado por alguém que ninguém viu. E isso, por si só, é a resposta mais perfeita.
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50 anos de mistério: o criador fantasma do Bitcoin realmente existe?
5 de abril de 2025, um aniversário virtual é assinalado no calendário pela comunidade global de criptomoedas. Se acreditar naquela fonte misteriosa, Сатоши Накамото deveria comemorar 50 anos nesse dia. Mas essa data em si está repleta de metáforas — ela remete ao momento em que os EUA proibiram a posse de ouro em 1933, e também ao ano em que essa proibição foi levantada. Claramente, não é uma coincidência, mas uma homenagem engenhosa aos cyberpunks.
O bilionário desaparecido
O mais estranho não está na identidade desconhecida, mas na estranheza de sua riqueza. Segundo análises de blockchain, Сатоши Накамото controla entre 750 mil e 1,1 milhão de bitcoins. Com o valor de abril de 2025, essa fortuna vale entre 63,8 e 93,5 bilhões de dólares. Em outras palavras, essa pessoa — se realmente for uma pessoa — pode estar entre as 20 mais ricas do mundo.
Mas essa quantia astronômica nunca foi movimentada. Nem um único bitcoin foi tocado.
Desde que Сатоши desapareceu da internet em 2011, esses bitcoins parecem congelados no tempo, repousando silenciosamente em algum canto da blockchain. Essa estagnação inquietante gerou uma série de especulações: ele morreu? Esqueceu a chave privada? Ou desde o início planejava doar essa riqueza para o ecossistema do Bitcoin?
Os principais suspeitos da identidade
Ao longo de 16 anos, todo o mundo cripto tem jogado um jogo chamado “Você é Сатоши?”. Cada suspeito que apareceu nega veementemente.
Хал Финни (1956-2014) é um dos candidatos mais fortes. Este criptógrafo não só possui o conhecimento técnico necessário para criar o Bitcoin, como também recebeu a primeira transferência de bitcoin de Сатоши. Seu estilo de escrita é surpreendentemente semelhante ao de Сатоши, até mesmo seus hábitos gramaticais — como o uso de espaço duplo na máquina de escrever. Финни morava na Califórnia, perto de outro suspeito. Mas ele negou ser Сатоши até sua morte, em 2014, vítima de esclerose lateral amiotrófica.
Ник Сабо é o criador do conceito de “Bit Gold”, uma ideia semelhante ao Bitcoin proposta já em 1998. Análises linguísticas mostram que seu estilo de escrita combina fortemente com o de Сатоши. Mas Сабо respondeu: “Receio que você tenha se enganado, embora eu já esteja acostumado a essas acusações.”
Адам Бэк desenvolveu o algoritmo Hashcash — mencionado explicitamente no white paper do Bitcoin. Ele também foi um dos primeiros desenvolvedores com quem Сатоши entrou em contato. Mas Бэк também nega veementemente.
O mais absurdo é Крейг Райт. Este cientista da computação australiano afirmou várias vezes ser Сатоши, até mesmo registrando direitos autorais do white paper do Bitcoin na Inglaterra. Mas, em março de 2024, o juiz do Tribunal Superior do Reino Unido, Джеймс Меллор, declarou: “Dr. Wright não é o autor do white paper do Bitcoin, nem a pessoa por trás do pseudônimo.” O tribunal considerou as provas apresentadas por ele como falsificadas.
Em 2024, o documentário da HBO Money Electric: The Bitcoin Mystery apresentou um novo suspeito — Питер Тодд, um dos primeiros desenvolvedores do Bitcoin. Mas Тодд respondeu de forma irônica que essa teoria é “absurda, como ganhar na loteria”.
O que mudou com o white paper
Em 31 de outubro de 2008, em uma lista de discussão de criptografia, surgiu silenciosamente um documento de 9 páginas. O título era simples: Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto.
Esse documento não apenas apresentou uma nova moeda. Resolvia um problema que atormentava as moedas digitais há mais de 20 anos — o problema do duplo gasto. Antes dele, nenhuma moeda digital conseguia impedir que a mesma unidade fosse gasta duas vezes. Сатоши resolveu essa questão com um mecanismo de prova de trabalho e uma rede descentralizada.
Em 3 de janeiro de 2009, o bloco gênese foi minerado. No código desse bloco, Сатоши inseriu uma mensagem: The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks. Essa não foi uma escolha aleatória, mas uma nota de rodapé de uma era — o sistema bancário tradicional estava entrando em colapso, e algo novo nascia.
Por que é imprescindível permanecer anônimo
O desaparecimento de Сатоши não foi uma coincidência, mas uma autoeliminação cuidadosamente planejada.
Primeiro, um criador com nome próprio se tornaria um “ponto central de falha” do Bitcoin. Governos poderiam pressionar, prender ou ameaçar. Concorrentes poderiam comprá-lo. Cada declaração sua poderia causar volatilidade no mercado ou bifurcações na rede. Com um criador público, a descentralização se tornaria uma ilusão.
Segundo, do ponto de vista de segurança pura, uma pessoa com ativos de bilhões de dólares se torna alvo de sequestros, extorsões ou até assassinatos. O anonimato é a defesa mais básica.
Mas a razão mais profunda é filosófica. O conceito do Bitcoin é justamente fazer com que os usuários não precisem confiar em ninguém — nem mesmo no seu criador. Em um sistema que valoriza a matemática acima da humanidade, um fundador invisível representa exatamente essa ideia. Ao desaparecer, Сатоши provou que o Bitcoin não depende de nenhuma pessoa.
Como uma pessoa que não existe mudou o mundo
Сатоши Накамото se tornou um símbolo, e não uma identidade.
Em 2021, uma estátua de bronze foi erguida em Budapeste. Seu rosto é feito de material refletivo, de modo que quem olha vê seu próprio reflexo. A inscrição é simples: We are all Сатоши.
Em março de 2025, o presidente dos EUA assinou uma ordem executiva criando uma reserva estratégica de Bitcoin. Algo que antes era considerado uma tecnologia marginal agora virou ativo de nível nacional. Essa é a ironia que Сатоши imaginou — um sistema criado para desafiar a política monetária dos governos, que acabou sendo incorporado às políticas estatais.
Citações de Сатоши circulam na comunidade cripto:
Essas palavras se tornaram escrituras da filosofia cripto.
Marcas de roupas de rua lançaram uma coleção temática de Сатоши. A Vans lançou, em 2022, uma edição limitada de colaboração. Um personagem virtual entrou na cultura pop, tornando-se um ícone da revolução digital.
O impacto mais amplo é na camada tecnológica. Os mecanismos de blockchain inventados por Сатоши deram origem a todo um ecossistema — plataformas de contratos inteligentes, aplicações DeFi, protótipos de moedas digitais de bancos centrais. Mais de 500 milhões de usuários de criptomoedas no mundo herdaram indiretamente o legado desse criador fantasma.
Ele está vivo?
Ninguém sabe.
A última comunicação confirmada foi em abril de 2011, quando Сатоши enviou um e-mail ao desenvolvedor inicial Гэвин Андресен: “Lamento ver que você continua me retratando como uma figura misteriosa, a mídia só vai transformar isso na história do moeda pirata.” Depois disso, nunca mais houve notícias.
Há motivos para acreditar que ele já faleceu. As carteiras contendo entre 7,5 e 11 milhões de bitcoins nunca foram movimentadas. Anos de silêncio indicam uma única conclusão: essa pessoa ou morreu, ou abandonou completamente essa fortuna, ou está em algum lugar que só ela conhece, assistindo sua criação operar de forma independente, em silêncio.
A dissonância histórica
Há ainda uma outra pista sobre a idade real de Сатоши. Os hábitos de codificação que ele usou — o estilo de nomenclatura húngara, a definição de classes com C maiúsculo — apontam para alguém que aprendeu a programar na década de 1980 ou início dos anos 1990. Quando criou o Bitcoin em 2008, essa pessoa provavelmente tinha mais de 20 anos de experiência em programação. Isso sugere que o Сатоши atual pode não ter 50 anos, mas estar próximo dos 60.
Seu comentário sobre o evento de manipulação de prata dos irmãos Hunt em 1980 — parecendo ter vivido aquilo — reforça essa hipótese. Um verdadeiro cyberpunk, testemunha de crises financeiras e que acredita na inviolabilidade da liberdade.
A última dúvida
Passaram-se 16 anos, e agências de inteligência, jornalistas e pesquisadores tentam desvendar esse mistério. Mas cada investigação termina em fracasso. Talvez Сатоши Накамото nunca tenha querido ser encontrado. Ou talvez sua identidade seja irrelevante.
Ao celebrarmos esse aniversário virtual de 50 anos, a questão real mudou. Não perguntamos mais “Quem é Сатоши?”, mas “Precisamos mesmo saber?”.
A resposta pode estar no próprio código do Bitcoin — um sistema que não exige confiança em ninguém, criado por alguém que ninguém viu. E isso, por si só, é a resposta mais perfeita.