Criptomoedas na Moldávia: uma luta entre lei e realidade

Estado atual: Por que os jogadores de criptomoedas na Moldávia estão tão indecisos?

Se és um entusiasta de criptomoedas na Moldávia, talvez estejas a questionar-te: será que é legal usar criptomoedas? A resposta é—pode ser e não pode.

De acordo com o mais recente relatório do Banco Nacional da Moldávia de 2025, cerca de 12% da população utiliza criptomoedas, um aumento de 4 vezes em relação aos 3% de 2020. O que está por trás deste crescimento explosivo? Na verdade, uma grande disparidade entre a realidade e a legislação.

A Moldávia, na Lei nº 308 de 2017, definiu “ativos virtuais”—uma representação de valor digital que não é emitida nem garantida por qualquer banco central ou entidade governamental. Mas isto é apenas uma definição terminológica; o verdadeiro quadro legal ainda é um emaranhado de confusão.

Proibição estranha: podes possuir, mas quase não podes usar

Este é o aspecto mais contraditório do mundo cripto na Moldávia—possuir criptomoedas não é explicitamente proibido por lei, mas realizar operações relacionadas é estritamente restrito.

Mais especificamente:

Restrições às pessoas físicas:

  • Proibido oferecer serviços relacionados com ativos virtuais na Moldávia
  • Os bancos não podem processar transações de criptomoedas superiores a 50.000 leus/mês
  • Ultrapassar este limite aciona medidas de controlo reforçado por parte das autoridades reguladoras

Restrições às instituições:

  • Instituições financeiras não podem legalmente realizar negócios relacionados com criptomoedas
  • Mesmo serviços acessórios às operações de criptomoedas também são proibidos

Isto cria um fenómeno peculiar: os moldavos possuem criptomoedas, mas não podem fazer transações normais no país. Qual é a solução da maioria? Voltar-se para plataformas internacionais.

Como fazer transações de criptomoedas legalmente na Moldávia? Guia prático

Apesar do quadro legal cinzento, os jogadores de criptomoedas na Moldávia já descobriram algumas “regras de sobrevivência”:

Primeiro passo: abrir uma conta rastreável

Para comprar e vender criptomoedas na Moldávia, normalmente é necessário abrir uma conta bancária específica, passível de rastreamento pelas autoridades reguladoras. Mas o problema é—nem todos os bancos querem fazer isso. Como apontado pelo deputado moldavo Dolin Istrati: “Isso torna o processo muito complicado; muitos bancos inicialmente não estavam dispostos a abrir este tipo de conta.”

Segundo passo: cumprir rigorosamente o limite de 50.000 leus

Transações de criptomoedas através de contas bancárias moldavas não podem exceder 50.000 leus (cerca de 2.600 dólares) por mês. Ultrapassar este limite leva a multas e a uma fiscalização mais rigorosa.

Terceiro passo: usar plataformas internacionais

Devido às restrições internas, muitos traders experientes recorrem a plataformas de troca internacionais. Estas oferecem mais opções de ativos e maior liquidez—especialmente importante num ambiente regulatório em constante mudança na Moldávia.

Paradoxo fiscal: proibido transacionar, mas obrigado a pagar impostos

Este é outro paradoxo na Moldávia: o governo proíbe operações de criptomoedas, mas ainda assim tributa os lucros obtidos com elas.

Regras fiscais para pessoas físicas:

  • Os lucros de criptomoedas são considerados “ganhos de capital”
  • Taxa de 6%
  • Aplica-se a qualquer fonte de rendimento em criptomoedas, seja no país ou no estrangeiro

Regras fiscais para empresas:

  • Rendimento de atividades relacionadas com criptomoedas é tributado a 12%
  • Inclui mineração, trading ou qualquer atividade que gere lucros

Caso real: como uma empresa moldava paga impostos sobre criptomoedas

Um caso real do especialista fiscal Andre Jizdan (diretor da Jizdan & Partners, PhD em Economia):

Uma empresa moldava não comprou Bitcoin, mas criou a sua própria criptomoeda. Usaram servidores de um antigo cybercafé para minerar criptomoedas.

Do ponto de vista fiscal, isto gerou “custos”—energia elétrica, depreciação de equipamentos. Após deduzir esses custos, surgiu um lucro tributável. Quando o preço do Bitcoin subiu, a empresa vendeu e obteve dólares. Este lucro, como rendimento empresarial, foi tributado a 12%.

Ponto-chave: Mesmo num país que proíbe operações com criptomoedas, assim que geras rendimento, as autoridades fiscais encontram-te.

Legalização discreta: se não declares, ninguém sabe

Este é um facto na ecologia cripto moldava—a maioria dos rendimentos de criptomoedas na prática não é rastreável pelas autoridades fiscais.

Porquê? Porque o órgão fiscal moldavo atualmente não dispõe de ferramentas ou tecnologia para rastrear transações internacionais de criptomoedas. Assim, tudo depende da honestidade do contribuinte.

O fluxo de trabalho típico é:

  1. Programador presta serviços a clientes estrangeiros, recebendo pagamento em criptomoedas
  2. Cria uma carteira eletrónica na exchange e recebe fundos
  3. Vende criptomoedas na exchange, obtendo dólares ou euros
  4. A exchange transfere moeda fiduciária para a sua PayPal ou conta bancária moldava
  5. Neste momento, a criptomoeda já foi “legalizada”—parece uma receita de moeda estrangeira comum

Teoricamente, deveria declarar esse rendimento. Mas na prática?—depende da decisão individual.

Custo da violação: quão severas são as penalizações na Moldávia?

Se descoberto a oferecer serviços ilegais de criptomoedas ou a realizar atividades não autorizadas, as consequências podem ser graves.

Sanções administrativas:

  • Multa de 1.000 a 1.500 unidades condicionais (equivalente a 50.000-75.000 leus)
  • Possível congelamento de contas

Sanções criminais:

  • Multa de 1.350 a 2.350 unidades condicionais
  • Ou até 200 horas de trabalho comunitário não remunerado
  • Para empresas: multa de 2.000 a 4.000 unidades condicionais, ou proibição de atuar na área
  • Para infrações graves, multas podem chegar a 200.000 leus

Confisco de bens:

  • Criptomoedas usadas em atividades ilegais podem ser apreendidas
  • Em casos de lavagem de dinheiro, as autoridades congelam todas as transações na blockchain relacionadas com esses ativos virtuais

As autoridades consideram vários fatores na sentença: gravidade da infração, duração, frequência, intenção, capacidade financeira do infrator, lucros obtidos e cooperação com as autoridades.

Ascensão do mercado negro: como a proibição tem efeito contrário

A proibição de criptomoedas na Moldávia teve uma consequência inesperada—explosão do mercado subterrâneo.

Segundo dados do Serviço de Combate ao Branqueamento de Capitais da Moldávia, desde 2023, após a proibição de provedores de serviços de ativos virtuais (VASP), aumentaram significativamente as transações ilegais e esquemas de fraude.

Isto representa um grande problema para a Moldávia, devido a:

  • Incapacidade do governo de monitorar eficazmente as operações cripto
  • Facilidade de esconder fraudes
  • Proximidade geográfica a regiões de conflito, aumentando os riscos

Resumindo, a proibição rigorosa impulsionou as pessoas a recorrerem a canais de troca mais perigosos e menos regulados.

Grande mudança: a Moldávia planeia legalizar as criptomoedas em 2026-2027

Qual é a notícia mais esperada? O governo moldavo está a considerar seriamente uma mudança radical na sua política de criptomoedas.

Cronograma alvo:

  • Até junho de 2027, a Moldávia pretende alinhar a sua legislação com os padrões da UE
  • Inclui adoção do regulamento europeu MiCA (Mercado de Criptoativos)

O que é o MiCA?

O MiCA é uma regulamentação unificada de criptomoedas que entra em vigor na UE em dezembro de 2024, estabelecendo regras padrão para ativos digitais. A adoção do MiCA na Moldávia significa:

  • Provedores de serviços de criptomoedas precisarão obter licenças
  • Stablecoins serão fortemente reguladas
  • Limite de transações anónimas a 1.000 euros
  • Padrões de proteção ao consumidor serão reforçados

Planos da Moldávia:

Segundo o deputado Dolin Istrati, do partido “Acção e União”(PAS), a Moldávia até 2026 pretende:

  • Legalizar completamente as criptomoedas
  • Criar regras claras para utilizadores e bancos
  • Tornar as transações cripto “transparentes e acessíveis, como na UE e Roménia”

O Banco Nacional já começou a preparar a infraestrutura regulatória necessária. Isto representa uma mudança significativa—esta instituição tinha-se oposto à legalização, preocupada com riscos de investimento e a inadequação das criptomoedas como meio de pagamento.

O futuro do blockchain: a Moldávia quer mais do que legalizar criptomoedas, quer aplicar blockchain

Curiosamente, a Moldávia já começou a usar blockchain para além das criptomoedas.

Aplicações governamentais:

  • A capital Chișinău colabora com principais empresas de blockchain no desenvolvimento de um projeto de “cidade inteligente”
  • Blockchain é usado em sistemas de votação, registos públicos e pagamentos municipais
  • Isto demonstra confiança do governo no valor prático da tecnologia blockchain

Adoção no setor financeiro:

  • Várias instituições financeiras moldavas já estão a integrar blockchain
  • Em 2025, uma proporção significativa de transações bancárias é validada via blockchain
  • Isto aumenta a segurança e eficiência dos serviços financeiros

Ecossistema de startups:

  • Desde o início do processo de legalização, startups de blockchain cresceram 30%
  • Criando potencial para desenvolvimento económico e atração de investimento externo

Comparação com países vizinhos: qual o caminho que a Moldávia escolhe?

Modelo da Rússia:

A Rússia também está numa zona cinzenta legal para criptomoedas. Embora possuir criptomoedas não seja ilegal, pagar por bens e serviços com elas é proibido. A Rússia vê as criptomoedas como instrumentos financeiros, não como moeda, e restringe severamente o seu uso interno.

Direção da Ucrânia:

A Ucrânia segue um caminho diferente. Está a ajustar a sua legislação para estar em conformidade com o padrão europeu MiCA, com o projeto de lei “Nº 10225-д” em análise pelo parlamento, que prevê:

  • Tributação de lucros de criptomoedas
  • Alinhamento com os padrões europeus
  • Criação de um quadro legal claro para o setor

Escolha da Moldávia:

A Moldávia decidiu seguir o caminho da Ucrânia—adotando o MiCA e criando um quadro regulatório semelhante ao europeu. Assim, poderá aceder ao mercado europeu, mas também enfrentará custos de conformidade acrescidos.

O que fazer agora? Guia prático para utilizadores de criptomoedas na Moldávia

Se és um entusiasta de criptomoedas na Moldávia, aqui tens algumas recomendações para minimizar riscos legais:

1. Respeitar o limite mensal Mantenha as transações de criptomoedas na sua conta bancária moldava abaixo de 50.000 leus/mês.

2. Documentar tudo Guarda registos detalhados de todas as transações—datas, valores, taxas de câmbio na altura.

3. Declarar voluntariamente os rendimentos Conhece as tuas obrigações fiscais, declara os lucros de criptomoedas e paga os impostos devidos.

4. Usar plataformas internacionais confiáveis Se utilizares plataformas de troca internacionais, escolhe aquelas com reputação comprovada e bem reguladas.

5. Consultar um profissional Para transações de grande valor, procura aconselhamento jurídico especializado para entenderes a tua situação específica.

Mudanças à vista: prepara-te para 2026-2027

Com o plano do governo moldavo de legalizar completamente as criptomoedas até 2026-2027, espera-se que o novo quadro inclua:

  • Sistema de licenciamento para provedores de ativos virtuais
  • Requisitos de AML (anti-lavagem de dinheiro) e KYC (conheça o seu cliente)
  • Regras fiscais claras
  • Mecanismos de proteção ao consumidor

A lição atual? Preparar-se para as mudanças que aí vêm. Quem já tiver documentação organizada e cumprir as regras atuais estará melhor posicionado quando o novo quadro entrar em vigor.

Conclusão: o próximo capítulo da história das criptomoedas na Moldávia

A Moldávia encontra-se numa fase de transição para as criptomoedas. O estado atual é contraditório—proibição oficial de transações, mas posse privada não proibida; as autoridades exigem impostos, mas não conseguem rastrear todas as transações; o governo diz “não”, mas já prepara o “sim”.

Para investidores e empresas, o ambiente atual apresenta riscos e oportunidades. Podes possuir criptomoedas legalmente, desde que sigas as restrições e obrigações fiscais existentes. Nos próximos anos, estas regras irão simplificar-se bastante.

A abordagem do Banco Nacional na integração da tecnologia blockchain nos serviços públicos e financeiros mostra que o país não só aceita ativos digitais, como também os está a adotar ativamente. Isto posiciona a Moldávia como um país progressista na adoção de criptomoedas.

Pontos-chave: manter-se atento às mudanças regulatórias, cumprir as regras atuais e preparar-se para as oportunidades que a legalização trará. O melhor momento para o mercado de criptomoedas na Moldávia pode ainda estar por vir.

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