Mineração móvel de criptomoedas: realidade e mitos para 2025

Porque a mineração de Bitcoin no telemóvel atrai milhões

Quando se fala em ativos digitais, a primeira coisa que vem à cabeça são equipamentos complexos e pilhas de dinheiro. Mas com o surgimento de aplicações móveis para mineração, tudo mudou. Agora, qualquer pessoa pode tentar minerar criptomoedas diretamente do seu smartphone, sem comprar farms de GPUs ou caros ASICs.

A essência é simples: instala uma aplicação, ela usa o poder de processamento do CPU do teu telemóvel para resolver tarefas criptográficas, e tu recebes recompensas em moedas. Sem investimentos de capital. Sem conhecimentos especiais. Apenas o desejo de experimentar.

Nos últimos dois anos, a popularidade desta forma de mineração disparou graças a vários fatores. Em primeiro lugar, em países em desenvolvimento, surgiram massivamente smartphones acessíveis com desempenho razoável. Em segundo lugar, surgiu uma série de novos projetos — Pi Network, Bee Network, Electroneum — com barreiras de entrada muito baixas. Em terceiro lugar, a onda de interesse pelo Web3 e descentralização impulsionou milhares de pessoas para lá.

Para iniciantes, parecia uma salvação: ganhar Bitcoin ou outra criptomoeda sem investimentos, apenas ativando o app. Para os céticos, era o clássico “bom demais para ser verdade”.

Como funciona a mineração no smartphone

Tecnicamente, a mineração de Bitcoin no telemóvel difere da tradicional apenas em escala e desempenho. O smartphone realiza a mesma tarefa: resolve equações matemáticas necessárias para confirmar transações na blockchain. Cada bloco resolvido é uma recompensa.

Existem duas abordagens:

Mineração real (local) — o processador realmente trabalha. Aplicações como MinerGate conectam-se a um pool de mineradores e usam o CPU do telefone para minerar Monero, Bytecoin ou AEON. O teu dispositivo compete com milhões de outros, e o rendimento é distribuído proporcionalmente à contribuição.

Pseudo-mineração (em nuvem) — aqui, não há cálculos reais. É mais parecido com uma loteria. Clicas num botão na aplicação, e ela recebe uma recompensa por “atividade”. Pi Network, Bee Network e muitos outros funcionam assim.

Em ambos os casos, os ganhos são enviados para carteiras de criptomoedas como Trust Wallet ou MetaMask.

Que dano a mineração causa ao teu telemóvel

Enquanto mineras Bitcoin ou moedas mais simples, o teu smartphone passa por um verdadeiro stress.

Temperatura. O CPU liga ao máximo e começa a aquecer sob carga. A maioria dos smartphones modernos esfria passivamente — sem ventoinhas. Em clima quente ou com capa, a temperatura pode subir a níveis críticos. O sistema pode automaticamente reduzir o desempenho ou até desligar o telefone para proteger o hardware.

Bateria. O consumo de energia aumenta exponencialmente. A bateria começa a degradar-se rapidamente — entre 15-30% em alguns meses de mineração ativa. O ciclo de carga e descarga é implacável.

Desempenho geral. Quando o CPU está ocupado na mineração, tudo o resto fica mais lento. Mensagens chegam mais devagar, apps travam, a interface fica “pegajosa”. Isso é especialmente perceptível em modelos mais baratos.

Desgaste a longo prazo. A placa-mãe, os microchips de alimentação, até a tela (se ela estiver constantemente ligada), desgastam-se mais rápido. Modelos antigos ou baratos sofrem mais.

Particularmente perigosos são apps que incluem mineração oculta em background — o teu telefone vira um “zumbi”, funcionando continuamente até o hardware falhar.

Quais criptomoedas realmente podem ser mineradas no telemóvel

Nem todas as moedas são adequadas para dispositivos móveis. Aqui estão as que realmente são possíveis:

Monero (XMR) — um dos poucos casos em que a mineração móvel faz algum sentido. O algoritmo RandomX é otimizado para CPU, então até o telefone pode contribuir.

Electroneum (ETN) — criado especificamente pensando na mineração móvel. Foi a primeira moeda com “mineração simulada” em smartphones.

Pi Network (PI) — o projeto “de mineração” mais popular, com mais de 50 milhões de utilizadores. Quase não há cálculos reais, mas há benefícios por atividade na rede.

Bee Network — similar ao Pi, mas com modelo de rede social e possibilidade de convidar amigos.

TON — a criptomoeda do Telegram não é minerada diretamente, mas os utilizadores podem participar via staking ou operando nós.

Verus Coin, DuinoCoin — projetos menos conhecidos com comunidades ativas de CPU.

Grandes nomes como Bitcoin ou Ethereum não são possíveis de minerar no telemóvel — a dificuldade é altíssima.

Melhores aplicações móveis para ganhar dinheiro

MinerGate Mobile Miner — suporta mineração real de Monero e outros algoritmos. Requer um telefone potente, mas o rendimento é pelo menos honesto (ainda que pequeno).

CryptoTab Browser — navegador com função embutida de “mineração” pelo navegador. Na prática, são recompensas por atividade, não mineração real de Bitcoin.

Pi Network — mais de 50 milhões de downloads. Sistema simples: clicar diariamente, participar na ecossistema. Os tokens ainda não são negociados abertamente, mas os desenvolvedores preparam listagem em grandes exchanges.

Bee Network — concorrente do Pi, com modelo semelhante, focado na criação de “equipa” e atração de novos utilizadores.

StormGain Cloud Miner — em vez de usar o poder do telefone, oferece alugar servidores remotos para cálculos. Clicas uma vez a cada 4 horas e recebes BTC sem sobrecarregar o dispositivo.

Cada app difere na honestidade, transparência dos pagamentos e limite mínimo de levantamento (de $1 até $10 ou acima).

Quanto realmente se pode ganhar

Prepare-se para números modestos. Em média, o utilizador recebe $0.01–$0.30 por dia, dependendo do app, do modelo do telefone e do tempo de uso.

Exemplo: dono de Galaxy S22 Ultra, minerando Monero via MinerGate, receberá cerca de 0.0004 XMR por dia. Com a cotação atual, isso equivale a cerca de $0.08 por dia. Em um mês — $2.40. Em um ano — aproximadamente $30. Menos o desgaste da bateria (a substituição pode custar $50-200) e eletricidade.

Projetos como Pi e Bee não têm valor de mercado, pois seus tokens não são negociados. Mas, se algum dia forem listados e atingirem uma avaliação de $1–$10, os “cliques” diários podem virar um investimento do futuro. É mais uma loteria do que uma renda.

Principais ameaças e como evitá-las

Fraudes. Dezena de apps falsos prometem ganhos rápidos, mas nunca pagam. Alguns funcionam como pirâmides financeiras, onde os utilizadores pagam por acesso VIP ou “aceleradores”, que na verdade não aceleram nada.

Proteção de dados. Apps maliciosos coletam informações pessoais, incluem mineração oculta em background ou infectam o telefone com vírus.

Problemas técnicos. Apps podem congelar saídas, impor longas esperas ou cobrar altas comissões ao tentar retirar ganhos.

Como não cair na armadilha

Instale apps somente de lojas oficiais — Google Play ou App Store. Lá há alguma filtragem contra malware.

Verifique avaliações e comentários. Se o app tem baixa classificação e centenas de reclamações por não pagar ou contas congeladas, é um sinal vermelho. Se promete dezenas de dólares por dia sem investimentos, mas esconde mecanismos de pagamento, melhor evitar.

Não compre funções premium sem certeza. Promessas de alta rentabilidade para VIPs raramente fazem sentido.

Autenticação de dois fatores em todas as carteiras e exchanges — obrigatória. Protege mesmo se a senha for roubada.

Antivírus e VPN também ajudam, especialmente em redes Wi-Fi públicas.

O mais importante é usar o bom senso. Se algo parece bom demais, provavelmente é.

Vale a pena fazer mineração móvel em 2025

Para iniciantes — talvez. É uma forma de conhecer o ecossistema cripto sem investimentos, experimentar, entender como tudo funciona. Os riscos são mínimos se você não pagar por funções “premium”.

Para experientes — não faz sentido. Os ganhos são ridículos, os riscos reais, e o tempo é melhor investido em algo mais útil.

Conselhos práticos:

  • escolha apenas apps confiáveis com boa reputação;
  • não use o smartphone principal, pegue um antigo ou reserva;
  • comece com projetos que não exigem investimentos;
  • verifique regularmente avaliações e notícias oficiais dos desenvolvedores;
  • lembre-se: minerar Bitcoin no telemóvel não é fonte de renda, é entretenimento.

Se quer experimentar mineração móvel, faça com olhos abertos. É mais uma experiência do que um lucro. Mas às vezes, a melhor forma de entender o cripto é tentar por si mesmo.

Perguntas frequentes

É realmente possível ganhar com mineração no telemóvel?

Tecnicamente sim, mas na prática, trocados. De alguns cêntimos a poucos dólares por mês, no melhor dos casos. Mais para conhecer o mundo cripto do que uma fonte estável de renda.

Qual o melhor telefone para mineração?

Flagships com Snapdragon 8 Gen 2 ou Apple A17 Pro oferecem melhor desempenho. Mas mesmo assim, rendem trocados por dia. Um telefone antigo é ideal para experimentar, sem arriscar o aparelho principal.

Qual aplicação é mais confiável?

MinerGate, CryptoTab, StormGain Cloud Miner, Pi Network e Bee Network são considerados mais testados. Mas nenhuma garante alta rentabilidade. Leia avaliações, veja condições de saque, verifique a reputação do desenvolvedor.

É perigoso instalar esses apps?

Depende da fonte. Se baixar da Google Play ou App Store, é relativamente seguro. Se procurar APKs em fóruns desconhecidos, corre risco de vírus. Alguns apps realmente roubam dados ou incluem mineração oculta.

Posso retirar a criptomoeda que ganhei?

Sim, mas depende da plataforma. A maioria permite saque para carteira após atingir o mínimo (normalmente $1–$10). O Pi Network ainda não tem sistema completo de saque, pois o projeto ainda não foi totalmente lançado.

Minar no telefone mata o aparelho?

A carga contínua no CPU causa superaquecimento, desgaste acelerado da bateria e degradação dos componentes. A bateria pode perder 30-50% de capacidade mais rápido. Portanto, use um aparelho antigo se decidir experimentar.

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