De acordo com informações da plataforma P2P Foundation, o nascimento de Satoshi Nakamoto ocorreu em 5 de abril de 1975, o que significa que, em teoria, ele completará 50 anos em 2025. No entanto, especialistas da comunidade de criptografia geralmente acreditam que essa data não foi escolhida ao acaso, mas contém um significado profundo.
5 de abril corresponde ao Decreto Executivo nº 6102 assinado pelo presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, em 1933 — uma lei que proibiu os cidadãos americanos de possuírem ouro. O ano de 1975, por sua vez, indica o momento em que a restrição ao ouro foi suspensa, permitindo aos americanos retomarem a posse de ouro. Essa data de aniversário cuidadosamente escolhida revela uma inclinação libertária de Nakamoto, sugerindo que o Bitcoin é uma alternativa digital ao ouro moderno, uma forma de armazenar valor que escapa ao controle governamental.
Análises linguísticas e estudos de estilo técnico indicam que a idade real de Nakamoto pode estar bem além dos 50 anos. O uso habitual de espaços duplos no texto — prática comum de máquinas de escrever antes da era da internet — sugere que ele aprendeu a digitar antes da popularização dos computadores pessoais. Seu estilo de codificação, adotando a nomenclatura húngara (promovida pela Microsoft no final dos anos 1980) e as convenções de definição de classes em maiúsculas do C (padrão da metade dos anos 1990), aponta para um desenvolvedor com décadas de experiência em programação. Discussões em fóruns antigos sobre o evento de acumulação de prata pelos irmãos Hunt em 1980 também sugerem que Nakamoto foi uma testemunha dessa história. Com base nesses indícios, pesquisadores estimam que ele possa estar próximo dos 60 anos.
As hipóteses sobre sua identidade por trás de um pseudônimo
Nakamoto apareceu pela primeira vez em 31 de outubro de 2008, ao publicar o white paper intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” em uma lista de discussão de criptografia. Este documento de apenas 9 páginas propôs um sistema de moeda eletrônica sem controle central, resolvendo fundamentalmente o problema do “gasto duplo” — uma vulnerabilidade que permitia a uma mesma moeda digital ser gasta duas vezes.
Embora Nakamoto afirmasse ser um homem japonês de 37 anos, seu domínio do inglês e seu estilo de expressão (uso de ortografia britânica em palavras como “colour” e “optimise”) indicam fortemente que ele não é japonês. Seus horários de atividade também mostram que raramente esteve online entre as 5h e as 11h de Greenwich, sugerindo que provavelmente reside nos EUA ou no Reino Unido.
De dezembro de 2008 a dezembro de 2010, Nakamoto participou ativamente do desenvolvimento do Bitcoin, publicando mais de 500 mensagens em fóruns e escrevendo milhares de linhas de código. Sua última comunicação pública ocorreu em abril de 2011, quando enviou um e-mail ao desenvolvedor principal do Bitcoin, Gavin Andresen, dizendo: “Lamento que você ainda me veja como uma figura misteriosa, uma sombra. A mídia só vai retratar isso como uma moeda de piratas.” Depois disso, ele transferiu completamente o controle do repositório do código-fonte do Bitcoin para Andresen, desaparecendo da internet.
O nome “Nakamoto” pode ser uma senha. Pesquisadores sugerem que ele pode derivar de uma combinação de nomes de quatro empresas de tecnologia: Samsung, Toshiba, Nakamichi e Motorola. Outra teoria é que, em japonês, o nome significa algo como “inteligência central”, o que alimenta teorias conspiratórias de envolvimento governamental na criação do Bitcoin.
White paper: uma redefinição do sistema financeiro
A maior contribuição de Nakamoto foi a publicação do white paper. O documento descreve um mecanismo de transmissão de dinheiro eletrônico ponto a ponto, eliminando a necessidade de intermediários financeiros. Sua inovação central foi a introdução do conceito de blockchain — um livro-razão público, distribuído, que registra todas as transações em ordem cronológica e é imutável.
Em 3 de janeiro de 2009, Nakamoto criou o primeiro bloco da blockchain do Bitcoin, conhecido como bloco gênese. A mensagem embutida nesse bloco foi: “The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks” — uma citação do jornal britânico The Times daquele dia. Essa marca temporal não só confirma o momento de criação do bloco gênese, mas também revela a motivação de Nakamoto: criar uma alternativa ao sistema bancário tradicional, que enfrentava uma crise naquele período.
O verdadeiro avanço do Bitcoin foi resolver de forma definitiva o problema do gasto duplo, que afligia as gerações anteriores de moedas digitais. Por meio do mecanismo de prova de trabalho e de uma rede de validação distribuída (mineradores), o Bitcoin conseguiu pela primeira vez estabelecer uma escassez digital, garantindo que uma mesma moeda não pudesse ser gasta duas vezes. Isso representou uma grande conquista na história da criptografia.
Após o lançamento do Bitcoin v0.1, Nakamoto continuou aprimorando o software, colaborando estreitamente com contribuintes iniciais como Hal Finney e Gavin Andresen. Até meados de 2010, ele começou a transferir gradualmente suas responsabilidades para outros desenvolvedores. Quando desapareceu em 2011, toda a infraestrutura básica do Bitcoin já estava estabelecida, e esses projetos continuam sendo o núcleo do funcionamento da moeda até hoje.
Uma fortuna invisível de bilhões de dólares
Análises de dados da blockchain indicam que Nakamoto minerou entre 750 mil e 1,1 milhão de bitcoins nos primeiros anos após o lançamento. Com o valor de aproximadamente 85.000 dólares por bitcoin em abril de 2025, essa fortuna valeria entre 63,8 bilhões e 93,5 bilhões de dólares, tornando Nakamoto um dos maiores bilionários do mundo.
Mais surpreendente ainda é que esses bitcoins nunca foram movimentados desde sua mineração inicial. As moedas controladas pelo endereço de Nakamoto permanecem na mesma carteira original, apesar de seu valor ter crescido milhões de vezes. O endereço do bloco gênese contém 50 bitcoins que nunca puderam ser gastos, mas ao longo dos anos recebeu doações de fãs, acumulando atualmente mais de 100 bitcoins.
Pesquisadores que rastreiam os padrões de mineração iniciais — conhecidos como “padrão Nakamoto” — conseguem identificar quais blocos foram minerados por ele. Essa análise confirma sua escala de mineração e revela que ele foi reduzindo gradualmente sua atividade, deixando espaço para outros mineradores — uma postura de moderação evidente.
Por que essa fortuna astronômica nunca foi movimentada? Diversas teorias existem: alguns acreditam que Nakamoto morreu ou perdeu a chave privada; outros especulam que, por motivos filosóficos, deixou essa riqueza como um presente para a comunidade do Bitcoin; há ainda quem diga que ele não se atreve a mover esses fundos, pois qualquer transação de grande valor poderia expô-lo, seja por meio de exchanges com procedimentos KYC ou por provas na blockchain.
Em 2019, surgiu uma teoria controversa de que Nakamoto estaria transferindo estrategicamente seus bitcoins antigos desde então. No entanto, a maioria dos analistas de blockchain rejeitou essa hipótese, apontando que esses movimentos não correspondem aos endereços de mineração conhecidos de Nakamoto, sendo mais provável que pertençam a usuários iniciais do moeda.
Diversas hipóteses sobre candidatos à sua identidade
Apesar de anos de investigação por jornalistas, pesquisadores e pela comunidade de criptografia, a verdadeira identidade de Nakamoto permanece desconhecida. No entanto, algumas figuras principais são suspeitas:
Hal Finney (1956-2014) foi um criptógrafo e participante ativo na fase inicial do Bitcoin, tendo recebido a primeira transação de Nakamoto. Como um dos pioneiros do movimento cypherpunk, Finney possuía o conhecimento criptográfico necessário para criar o sistema. Morador de Tempe, Arizona, perto de Dorian Nakamoto, análises de caligrafia indicam semelhanças na escrita. Contudo, Finney morreu de esclerose lateral amiotrófica (ELA) antes de poder afirmar sua autoria.
Nick Szabo é um cientista da computação que concebeu, em 1998, o “Bit Gold” — antecessor do Bitcoin. Análises linguísticas revelam que seu estilo de escrita é surpreendentemente semelhante ao de Nakamoto. Sua profunda compreensão de teoria monetária, criptografia e contratos inteligentes também condiz com o projeto. Ele nega ser Nakamoto, dizendo: “Acho que vocês estão enganados, me confundindo com Nakamoto, mas já estou acostumado.”
Adam Back criou o Hashcash — sistema de prova de trabalho mencionado no white paper. Como um dos primeiros a trabalhar com Nakamoto na criação do Bitcoin, possui o conhecimento técnico necessário. Algumas semelhanças no estilo de código e no uso do inglês britânico reforçam essa hipótese. Back também nega, embora Charles Hoskinson, fundador da Cardano, considere-o um dos principais suspeitos.
Dorian Nakamoto é um engenheiro americano de origem japonesa. Em 2014, a revista Newsweek erroneamente o apontou como criador do Bitcoin. Sua resposta, aparentemente, admitiu a associação: “Não tenho mais relação com isso, não posso discutir.” Posteriormente, ele esclareceu que interpretou mal a pergunta, pensando que se referiam ao seu trabalho secreto em uma contratante militar. Pouco tempo depois, uma conta inativa de Nakamoto na plataforma P2P Foundation publicou: “Não sou Dorian Nakamoto.”
Craig Wright é um cientista da computação australiano que afirma ser Nakamoto e registrou direitos autorais do white paper nos EUA. Sua alegação, porém, foi amplamente desacreditada. Em março de 2024, o juiz do Tribunal Superior do Reino Unido, James Merlino, declarou: “Dr. Wright não é o autor do white paper do Bitcoin nem uma pessoa que atua sob o nome de Nakamoto.” O tribunal concluiu que os documentos apresentados por Wright eram falsificados.
Outros possíveis candidatos incluem o criptógrafo Lenn Sasaman (cujo memorial foi codificado na blockchain do Bitcoin após sua morte em 2011), Paul Le Roux (um criminoso e ex-chefe de cartel de drogas), e recentemente Peter Todd — um dos desenvolvedores iniciais do Bitcoin, apontado em um documentário da HBO de 2024 como possível criador.
A HBO, em seu documentário “Money Electric” de 2024, investigou a identidade de Nakamoto, incluindo Peter Todd, devido a registros de conversas e características do inglês canadense. Todd, porém, rejeitou a hipótese, chamando-a de “absurda” e “uma luta desesperada”.
Há também teorias de que Nakamoto não seja uma pessoa única, mas uma equipe composta por várias das figuras acima.
O significado profundo do design anônimo
O mistério de Nakamoto não é apenas uma questão policial; é fundamental para a essência descentralizadora do Bitcoin. Ao permanecer anônimo, Nakamoto garantiu que o Bitcoin nunca tenha um centro de poder ou líder espiritual único, evitando que ações ou declarações de uma pessoa influenciem excessivamente o desenvolvimento da rede.
Se Nakamoto permanecesse ativo na esfera pública, ele se tornaria um ponto de vulnerabilidade. Governos poderiam pressioná-lo ou prendê-lo; concorrentes poderiam tentar suborná-lo ou coagi-lo; qualquer declaração sua poderia causar oscilações de mercado ou divisões controversas.
Seu desaparecimento também protege sua segurança pessoal. Com bilhões de dólares em bitcoins, a exposição de sua identidade poderia levá-lo a extorsões, sequestros ou ameaças mais graves. O anonimato permite que ele viva em segurança, enquanto sua criação continua a evoluir de forma independente.
Muitos acreditam que o desaparecimento de Nakamoto foi intencional, com o objetivo de evitar que o projeto se torne excessivamente centralizado em torno do criador. Ao sair de cena, ele transformou o Bitcoin em uma criação da comunidade, sem que qualquer indivíduo detenha controle absoluto sobre seu futuro. Essa postura está alinhada com os princípios do movimento cypherpunk e sua defesa de sistemas descentralizados.
Mais profundamente, o anonimato de Nakamoto reflete a ética central do Bitcoin: a confiança na matemática e no código, e não em pessoas ou instituições. Em um sistema que busca eliminar a necessidade de confiar em terceiros, um criador anônimo exemplifica essa filosofia — os usuários do Bitcoin não precisam confiar em ninguém, nem mesmo no seu inventor.
Ao longo dos anos, debates sobre a revelação da identidade de Nakamoto continuam. Alguns argumentam que essa divulgação poderia prejudicar o espírito de descentralização; outros, que é uma questão de tempo até que sua identidade seja confirmada. Em outubro de 2023, circularam rumores de que haveria planos para revelar sua identidade em 31 de outubro de 2024, aniversário de 16 anos do white paper, mas a maioria dos especialistas rejeitou essas alegações como infundadas.
Da literatura à cultura popular
À medida que se aproxima o aniversário do Bitcoin, a influência de Nakamoto ultrapassa o universo das criptomoedas. Quando o Bitcoin atingir, em 2025, uma máxima histórica de aproximadamente 109.000 dólares, a sua suposta fortuna de ativos teóricos ultrapassou 1,2 trilhão de dólares, colocando Nakamoto entre os maiores bilionários do mundo — embora ele nunca tenha gasto uma única fração dessa riqueza.
Nakamoto já foi homenageado com monumentos físicos. Em 2021, uma escultura de bronze de meia altura foi erguida em Budapeste, na Hungria, com uma face refletiva que permite ao observador ver seu próprio reflexo — simbolizando a ideia de “todos somos Nakamoto”. Outra estátua foi instalada em Lugano, na Suíça, que já aceita Bitcoin para pagamentos municipais.
Em março de 2025, o Bitcoin passou por uma mudança de paradigma. O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva criando um estoque estratégico de Bitcoin e um fundo de ativos digitais. Essa iniciativa marca o primeiro passo oficial do país para integrar o Bitcoin ao sistema financeiro nacional. Essa evolução surpreende os entusiastas iniciais, que viam o Bitcoin como uma tecnologia marginal; agora, ela se torna uma reserva de valor de nível estatal.
As declarações de Nakamoto também evoluíram para se tornarem princípios orientadores da comunidade de criptografia. Frases como “O problema fundamental das moedas tradicionais é a confiança necessária para mantê-las em funcionamento” e “Se você não confia em mim ou não me entende, não tenho tempo para convencê-lo, desculpe” são frequentemente citadas para explicar a missão e a filosofia do Bitcoin.
A influência de Nakamoto também se estende à cultura popular. Diversas marcas de roupas lançaram produtos com seu nome, incluindo camisetas com sua imagem, muito populares entre entusiastas de criptografia. Em 2022, a marca de streetwear Vans lançou uma linha limitada de tênis com o tema Nakamoto, consolidando sua figura como ícone cultural.
O criador do Bitcoin transcendeu o universo das criptomoedas, tornando-se símbolo de uma revolução digital e de uma cultura contracultural.
Fora do Bitcoin, a inovação de Nakamoto na blockchain impulsionou toda uma indústria de tecnologias descentralizadas — de plataformas de contratos inteligentes como Ethereum a aplicações de finanças descentralizadas que desafiam o sistema bancário tradicional. Diversos bancos centrais ao redor do mundo estão desenvolvendo suas próprias moedas digitais baseadas em blockchain, embora essas versões centralizadas estejam longe do ideal de descentralização defendido por Nakamoto.
Com cerca de 500 milhões de usuários globais de criptomoedas em 2025, o desaparecimento de Nakamoto, há mais de 16 anos, tornou-se parte da lenda do Bitcoin — um criador que deu ao mundo uma tecnologia revolucionária e desapareceu, deixando a evolução acontecer de forma autônoma, sem controle central.
Resumo
Quando Nakamoto completar 50 anos simbolicamente, seu mistério de identidade ainda permanecerá sem solução, mas seu legado continuará crescendo através do sucesso contínuo do Bitcoin. Seja uma pessoa ou uma equipe, sua criação desencadeou uma revolução financeira, oferecendo uma alternativa verdadeiramente descentralizada. Hoje, inúmeras plataformas de troca respeitam essa visão, fornecendo canais seguros e eficientes para transações de Bitcoin.
Ao olharmos para o futuro, a decisão de Nakamoto de se retirar parece especialmente sábia. Um sistema verdadeiramente descentralizado não deve depender da participação ou reconhecimento contínuo de qualquer criador. O sucesso do Bitcoin reside nesse design — ele vive no código, não em uma pessoa.
Perguntas frequentes
Quando foi publicado o white paper do Bitcoin?
Nakamoto publicou o white paper intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” em 31 de outubro de 2008, através de uma lista de discussão de criptografia no metzdowd.com.
Qual o valor estimado dos ativos de Nakamoto em 2025?
Com a posse de aproximadamente 750 mil a 1,1 milhão de bitcoins, e considerando o preço de cerca de 85.000 dólares por bitcoin em abril de 2025, o patrimônio de Nakamoto estaria entre 63,8 bilhões e 93,5 bilhões de dólares.
Nakamoto ainda está vivo?
Não há confirmação. Sua última comunicação conhecida foi em abril de 2011. Desde então, ele não utilizou contas conhecidas ou movimentou bitcoins.
Quantos bitcoins Nakamoto possui?
Análises da blockchain indicam que Nakamoto controla entre 750 mil e 1,1 milhão de bitcoins, obtidos na primeira fase de mineração após o lançamento. Essas moedas nunca foram transferidas.
Por que Nakamoto optou por permanecer anônimo?
Diversas razões: proteger sua segurança pessoal (considerando a enorme riqueza); evitar centralização excessiva do poder; fugir de regulações; garantir que o projeto seja avaliado por sua tecnologia, e não por sua pessoa.
Qual o significado do aniversário de Nakamoto?
A data de 5 de abril de 1975, na sua biografia, remete a dois momentos históricos importantes: em 5 de abril de 1933, Roosevelt assinou a lei de proibição do ouro nos EUA; em 1975, a restrição ao ouro foi suspensa. Essa data simboliza o Bitcoin como uma forma de ouro digital que escapa ao controle estatal.
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Satoshi Nakamoto completa 50 anos em 2025: O mistério da identidade do pai do Bitcoin e a riqueza invisível
Um segredo por trás de um aniversário simbólico
De acordo com informações da plataforma P2P Foundation, o nascimento de Satoshi Nakamoto ocorreu em 5 de abril de 1975, o que significa que, em teoria, ele completará 50 anos em 2025. No entanto, especialistas da comunidade de criptografia geralmente acreditam que essa data não foi escolhida ao acaso, mas contém um significado profundo.
5 de abril corresponde ao Decreto Executivo nº 6102 assinado pelo presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, em 1933 — uma lei que proibiu os cidadãos americanos de possuírem ouro. O ano de 1975, por sua vez, indica o momento em que a restrição ao ouro foi suspensa, permitindo aos americanos retomarem a posse de ouro. Essa data de aniversário cuidadosamente escolhida revela uma inclinação libertária de Nakamoto, sugerindo que o Bitcoin é uma alternativa digital ao ouro moderno, uma forma de armazenar valor que escapa ao controle governamental.
Análises linguísticas e estudos de estilo técnico indicam que a idade real de Nakamoto pode estar bem além dos 50 anos. O uso habitual de espaços duplos no texto — prática comum de máquinas de escrever antes da era da internet — sugere que ele aprendeu a digitar antes da popularização dos computadores pessoais. Seu estilo de codificação, adotando a nomenclatura húngara (promovida pela Microsoft no final dos anos 1980) e as convenções de definição de classes em maiúsculas do C (padrão da metade dos anos 1990), aponta para um desenvolvedor com décadas de experiência em programação. Discussões em fóruns antigos sobre o evento de acumulação de prata pelos irmãos Hunt em 1980 também sugerem que Nakamoto foi uma testemunha dessa história. Com base nesses indícios, pesquisadores estimam que ele possa estar próximo dos 60 anos.
As hipóteses sobre sua identidade por trás de um pseudônimo
Nakamoto apareceu pela primeira vez em 31 de outubro de 2008, ao publicar o white paper intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” em uma lista de discussão de criptografia. Este documento de apenas 9 páginas propôs um sistema de moeda eletrônica sem controle central, resolvendo fundamentalmente o problema do “gasto duplo” — uma vulnerabilidade que permitia a uma mesma moeda digital ser gasta duas vezes.
Embora Nakamoto afirmasse ser um homem japonês de 37 anos, seu domínio do inglês e seu estilo de expressão (uso de ortografia britânica em palavras como “colour” e “optimise”) indicam fortemente que ele não é japonês. Seus horários de atividade também mostram que raramente esteve online entre as 5h e as 11h de Greenwich, sugerindo que provavelmente reside nos EUA ou no Reino Unido.
De dezembro de 2008 a dezembro de 2010, Nakamoto participou ativamente do desenvolvimento do Bitcoin, publicando mais de 500 mensagens em fóruns e escrevendo milhares de linhas de código. Sua última comunicação pública ocorreu em abril de 2011, quando enviou um e-mail ao desenvolvedor principal do Bitcoin, Gavin Andresen, dizendo: “Lamento que você ainda me veja como uma figura misteriosa, uma sombra. A mídia só vai retratar isso como uma moeda de piratas.” Depois disso, ele transferiu completamente o controle do repositório do código-fonte do Bitcoin para Andresen, desaparecendo da internet.
O nome “Nakamoto” pode ser uma senha. Pesquisadores sugerem que ele pode derivar de uma combinação de nomes de quatro empresas de tecnologia: Samsung, Toshiba, Nakamichi e Motorola. Outra teoria é que, em japonês, o nome significa algo como “inteligência central”, o que alimenta teorias conspiratórias de envolvimento governamental na criação do Bitcoin.
White paper: uma redefinição do sistema financeiro
A maior contribuição de Nakamoto foi a publicação do white paper. O documento descreve um mecanismo de transmissão de dinheiro eletrônico ponto a ponto, eliminando a necessidade de intermediários financeiros. Sua inovação central foi a introdução do conceito de blockchain — um livro-razão público, distribuído, que registra todas as transações em ordem cronológica e é imutável.
Em 3 de janeiro de 2009, Nakamoto criou o primeiro bloco da blockchain do Bitcoin, conhecido como bloco gênese. A mensagem embutida nesse bloco foi: “The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks” — uma citação do jornal britânico The Times daquele dia. Essa marca temporal não só confirma o momento de criação do bloco gênese, mas também revela a motivação de Nakamoto: criar uma alternativa ao sistema bancário tradicional, que enfrentava uma crise naquele período.
O verdadeiro avanço do Bitcoin foi resolver de forma definitiva o problema do gasto duplo, que afligia as gerações anteriores de moedas digitais. Por meio do mecanismo de prova de trabalho e de uma rede de validação distribuída (mineradores), o Bitcoin conseguiu pela primeira vez estabelecer uma escassez digital, garantindo que uma mesma moeda não pudesse ser gasta duas vezes. Isso representou uma grande conquista na história da criptografia.
Após o lançamento do Bitcoin v0.1, Nakamoto continuou aprimorando o software, colaborando estreitamente com contribuintes iniciais como Hal Finney e Gavin Andresen. Até meados de 2010, ele começou a transferir gradualmente suas responsabilidades para outros desenvolvedores. Quando desapareceu em 2011, toda a infraestrutura básica do Bitcoin já estava estabelecida, e esses projetos continuam sendo o núcleo do funcionamento da moeda até hoje.
Uma fortuna invisível de bilhões de dólares
Análises de dados da blockchain indicam que Nakamoto minerou entre 750 mil e 1,1 milhão de bitcoins nos primeiros anos após o lançamento. Com o valor de aproximadamente 85.000 dólares por bitcoin em abril de 2025, essa fortuna valeria entre 63,8 bilhões e 93,5 bilhões de dólares, tornando Nakamoto um dos maiores bilionários do mundo.
Mais surpreendente ainda é que esses bitcoins nunca foram movimentados desde sua mineração inicial. As moedas controladas pelo endereço de Nakamoto permanecem na mesma carteira original, apesar de seu valor ter crescido milhões de vezes. O endereço do bloco gênese contém 50 bitcoins que nunca puderam ser gastos, mas ao longo dos anos recebeu doações de fãs, acumulando atualmente mais de 100 bitcoins.
Pesquisadores que rastreiam os padrões de mineração iniciais — conhecidos como “padrão Nakamoto” — conseguem identificar quais blocos foram minerados por ele. Essa análise confirma sua escala de mineração e revela que ele foi reduzindo gradualmente sua atividade, deixando espaço para outros mineradores — uma postura de moderação evidente.
Por que essa fortuna astronômica nunca foi movimentada? Diversas teorias existem: alguns acreditam que Nakamoto morreu ou perdeu a chave privada; outros especulam que, por motivos filosóficos, deixou essa riqueza como um presente para a comunidade do Bitcoin; há ainda quem diga que ele não se atreve a mover esses fundos, pois qualquer transação de grande valor poderia expô-lo, seja por meio de exchanges com procedimentos KYC ou por provas na blockchain.
Em 2019, surgiu uma teoria controversa de que Nakamoto estaria transferindo estrategicamente seus bitcoins antigos desde então. No entanto, a maioria dos analistas de blockchain rejeitou essa hipótese, apontando que esses movimentos não correspondem aos endereços de mineração conhecidos de Nakamoto, sendo mais provável que pertençam a usuários iniciais do moeda.
Diversas hipóteses sobre candidatos à sua identidade
Apesar de anos de investigação por jornalistas, pesquisadores e pela comunidade de criptografia, a verdadeira identidade de Nakamoto permanece desconhecida. No entanto, algumas figuras principais são suspeitas:
Hal Finney (1956-2014) foi um criptógrafo e participante ativo na fase inicial do Bitcoin, tendo recebido a primeira transação de Nakamoto. Como um dos pioneiros do movimento cypherpunk, Finney possuía o conhecimento criptográfico necessário para criar o sistema. Morador de Tempe, Arizona, perto de Dorian Nakamoto, análises de caligrafia indicam semelhanças na escrita. Contudo, Finney morreu de esclerose lateral amiotrófica (ELA) antes de poder afirmar sua autoria.
Nick Szabo é um cientista da computação que concebeu, em 1998, o “Bit Gold” — antecessor do Bitcoin. Análises linguísticas revelam que seu estilo de escrita é surpreendentemente semelhante ao de Nakamoto. Sua profunda compreensão de teoria monetária, criptografia e contratos inteligentes também condiz com o projeto. Ele nega ser Nakamoto, dizendo: “Acho que vocês estão enganados, me confundindo com Nakamoto, mas já estou acostumado.”
Adam Back criou o Hashcash — sistema de prova de trabalho mencionado no white paper. Como um dos primeiros a trabalhar com Nakamoto na criação do Bitcoin, possui o conhecimento técnico necessário. Algumas semelhanças no estilo de código e no uso do inglês britânico reforçam essa hipótese. Back também nega, embora Charles Hoskinson, fundador da Cardano, considere-o um dos principais suspeitos.
Dorian Nakamoto é um engenheiro americano de origem japonesa. Em 2014, a revista Newsweek erroneamente o apontou como criador do Bitcoin. Sua resposta, aparentemente, admitiu a associação: “Não tenho mais relação com isso, não posso discutir.” Posteriormente, ele esclareceu que interpretou mal a pergunta, pensando que se referiam ao seu trabalho secreto em uma contratante militar. Pouco tempo depois, uma conta inativa de Nakamoto na plataforma P2P Foundation publicou: “Não sou Dorian Nakamoto.”
Craig Wright é um cientista da computação australiano que afirma ser Nakamoto e registrou direitos autorais do white paper nos EUA. Sua alegação, porém, foi amplamente desacreditada. Em março de 2024, o juiz do Tribunal Superior do Reino Unido, James Merlino, declarou: “Dr. Wright não é o autor do white paper do Bitcoin nem uma pessoa que atua sob o nome de Nakamoto.” O tribunal concluiu que os documentos apresentados por Wright eram falsificados.
Outros possíveis candidatos incluem o criptógrafo Lenn Sasaman (cujo memorial foi codificado na blockchain do Bitcoin após sua morte em 2011), Paul Le Roux (um criminoso e ex-chefe de cartel de drogas), e recentemente Peter Todd — um dos desenvolvedores iniciais do Bitcoin, apontado em um documentário da HBO de 2024 como possível criador.
A HBO, em seu documentário “Money Electric” de 2024, investigou a identidade de Nakamoto, incluindo Peter Todd, devido a registros de conversas e características do inglês canadense. Todd, porém, rejeitou a hipótese, chamando-a de “absurda” e “uma luta desesperada”.
Há também teorias de que Nakamoto não seja uma pessoa única, mas uma equipe composta por várias das figuras acima.
O significado profundo do design anônimo
O mistério de Nakamoto não é apenas uma questão policial; é fundamental para a essência descentralizadora do Bitcoin. Ao permanecer anônimo, Nakamoto garantiu que o Bitcoin nunca tenha um centro de poder ou líder espiritual único, evitando que ações ou declarações de uma pessoa influenciem excessivamente o desenvolvimento da rede.
Se Nakamoto permanecesse ativo na esfera pública, ele se tornaria um ponto de vulnerabilidade. Governos poderiam pressioná-lo ou prendê-lo; concorrentes poderiam tentar suborná-lo ou coagi-lo; qualquer declaração sua poderia causar oscilações de mercado ou divisões controversas.
Seu desaparecimento também protege sua segurança pessoal. Com bilhões de dólares em bitcoins, a exposição de sua identidade poderia levá-lo a extorsões, sequestros ou ameaças mais graves. O anonimato permite que ele viva em segurança, enquanto sua criação continua a evoluir de forma independente.
Muitos acreditam que o desaparecimento de Nakamoto foi intencional, com o objetivo de evitar que o projeto se torne excessivamente centralizado em torno do criador. Ao sair de cena, ele transformou o Bitcoin em uma criação da comunidade, sem que qualquer indivíduo detenha controle absoluto sobre seu futuro. Essa postura está alinhada com os princípios do movimento cypherpunk e sua defesa de sistemas descentralizados.
Mais profundamente, o anonimato de Nakamoto reflete a ética central do Bitcoin: a confiança na matemática e no código, e não em pessoas ou instituições. Em um sistema que busca eliminar a necessidade de confiar em terceiros, um criador anônimo exemplifica essa filosofia — os usuários do Bitcoin não precisam confiar em ninguém, nem mesmo no seu inventor.
Ao longo dos anos, debates sobre a revelação da identidade de Nakamoto continuam. Alguns argumentam que essa divulgação poderia prejudicar o espírito de descentralização; outros, que é uma questão de tempo até que sua identidade seja confirmada. Em outubro de 2023, circularam rumores de que haveria planos para revelar sua identidade em 31 de outubro de 2024, aniversário de 16 anos do white paper, mas a maioria dos especialistas rejeitou essas alegações como infundadas.
Da literatura à cultura popular
À medida que se aproxima o aniversário do Bitcoin, a influência de Nakamoto ultrapassa o universo das criptomoedas. Quando o Bitcoin atingir, em 2025, uma máxima histórica de aproximadamente 109.000 dólares, a sua suposta fortuna de ativos teóricos ultrapassou 1,2 trilhão de dólares, colocando Nakamoto entre os maiores bilionários do mundo — embora ele nunca tenha gasto uma única fração dessa riqueza.
Nakamoto já foi homenageado com monumentos físicos. Em 2021, uma escultura de bronze de meia altura foi erguida em Budapeste, na Hungria, com uma face refletiva que permite ao observador ver seu próprio reflexo — simbolizando a ideia de “todos somos Nakamoto”. Outra estátua foi instalada em Lugano, na Suíça, que já aceita Bitcoin para pagamentos municipais.
Em março de 2025, o Bitcoin passou por uma mudança de paradigma. O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva criando um estoque estratégico de Bitcoin e um fundo de ativos digitais. Essa iniciativa marca o primeiro passo oficial do país para integrar o Bitcoin ao sistema financeiro nacional. Essa evolução surpreende os entusiastas iniciais, que viam o Bitcoin como uma tecnologia marginal; agora, ela se torna uma reserva de valor de nível estatal.
As declarações de Nakamoto também evoluíram para se tornarem princípios orientadores da comunidade de criptografia. Frases como “O problema fundamental das moedas tradicionais é a confiança necessária para mantê-las em funcionamento” e “Se você não confia em mim ou não me entende, não tenho tempo para convencê-lo, desculpe” são frequentemente citadas para explicar a missão e a filosofia do Bitcoin.
A influência de Nakamoto também se estende à cultura popular. Diversas marcas de roupas lançaram produtos com seu nome, incluindo camisetas com sua imagem, muito populares entre entusiastas de criptografia. Em 2022, a marca de streetwear Vans lançou uma linha limitada de tênis com o tema Nakamoto, consolidando sua figura como ícone cultural.
O criador do Bitcoin transcendeu o universo das criptomoedas, tornando-se símbolo de uma revolução digital e de uma cultura contracultural.
Fora do Bitcoin, a inovação de Nakamoto na blockchain impulsionou toda uma indústria de tecnologias descentralizadas — de plataformas de contratos inteligentes como Ethereum a aplicações de finanças descentralizadas que desafiam o sistema bancário tradicional. Diversos bancos centrais ao redor do mundo estão desenvolvendo suas próprias moedas digitais baseadas em blockchain, embora essas versões centralizadas estejam longe do ideal de descentralização defendido por Nakamoto.
Com cerca de 500 milhões de usuários globais de criptomoedas em 2025, o desaparecimento de Nakamoto, há mais de 16 anos, tornou-se parte da lenda do Bitcoin — um criador que deu ao mundo uma tecnologia revolucionária e desapareceu, deixando a evolução acontecer de forma autônoma, sem controle central.
Resumo
Quando Nakamoto completar 50 anos simbolicamente, seu mistério de identidade ainda permanecerá sem solução, mas seu legado continuará crescendo através do sucesso contínuo do Bitcoin. Seja uma pessoa ou uma equipe, sua criação desencadeou uma revolução financeira, oferecendo uma alternativa verdadeiramente descentralizada. Hoje, inúmeras plataformas de troca respeitam essa visão, fornecendo canais seguros e eficientes para transações de Bitcoin.
Ao olharmos para o futuro, a decisão de Nakamoto de se retirar parece especialmente sábia. Um sistema verdadeiramente descentralizado não deve depender da participação ou reconhecimento contínuo de qualquer criador. O sucesso do Bitcoin reside nesse design — ele vive no código, não em uma pessoa.
Perguntas frequentes
Quando foi publicado o white paper do Bitcoin?
Nakamoto publicou o white paper intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” em 31 de outubro de 2008, através de uma lista de discussão de criptografia no metzdowd.com.
Qual o valor estimado dos ativos de Nakamoto em 2025?
Com a posse de aproximadamente 750 mil a 1,1 milhão de bitcoins, e considerando o preço de cerca de 85.000 dólares por bitcoin em abril de 2025, o patrimônio de Nakamoto estaria entre 63,8 bilhões e 93,5 bilhões de dólares.
Nakamoto ainda está vivo?
Não há confirmação. Sua última comunicação conhecida foi em abril de 2011. Desde então, ele não utilizou contas conhecidas ou movimentou bitcoins.
Quantos bitcoins Nakamoto possui?
Análises da blockchain indicam que Nakamoto controla entre 750 mil e 1,1 milhão de bitcoins, obtidos na primeira fase de mineração após o lançamento. Essas moedas nunca foram transferidas.
Por que Nakamoto optou por permanecer anônimo?
Diversas razões: proteger sua segurança pessoal (considerando a enorme riqueza); evitar centralização excessiva do poder; fugir de regulações; garantir que o projeto seja avaliado por sua tecnologia, e não por sua pessoa.
Qual o significado do aniversário de Nakamoto?
A data de 5 de abril de 1975, na sua biografia, remete a dois momentos históricos importantes: em 5 de abril de 1933, Roosevelt assinou a lei de proibição do ouro nos EUA; em 1975, a restrição ao ouro foi suspensa. Essa data simboliza o Bitcoin como uma forma de ouro digital que escapa ao controle estatal.