Desde a proposta em novembro de 2025 para converter o Grayscale Zcash Trust num fundo negociado em bolsa (ETF), a comunidade de privacidade está dividida em dois campos. Por um lado, os proponentes veem nas ações do ETF um portal para capital institucional e liquidez melhorada. Por outro lado, os críticos alertam que tal passo pode prejudicar a descentralização e os valores fundamentais do Zcash (ZEC).
O que está em jogo: os números por trás da conversão
A formação de ações do ETF envolveria uma carteira de mais de 394.000 ZEC com um valor estimado de aproximadamente $197 milhão. O atual fundo Grayscale gere aproximadamente $205,7 milhões através de 4,83 milhões de ações em circulação com um rácio de custos de 2,5%.
No momento do pedido, o fundo era cotado significativamente abaixo do valor líquido patrimonial: enquanto o NAV por ação era de aproximadamente $42,59, o mercado pagava $35,05 por ação — um desconto de mais de 18%. Isto aponta para expectativas de entrada quando a estrutura do produto muda.
A posição atual de mercado do ZEC mostra uma realidade diferente. Com um preço atual de $427,03 e uma capitalização de mercado circulante de $7,04 mil milhões, Zcash tornou-se um projeto substancial. Neste momento, circulam 16,48 milhões de tokens ZEC, com um volume de negociação de 24 horas de $13,86 milhões e um aumento recente de 2,78%.
Por que a exposição institucional traz consigo vantagens e riscos
A atratividade das estruturas de ETF
Os fundos negociados em bolsa oferecem aos investidores uma forma de ganhar exposição ao ZEC sem armazenamento direto de tokens. Para os players institucionais, isto reduz a barreira; a regulação e custódia são padronizadas, e a exposição encaixa-se nos marcos de investimento existentes.
Além disso, as ações do ETF podem quebrar os constrangimentos de liquidez. Uma melhor profundidade de mercado e descoberta de preços mais rápida estimulam entradas de capital — vantagens que se provaram historicamente com outros produtos cripto.
A armadilha da concentração
Com aproximadamente 2,4% do ZEC em circulação no fundo Grayscale, a concentração institucional é já substancial. Uma conversão para ações do ETF pode aumentar ainda mais esta concentração, especialmente se a custódia for centralizada. Grandes quantidades de ZEC nas mãos de alguns custodiantes aumenta o risco sistémico e pode distorcer a dinâmica do mercado.
Obstáculos técnicos e relacionados com privacidade
Transações protegidas versus realidade operacional
Zcash distingue-se pela capacidade de transações protegidas baseadas em zk-SNARKs — um protocolo criptográfico que oferece características de privacidade. Na prática, porém, a maioria das atividades ocorre através de endereços transparentes, especialmente onde as exchanges aplicam políticas KYC.
As ações do ETF requerem que os ativos subjacentes estejam em custódia junto de partes reguladas. Isto pode significar que as transações correm através de carteiras não protegidas, que a comunicação de conformidade aos reguladores é obrigatória, e que as propriedades de privacidade ficam na prática limitadas.
O dilema entre conformidade e valores fundamentais
As moedas de privacidade são concebidas com a confidencialidade como princípio fundamental. A institucionalização através de ações do ETF traz consigo requisitos de conformidade que vão diretamente contra esse princípio. Os reguladores, como a SEC, exercem triagem extra para ativos orientados para privacidade devido a preocupações com regulação anti-branqueamento de capitais (AML) e obrigações Know Your Customer (KYC).
Mecanismos de mercado e pressão de venda
Um risco frequentemente mencionado nas transições de fundo para ETF diz respeito ao impacto dos resgates e mudanças de market-making. Quando grandes fluxos institucionais se reorganizam, podem surgir ondas de venda repentinas que exercem pressão descendente no ZEC.
Exemplos históricos mostram que realocações de liquidez e saltos de volatilidade não são improváveis quando grandes detentores ajustam posições ou quando estruturas de fundos são modificadas.
Paisagem regulatória em 2025
Os supervisores aguçaram a sua atenção sobre instrumentos cripto. Em 2025, as moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs) desempenham um papel no debate político em torno da privacidade e supervisão. Isto cria pressão nos reguladores para avaliar criticamente as moedas de privacidade.
Uma aprovação de um ETF Zcash nos Estados Unidos teria um efeito exemplar, mas poderia também levar a requisitos de conformidade mais rigorosos para custodiantes e market makers.
Institucionalização em contexto mais amplo
A atenção institucional crescente sobre cripto — em parte através de ações do ETF e fundos spot — é uma tendência que continuou em 2024-2025. Períodos capital-ricos geram entrada rápida em produtos regulados. Simultaneamente, este movimento concentra influência em alguns players financeiros e custodiantes que determinam atividades comerciais e armazenamento.
Pontos de monitorização para investidores e stakeholders
Para quem acompanha este dossiê, os seguintes indicadores são relevantes:
Concentração de oferta: acompanhe a proporção de carteiras institucionais no total.
Discrepâncias de NAV: grandes descontos ou prémios sinalizam expectativas sobre pressão de venda.
Métricas de privacidade: a percentagem de transações protegidas e crescimento da piscina protegida permanecem cruciais.
Atualizações regulatórias: compromissos e condições dos supervisores.
Modelos de custódia: que custodiantes operam e sob que obrigação de reporte.
O dilema resumido
Um ETF Zcash traz oportunidades e riscos contraditórios. As ações do ETF podem aumentar a liquidez e alcançar um público investidor mais amplo. Simultaneamente, a institucionalização pode amplificar riscos de concentração, limitar operações de privacidade, e prejudicar a ideia de descentralização.
Para 2025, todas as partes envolvidas — investidores, programadores e reguladores — estão mais informadas do que alguns anos atrás. Isto torna o debate mais técnico e mais pesado em termos regulatórios.
Uma avaliação responsável requer monitorização contínua de dados on-chain, relatórios de fundos e posições regulatórias. Apenas assim os stakeholders podem avaliar plenamente o impacto desta transação potencial.
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Zcash e a questão do ETF: oportunidades versus riscos em 2025
O cerne do debate
Desde a proposta em novembro de 2025 para converter o Grayscale Zcash Trust num fundo negociado em bolsa (ETF), a comunidade de privacidade está dividida em dois campos. Por um lado, os proponentes veem nas ações do ETF um portal para capital institucional e liquidez melhorada. Por outro lado, os críticos alertam que tal passo pode prejudicar a descentralização e os valores fundamentais do Zcash (ZEC).
O que está em jogo: os números por trás da conversão
A formação de ações do ETF envolveria uma carteira de mais de 394.000 ZEC com um valor estimado de aproximadamente $197 milhão. O atual fundo Grayscale gere aproximadamente $205,7 milhões através de 4,83 milhões de ações em circulação com um rácio de custos de 2,5%.
No momento do pedido, o fundo era cotado significativamente abaixo do valor líquido patrimonial: enquanto o NAV por ação era de aproximadamente $42,59, o mercado pagava $35,05 por ação — um desconto de mais de 18%. Isto aponta para expectativas de entrada quando a estrutura do produto muda.
A posição atual de mercado do ZEC mostra uma realidade diferente. Com um preço atual de $427,03 e uma capitalização de mercado circulante de $7,04 mil milhões, Zcash tornou-se um projeto substancial. Neste momento, circulam 16,48 milhões de tokens ZEC, com um volume de negociação de 24 horas de $13,86 milhões e um aumento recente de 2,78%.
Por que a exposição institucional traz consigo vantagens e riscos
A atratividade das estruturas de ETF
Os fundos negociados em bolsa oferecem aos investidores uma forma de ganhar exposição ao ZEC sem armazenamento direto de tokens. Para os players institucionais, isto reduz a barreira; a regulação e custódia são padronizadas, e a exposição encaixa-se nos marcos de investimento existentes.
Além disso, as ações do ETF podem quebrar os constrangimentos de liquidez. Uma melhor profundidade de mercado e descoberta de preços mais rápida estimulam entradas de capital — vantagens que se provaram historicamente com outros produtos cripto.
A armadilha da concentração
Com aproximadamente 2,4% do ZEC em circulação no fundo Grayscale, a concentração institucional é já substancial. Uma conversão para ações do ETF pode aumentar ainda mais esta concentração, especialmente se a custódia for centralizada. Grandes quantidades de ZEC nas mãos de alguns custodiantes aumenta o risco sistémico e pode distorcer a dinâmica do mercado.
Obstáculos técnicos e relacionados com privacidade
Transações protegidas versus realidade operacional
Zcash distingue-se pela capacidade de transações protegidas baseadas em zk-SNARKs — um protocolo criptográfico que oferece características de privacidade. Na prática, porém, a maioria das atividades ocorre através de endereços transparentes, especialmente onde as exchanges aplicam políticas KYC.
As ações do ETF requerem que os ativos subjacentes estejam em custódia junto de partes reguladas. Isto pode significar que as transações correm através de carteiras não protegidas, que a comunicação de conformidade aos reguladores é obrigatória, e que as propriedades de privacidade ficam na prática limitadas.
O dilema entre conformidade e valores fundamentais
As moedas de privacidade são concebidas com a confidencialidade como princípio fundamental. A institucionalização através de ações do ETF traz consigo requisitos de conformidade que vão diretamente contra esse princípio. Os reguladores, como a SEC, exercem triagem extra para ativos orientados para privacidade devido a preocupações com regulação anti-branqueamento de capitais (AML) e obrigações Know Your Customer (KYC).
Mecanismos de mercado e pressão de venda
Um risco frequentemente mencionado nas transições de fundo para ETF diz respeito ao impacto dos resgates e mudanças de market-making. Quando grandes fluxos institucionais se reorganizam, podem surgir ondas de venda repentinas que exercem pressão descendente no ZEC.
Exemplos históricos mostram que realocações de liquidez e saltos de volatilidade não são improváveis quando grandes detentores ajustam posições ou quando estruturas de fundos são modificadas.
Paisagem regulatória em 2025
Os supervisores aguçaram a sua atenção sobre instrumentos cripto. Em 2025, as moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs) desempenham um papel no debate político em torno da privacidade e supervisão. Isto cria pressão nos reguladores para avaliar criticamente as moedas de privacidade.
Uma aprovação de um ETF Zcash nos Estados Unidos teria um efeito exemplar, mas poderia também levar a requisitos de conformidade mais rigorosos para custodiantes e market makers.
Institucionalização em contexto mais amplo
A atenção institucional crescente sobre cripto — em parte através de ações do ETF e fundos spot — é uma tendência que continuou em 2024-2025. Períodos capital-ricos geram entrada rápida em produtos regulados. Simultaneamente, este movimento concentra influência em alguns players financeiros e custodiantes que determinam atividades comerciais e armazenamento.
Pontos de monitorização para investidores e stakeholders
Para quem acompanha este dossiê, os seguintes indicadores são relevantes:
O dilema resumido
Um ETF Zcash traz oportunidades e riscos contraditórios. As ações do ETF podem aumentar a liquidez e alcançar um público investidor mais amplo. Simultaneamente, a institucionalização pode amplificar riscos de concentração, limitar operações de privacidade, e prejudicar a ideia de descentralização.
Para 2025, todas as partes envolvidas — investidores, programadores e reguladores — estão mais informadas do que alguns anos atrás. Isto torna o debate mais técnico e mais pesado em termos regulatórios.
Uma avaliação responsável requer monitorização contínua de dados on-chain, relatórios de fundos e posições regulatórias. Apenas assim os stakeholders podem avaliar plenamente o impacto desta transação potencial.