Como é que as pessoas tolas se tornam assim? Elas também são chamadas de “base fundamental”, e não se trata de um problema de inteligência, mas de um estado moldado estruturalmente. Ele decorre de longos arranjos institucionais, domesticação cultural e relações de poder, levando as pessoas a perderem progressivamente a sua subjetividade: não julgar, não questionar, não assumir responsabilidades, apenas aprender a obedecer. Nesse estado, a opressão é vista como ordem, o sacrifício é explicado como tradição, e “sempre foi assim” torna-se uma própria legitimidade. O sistema devora o indivíduo, os fortes consomem os fracos, e discursos morais abstratos são usados para encobrir danos concretos. Quando a vida é continuamente consumida, muitas pessoas não veem isso como errado, pelo contrário, instintivamente defendem essa lógica. Qualquer pessoa que aponte problemas é vista como inimiga de “desestabilizar a ordem”.
Um problema mais profundo é que, na mentalidade das pessoas, muitas vezes existe uma aceitação implícita da existência de distinções de classe. Elas talvez não se oponham à opressão em si, apenas se preocupam com em que camada da cadeia de opressão estão. Não buscam acabar com a injustiça, mas desejam tornar-se “oprimidos de status um pouco mais elevado”, alguém que possa exercer pressão para baixo. Quando essa mentalidade se combina com emoções, ódio ou narrativas míticas, o indivíduo facilmente se transforma em um bandido. Os bandidos não são iguais aos rebeldes; eles parecem mais executores mobilizados: fazem a justiça pelo poder real, mas pensam que estão “defendendo a justiça”.
As características típicas desse tipo de personalidade incluem: uma obediência extrema aos fortes, uma severidade radical com os fracos; uma obsessão por glórias fictícias e pelo passado imaginado; a busca por auto-estima barata através de depreciar os outros e criar inimigos; evitar as fontes reais de opressão, liberando agressividade apenas sobre objetos seguros. O que realmente preocupa numa sociedade não é a existência de fracassados, mas a quantidade de pessoas que carecem de autoconsciência e limites morais. Sua estratégia de sobrevivência mais habilidosa é terceirizar todos os problemas, colocando-os nas mãos de “outros”: não é minha responsabilidade, é culpa de alguém.
E é justamente por isso que, mesmo com a mudança de épocas, continuam a surgir reverências ao poder, romantizações das formas de governo, e obsessões por linhagens e identidades. Esses fenômenos não são meramente nostalgia, mas uma volta natural após uma longa ausência de subjetividade. O problema nunca foi apenas o legado do passado, mas se há alguém disposto a assumir de verdade o risco de “julgar, recusar e assumir responsabilidades” como um verdadeiro ser humano.
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Como é que as pessoas tolas se tornam assim? Elas também são chamadas de “base fundamental”, e não se trata de um problema de inteligência, mas de um estado moldado estruturalmente. Ele decorre de longos arranjos institucionais, domesticação cultural e relações de poder, levando as pessoas a perderem progressivamente a sua subjetividade: não julgar, não questionar, não assumir responsabilidades, apenas aprender a obedecer. Nesse estado, a opressão é vista como ordem, o sacrifício é explicado como tradição, e “sempre foi assim” torna-se uma própria legitimidade. O sistema devora o indivíduo, os fortes consomem os fracos, e discursos morais abstratos são usados para encobrir danos concretos. Quando a vida é continuamente consumida, muitas pessoas não veem isso como errado, pelo contrário, instintivamente defendem essa lógica. Qualquer pessoa que aponte problemas é vista como inimiga de “desestabilizar a ordem”.
Um problema mais profundo é que, na mentalidade das pessoas, muitas vezes existe uma aceitação implícita da existência de distinções de classe. Elas talvez não se oponham à opressão em si, apenas se preocupam com em que camada da cadeia de opressão estão. Não buscam acabar com a injustiça, mas desejam tornar-se “oprimidos de status um pouco mais elevado”, alguém que possa exercer pressão para baixo. Quando essa mentalidade se combina com emoções, ódio ou narrativas míticas, o indivíduo facilmente se transforma em um bandido. Os bandidos não são iguais aos rebeldes; eles parecem mais executores mobilizados: fazem a justiça pelo poder real, mas pensam que estão “defendendo a justiça”.
As características típicas desse tipo de personalidade incluem: uma obediência extrema aos fortes, uma severidade radical com os fracos; uma obsessão por glórias fictícias e pelo passado imaginado; a busca por auto-estima barata através de depreciar os outros e criar inimigos; evitar as fontes reais de opressão, liberando agressividade apenas sobre objetos seguros. O que realmente preocupa numa sociedade não é a existência de fracassados, mas a quantidade de pessoas que carecem de autoconsciência e limites morais. Sua estratégia de sobrevivência mais habilidosa é terceirizar todos os problemas, colocando-os nas mãos de “outros”: não é minha responsabilidade, é culpa de alguém.
E é justamente por isso que, mesmo com a mudança de épocas, continuam a surgir reverências ao poder, romantizações das formas de governo, e obsessões por linhagens e identidades. Esses fenômenos não são meramente nostalgia, mas uma volta natural após uma longa ausência de subjetividade. O problema nunca foi apenas o legado do passado, mas se há alguém disposto a assumir de verdade o risco de “julgar, recusar e assumir responsabilidades” como um verdadeiro ser humano.