Há um fenómeno que merece reflexão aprofundada: as stablecoins negociadas diariamente estão, na verdade, a participar numa grande circulação financeira global, e o défice comercial dos EUA é precisamente o ponto de partida deste ciclo.
Primeiro, vejamos os fundamentos. A lógica do défice comercial dos EUA é bastante simples — os bens globais fluem para os EUA, o dólar americano flui para o mundo. Nos últimos décadas, esses dólares em circulação foram principalmente recomprados pelos bancos centrais estrangeiros através da compra de títulos do Tesouro dos EUA. Mas a situação está a mudar. Atualmente, os bancos centrais globais começaram a reduzir as suas posições em títulos do Tesouro, e as instituições emissoras de stablecoins silenciosamente preencheram essa lacuna, tornando-se novos compradores de títulos do Tesouro dos EUA. Porquê? Porque as stablecoins precisam de manter uma paridade 1:1 com o dólar, e os emissores devem usar os fundos dos utilizadores para comprar dinheiro em espécie ou títulos do Tesouro de curto prazo como reserva — o que significa que a crescente procura global por stablecoins, na sua essência, se traduz numa procura por títulos do Tesouro dos EUA.
Um conjunto de dados torna tudo claro: os principais emissores de stablecoins atualmente detêm mais de 1500 mil milhões de dólares em títulos do Tesouro de curto prazo dos EUA, um valor que já se aproxima do volume de reservas cambiais de muitos países. A lógica por trás disto é engenhosa — os EUA libertam dólares através do défice comercial para o mundo, e, através do canal intermediário das stablecoins, os dólares são trazidos de volta, resolvendo a necessidade de financiamento dos títulos do Tesouro e evitando a expansão contínua do balanço do Federal Reserve. O mercado de criptomoedas, sem que ninguém perceba, tornou-se na peça central deste sistema.
Há uma contradição interessante aqui: o governo dos EUA clama por reduzir o défice comercial através de políticas tarifárias, mas depende profundamente do fluxo de dólares trazido pelas stablecoins para sustentar o mercado de títulos do Tesouro. Como é que esta tensão evoluirá, e o que isto significa para o ecossistema das stablecoins, é algo que deverá ser observado de perto nos próximos tempos.
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Há um fenómeno que merece reflexão aprofundada: as stablecoins negociadas diariamente estão, na verdade, a participar numa grande circulação financeira global, e o défice comercial dos EUA é precisamente o ponto de partida deste ciclo.
Primeiro, vejamos os fundamentos. A lógica do défice comercial dos EUA é bastante simples — os bens globais fluem para os EUA, o dólar americano flui para o mundo. Nos últimos décadas, esses dólares em circulação foram principalmente recomprados pelos bancos centrais estrangeiros através da compra de títulos do Tesouro dos EUA. Mas a situação está a mudar. Atualmente, os bancos centrais globais começaram a reduzir as suas posições em títulos do Tesouro, e as instituições emissoras de stablecoins silenciosamente preencheram essa lacuna, tornando-se novos compradores de títulos do Tesouro dos EUA. Porquê? Porque as stablecoins precisam de manter uma paridade 1:1 com o dólar, e os emissores devem usar os fundos dos utilizadores para comprar dinheiro em espécie ou títulos do Tesouro de curto prazo como reserva — o que significa que a crescente procura global por stablecoins, na sua essência, se traduz numa procura por títulos do Tesouro dos EUA.
Um conjunto de dados torna tudo claro: os principais emissores de stablecoins atualmente detêm mais de 1500 mil milhões de dólares em títulos do Tesouro de curto prazo dos EUA, um valor que já se aproxima do volume de reservas cambiais de muitos países. A lógica por trás disto é engenhosa — os EUA libertam dólares através do défice comercial para o mundo, e, através do canal intermediário das stablecoins, os dólares são trazidos de volta, resolvendo a necessidade de financiamento dos títulos do Tesouro e evitando a expansão contínua do balanço do Federal Reserve. O mercado de criptomoedas, sem que ninguém perceba, tornou-se na peça central deste sistema.
Há uma contradição interessante aqui: o governo dos EUA clama por reduzir o défice comercial através de políticas tarifárias, mas depende profundamente do fluxo de dólares trazido pelas stablecoins para sustentar o mercado de títulos do Tesouro. Como é que esta tensão evoluirá, e o que isto significa para o ecossistema das stablecoins, é algo que deverá ser observado de perto nos próximos tempos.