De onde vem o alumínio do mundo? Os países por trás da produção global

Compreender de onde se origina o alumínio revela uma cadeia de abastecimento global complexa, moldada pela geografia, recursos e capacidade industrial. A resposta não é tão simples quanto saber quais países produzem mais — é necessário rastrear o metal ao longo de todo o processo de produção, desde a mineração de bauxita bruta até à fusão final do alumínio.

A Cadeia de Abastecimento de Alumínio: De Bauxita a Metal Acabado

O alumínio raramente ocorre como um metal puro na natureza, o que significa que as operações de mineração não podem extraí-lo diretamente do solo. Em vez disso, a indústria depende do minério de bauxita, que é processado em alumina e depois refinado por fusão para produzir alumínio. Segundo o US Geological Survey (USGS), a taxa de transformação é direta: 4 toneladas de bauxita seca rendem 2 toneladas de alumina, que por sua vez produzem 1 tonelada de alumínio.

Os recursos globais de bauxita estão estimados entre 55 mil milhões e 75 mil milhões de toneladas métricas, com os maiores depósitos concentrados na África, Oceania, América do Sul, Caraíbas e Ásia. Em 2024, as reservas confirmadas de bauxita atingiram 29 mil milhões de toneladas métricas. Os cinco países com maiores reservas de bauxita são Guiné, Austrália, Vietname, Indonésia e Brasil. Esta distribuição geográfica explica muito sobre quais países dominam atualmente a produção de alumínio.

Mineração Primária de Bauxita: De Onde Vêm as Matérias-Primas

Em 2024, a Guiné emergiu como o maior produtor mundial de bauxita, fornecendo 130 milhões de toneladas métricas, seguida de perto pela Austrália com 100 milhões de toneladas métricas e pela China com 93 milhões de toneladas métricas. Brasil e Índia completaram o top cinco com 33 milhões e 32 milhões de toneladas métricas, respetivamente. Esta concentração de mineração de bauxita em regiões específicas estabelece a base para os padrões de produção de alumínio em todo o mundo.

A posição da China como tanto uma grande mineradora de bauxita quanto uma produtora de alumínio ilustra como a vantagem geográfica se traduz em domínio industrial. A capacidade combinada do país faz dele um nó central na rede global de abastecimento de alumínio.

Produção de Alumina: O Centro de Processamento Intermediário

Depois de minerada, a bauxita deve ser processada em alumina — um produto intermediário essencial. A China tornou-se a líder indiscutível nesta fase, produzindo 84 milhões de toneladas métricas de alumina, representando quase 60 por cento do abastecimento global. A Austrália segue com 18 milhões de toneladas métricas (mais de 13 por cento do abastecimento global), enquanto Brasil, Índia e Rússia completam o top cinco. Esta concentração geográfica de produção de alumina reforça a importância de compreender a geografia da produção ao rastrear as origens globais do alumínio.

Produção Mundial de Alumínio: Os Principais Produtores Classificados

A produção mundial de alumínio atingiu 72 milhões de toneladas métricas em 2024, um ligeiro aumento face às 70 milhões de toneladas métricas em 2023. Os seguintes países dominam o setor:

China lidera esmagadoramente com 43 milhões de toneladas métricas de produção de alumínio — quase 60 por cento da produção global. A abordagem verticalmente integrada da China, controlando a mineração de bauxita, o processamento de alumina e as operações de fusão, posiciona-a como a principal fonte de abastecimento global de alumínio. Os fabricantes aumentaram proativamente a produção no final de 2024, devido às expectativas de tarifas dos EUA, alterando a dinâmica do comércio global. O alumínio da China representou apenas 3 por cento das importações dos EUA em 2024, embora a Administração Biden tenha imposto tarifas de 25 por cento sobre o alumínio chinês em setembro de 2024, e a Administração Trump tenha acrescentado uma tarifa adicional de 10 por cento sobre todas as importações chinesas em fevereiro de 2025.

Índia produziu 4,2 milhões de toneladas métricas em 2024, consolidando a sua posição como o segundo maior produtor de alumínio. A produção do país cresceu de forma consistente, tendo a Índia ultrapassado a Rússia em 2021, quando atingiu 3,97 milhões de toneladas métricas. Os principais produtores incluem a Hindalco Industries, a maior empresa de laminação de alumínio do mundo, sediada em Mumbai, e a Vedanta, maior produtora de alumínio da Índia, que comprometeu investir 1 mil milhão de dólares nas operações de alumínio. As exportações indianas enfrentam menos impacto imediato dos impostos de carbono da União Europeia sobre emissões diretas, previstos para 2026.

Rússia produziu 3,8 milhões de toneladas métricas em 2024, um aumento ligeiro em relação às 3,7 milhões de toneladas métricas em 2023. A RUSAL, com sede em Moscovo, continua a ser uma das principais produtoras globais de alumínio. Apesar das sanções após a invasão da Ucrânia, a Rússia redirecionou uma parte significativa das exportações de alumínio para a China — com receitas anuais quase a duplicar em 2023. No entanto, em abril de 2024, os Estados Unidos e o Reino Unido coordenaram a proibição das importações de alumínio russo e restringiram a sua venda nas bolsas de metais globais. Em novembro de 2024, a RUSAL anunciou planos para reduzir a produção em pelo menos 6 por cento devido aos custos elevados de alumina e à diminuição da procura interna.

Canadá gerou 3,3 milhões de toneladas métricas em 2024, um aumento face às 3,2 milhões de toneladas métricas anteriores. O país manteve-se como o principal fornecedor de alumínio para os EUA, representando 56 por cento de todas as importações de alumínio dos EUA. Quebec é o principal centro de alumínio do Canadá, acolhendo nove das dez fundições de alumínio primário do país e uma refinaria de alumina. A Rio Tinto opera aproximadamente 16 instalações em todo o país. No entanto, a imposição de tarifas de 25 por cento pelo Trump em fevereiro de 2025 sobre o alumínio canadiano pode alterar esta dinâmica.

Emirados Árabes Unidos contribuíram com 2,7 milhões de toneladas métricas em 2024, mantendo a produção estável em relação às 2,66 milhões de toneladas métricas do ano anterior. A Emirates Global Aluminum, maior produtora do Médio Oriente, fornece quase 4 por cento do alumínio global. Os Emirados forneceram 8 por cento das importações de alumínio dos EUA em 2024, tornando-se a segunda maior fonte depois do Canadá.

Bahrein produziu 1,6 milhões de toneladas métricas em 2024, quase igual às 1,62 milhões de toneladas métricas do ano anterior. O alumínio representa uma das maiores fontes de receita de exportação do Bahrein, gerando 3 mil milhões de dólares em 2023. A Gulf Aluminium Rolling Mill, fundada em 1981, foi a primeira instalação de alumínio do Médio Oriente e atualmente opera com uma capacidade anual superior a 165.000 toneladas métricas de produtos de alumínio laminados a frio.

Austrália gerou 1,5 milhões de toneladas métricas em 2024, uma ligeira diminuição face às 1,56 milhões de toneladas métricas anteriores. O país possui reservas de bauxita de 3,5 mil milhões de toneladas métricas — a quarta maior do mundo. No entanto, a Austrália enfrenta custos energéticos elevados associados às operações de fusão, tornando-se um dos produtores de alumínio mais intensivos em emissões do mundo. A Rio Tinto opera duas das quatro fundições de alumínio do país, enquanto a Alcoa gere duas minas de bauxita, duas refinarias de alumina e uma fundição. Em janeiro de 2024, a Alcoa reduziu a produção na sua refinaria de alumina de Kwinana devido a condições económicas desafiantes.

Noruega produziu 1,3 milhões de toneladas métricas em 2024, mantendo a produção do ano anterior. O país funciona como o maior exportador de alumínio primário da União Europeia. A Norsk Hydro, uma empresa norueguesa de alumínio e energia renovável, opera a maior fábrica de alumínio primário da Europa em Sunndal. Em junho de 2024, a Norsk Hydro lançou um piloto industrial de três anos para testar tecnologia de hidrogénio verde para reciclagem de alumínio na sua fábrica de Høyanger. Em janeiro de 2025, a Norsk Hydro e a Rio Tinto anunciaram um investimento conjunto de 45 milhões de dólares em tecnologia de captura de carbono ao longo de cinco anos para reduzir as emissões da fusão de alumínio.

Brasil produziu 1,1 milhões de toneladas métricas em 2024, um aumento face às 1,02 milhões de toneladas métricas anteriores. O país possui a quarta maior reserva de bauxita do mundo (2,7 mil milhões de toneladas métricas) e classificou-se em quarto lugar global na produção de bauxita e em terceiro na produção de alumina em 2024. A Albras, maior produtora de alumínio primário do Brasil, gera aproximadamente 460.000 toneladas métricas por ano, utilizando fontes de energia renovável. A empresa é uma joint venture 51/49 entre a Norsk Hydro e a Nippon Amazon Aluminum Co. Em agosto de 2024, a Mitsui & Co aumentou a sua participação na NAAC de 21 para 46 por cento para impulsionar a aquisição de alumínio verde. O alumínio brasileiro enfrenta tarifas de importação de 25 por cento impostas por Trump em 2025.

Malásia produziu 870.000 toneladas métricas em 2024, uma diminuição face às 940.000 toneladas métricas anteriores. A produção do país aumentou dramaticamente na última década — em 2012, a Malásia produzia apenas 121.900 toneladas métricas. A Alcom (Aluminium Company of Malaysia) é tanto a maior produtora de alumínio laminado quanto a maior fabricante de alumínio da Malásia. Empresas chinesas, incluindo o grupo Bosai, estão ativamente a estabelecer operações de fusão de alumínio na Malásia, com planos de produção a atingir 1 milhão de toneladas métricas por ano.

A Nova Perspectiva: A Geografia Modela o Abastecimento Global de Alumínio

Compreender de onde vem o alumínio demonstra, em última análise, que a produção se concentra onde três condições se alinham: reservas abundantes de bauxita, recursos energéticos substanciais e infraestrutura industrial desenvolvida. A China domina através da escala e da integração vertical, enquanto produtores menores aproveitam vantagens geográficas, energia renovável ou localização estratégica relativamente aos principais mercados. À medida que as políticas tarifárias mudam e as pressões ambientais se intensificam, as fontes geográficas de abastecimento de alumínio continuarão a evoluir, tornando este mapa da produção global essencial para investidores e observadores da indústria.

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