A verdade sobre a mineração de Bitcoin: A crise energética por trás dos 134 terawatts-hora

robot
Geração de resumo em curso

Quando falamos de mineração de Bitcoin, deparamos com números chocantes — dados de 2021 mostram que o consumo anual de eletricidade para minerar Bitcoin atingiu 134,89 terawatts-hora. Se considerarmos a mineração de Bitcoin como uma economia independente, ela ocupa a 27ª posição em consumo de energia global, equivalente ao consumo total de eletricidade de Malásia em um ano. Isto não é apenas uma questão tecnológica, mas também uma questão de energia, economia e até de estratégia nacional.

Por que o consumo de energia na mineração de Bitcoin cresce exponencialmente

Para entender por que a mineração de Bitcoin consome tanta energia, é preciso voltar ao seu mecanismo de design. Satoshi Nakamoto, criador do Bitcoin, publicou em 2008 um white paper intitulado “Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto”, numa época de crise financeira global, tentando desafiar a hegemonia do dólar com uma moeda eletrônica. No início, Nakamoto criou 50 bitcoins usando apenas um computador doméstico, com consumo de energia quase insignificante.

Mas as regras de design do Bitcoin determinaram seu caminho rumo ao alto consumo energético. O total de bitcoins é limitado a 21 milhões — um limite rígido. Inicialmente, os mineradores eram recompensados com 50 bitcoins por bloco válido descoberto. A cada 210.000 blocos, essa recompensa é halved. O que isso significa?

De forma simples: no começo, um computador podia minerar um bitcoin por dia; depois, duas máquinas levavam dois dias; mais tarde, quatro máquinas levavam quatro dias. Não é crescimento linear, mas uma escalada exponencial na dificuldade. Com mais participantes, a dificuldade de mineração aumenta continuamente, e a capacidade computacional necessária cresce exponencialmente. De CPUs, evoluímos para GPUs, e hoje usamos máquinas especializadas com chips de mineração — uma verdadeira corrida armamentista de poder de processamento.

Atualmente, uma única máquina de mineração consome cerca de 35 kW, e uma grande fazenda de mineração pode consumir energia suficiente para atender às necessidades de uma pessoa comum durante toda a vida. Isso sem contar os sistemas de ventilação para resfriamento — o calor gerado durante o processamento deve ser dissipado, caso contrário, a fazenda pode superaquecer e parar.

Esse processo continuará até 2140, quando todos os 21 milhões de bitcoins forem minerados. Em 13 anos, já foi consumida uma quantidade enorme de energia — imagine o que acontecerá no futuro. Para sobreviver na competição, os operadores de fazendas de mineração precisam constantemente atualizar suas máquinas, adquirir mais poder de processamento e superar os demais. É um ciclo vicioso sem fim.

Do valor de trabalho à verdadeira valoração do Bitcoin

Que valor real têm os bitcoins minerados a um custo tão alto? Essa questão precisa ser entendida a partir do contexto de origem do Bitcoin.

Em 2008, a crise financeira global e a política de afrouxamento quantitativo do Federal Reserve fizeram o dólar se desvalorizar. Nesse cenário, Nakamoto lançou o Bitcoin, buscando criar uma moeda eletrônica fora do controle dos bancos centrais. A ideia era promissora, mas a realidade foi diferente.

Nos primeiros anos, o Bitcoin circulava silenciosamente entre programadores, com pouco reconhecimento e quase sem valor. Há histórias de um programador trocando 1000 bitcoins por duas pizzas — uma história famosa na comunidade de criptografia. Com o tempo, entusiastas de tecnologia começaram a se interessar pelo conceito de descentralização, e o Bitcoin ganhou reconhecimento. Na dark web, por sua anonimidade, passou a ser visto como uma espécie de “dólar digital”.

O reconhecimento impulsionou o preço. De alguns centavos, subiu para US$3.000, e em 2020, com a nova onda de emissão monetária do Fed (que em 2020 representou 21% do total de dólares em circulação), o Bitcoin atingiu US$68.000. Parece um número impressionante, mas a questão é: o Bitcoin criou algum produto ou serviço real?

Do ponto de vista da teoria do valor-trabalho, o valor do Bitcoin deveria ser zero. Primeiro, antes de sua criação, a sociedade não precisava dele; não é uma necessidade básica. Segundo, o trabalho de mineração não pode ser avaliado pelos critérios tradicionais da economia. Terceiro, o Bitcoin nunca entrou de fato na circulação de bens e serviços mainstream — sempre esteve à margem da economia real.

Então, por que o Bitcoin vale tanto? A única explicação é a especulação. Se for para atribuir algum valor, ele se resume às suas características técnicas — descentralização, anonimato, resistência à perda. Mas essas propriedades não ajudam a transformá-lo em uma moeda de circulação real. Se o Bitcoin voltar à sua função original de moeda, enfrentará a extinção por moedas tradicionais.

Os motivos profundos por trás da repressão chinesa à mineração de Bitcoin

Em meados de 2021, o Banco Central da China, junto com outros órgãos, publicou anúncios reiterando a repressão às atividades especulativas com criptomoedas, incluindo o Bitcoin. Essa não foi uma decisão impulsiva, mas uma estratégia pensada.

Questões de recursos energéticos são o principal motivo. Antes de maio de 2021, cerca de 70% da mineração de Bitcoin no mundo estava na China. Os mineradores aproveitavam a água abundante na temporada de cheias no sudoeste do país, comprando energia hidrelétrica barata, e migravam para regiões com energia térmica mais barata na estação seca — como Mongólia Interior e Xinjiang. Estimativas indicam que, até 2024, a mineração na China consumirá energia equivalente a 3,5 usinas hidrelétricas de Três Gargantas por ano. O que isso significa? Recursos energéticos valiosos estão sendo usados para cálculos inúteis, desviando energia que deveria sustentar a economia real e a vida das pessoas, ameaçando o desenvolvimento econômico interno.

A cadeia de atividades ilegais é outro fator. Apesar de a privacidade do Bitcoin ser promovida como uma proteção de privacidade, na prática, muitas operações ilegais — lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, fraudes — usam Bitcoin como ferramenta. Cortar a cadeia de transmissão do Bitcoin é, na prática, cortar o fluxo de fundos dessas atividades criminosas.

A soberania monetária é o terceiro e mais importante motivo. Em tempos de instabilidade econômica global, moedas virtuais descontroladas podem se tornar uma bomba-relógio para o sistema financeiro. Um exemplo é El Salvador, que em setembro de 2021 adotou o Bitcoin como moeda legal, atraindo atenção internacional. Mas, após uma forte queda de preço, o país sofreu prejuízos de milhões de dólares, colocando sua economia em risco — alguns analistas até preveem que pode ser o primeiro país a falir por causa de especulação com criptomoedas.

Se a mineração de Bitcoin continuar crescendo no país, ela consumirá muita energia, alimentará o crime, corroerá valores sociais (pois a especulação é como jogo de azar, prejudicando a ética do povo) e criará riscos financeiros. Reprimir a mineração de Bitcoin é, portanto, uma estratégia inevitável — tanto do ponto de vista energético quanto de segurança financeira e ordem social.

Resumindo: a mineração de Bitcoin, na essência, consome recursos energéticos reais, gera poluição e desperdício, para sustentar uma bolha virtual sem valor real. Essa “mineração” deve ser combatida.

Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
  • Recompensa
  • Comentar
  • Republicar
  • Partilhar
Comentar
Adicionar um comentário
Adicionar um comentário
Nenhum comentário
  • Fixar