Um núcleo familiar pode ou não continuar a evoluir, o fator crucial não é a quantidade de riqueza, mas sim se os valores e o espírito podem ser transmitidos de geração em geração. E essa transmissão não acontece em ocasiões grandiosas, mas sim na rotina mais comum do dia a dia, sendo o momento mais importante a refeição em família à mesa. A mesa não é apenas o local onde se come, mas também o espaço para comunicação, escuta e orientação entre os membros da família, sendo o ponto de partida para os mais velhos transmitirem experiências, atitudes e princípios de conduta aos mais jovens. Quando ainda há pessoas a falar, a ouvir e a preocupar-se com a vida e as ideias umas das outras à mesa, as emoções e a ordem dentro do núcleo familiar são continuamente reforçadas, e os membros, através dessa interação, vão formando gradualmente julgamentos de valor estáveis e um senso de responsabilidade. Por outro lado, se a mesa se tornar silenciosa, cada um imerso no seu próprio mundo, a ligação entre os membros da família vai enfraquecendo-se lentamente, e a transmissão do espírito também pode ser interrompida. Assim, o sucesso ou fracasso de uma família muitas vezes não é decidido por um evento importante, mas sim acumulado lentamente nos detalhes do dia a dia. Levar a sério uma refeição, estar disposto a sentar-se, conversar e esperar pelo outro parecem ser apenas formas de manter a rotina, mas na verdade estão a moldar a estrutura das relações familiares, a temperatura emocional e o rumo futuro.

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