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Dalio escolheu um timing bem curioso para soltar suas críticas ao bitcoin. Na terça-feira, o fundador da Bridgewater foi ao All-In Podcast e disparou: investidores precisam parar de comparar bitcoin com ouro. Seu argumento? A maior criptomoeda não tem respaldo de banco central, não oferece privacidade real e enfrenta ameaças sérias da computação quântica no longo prazo.
Ele foi bem direto: existe apenas um ouro. O ouro é o dinheiro mais estabelecido, segunda maior moeda de reserva dos bancos centrais. Ponto final.
Mas aqui está o problema: a realidade do mercado não colaborou com a tese dele. No exato dia dessas declarações, o ouro caiu 3% (cerca de $168, fechando em $5.128), enquanto o bitcoin recuou apenas 0,7% para $68.700. Estávamos em plena crise geopolítica EUA-Irã, justamente o tipo de cenário onde o ouro deveria brilhar como ativo-refúgio. Mas não foi bem assim.
O desacoplamento entre os dois ativos vinha acontecendo já faz tempo. Até outubro, bitcoin e ouro se movimentavam juntos. Depois disso, tudo mudou. Bitcoin desabou mais de 45% do seu pico de outubro. Ouro subiu 30%, ultrapassando $5.100 no mesmo período. Trajetórias completamente opostas.
Na semana da crise, o ouro disparou nos ataques de sábado, mas depois devolveu os ganhos conforme o conflito se ampliava e o petróleo virava a principal preocupação. Bitcoin caiu no sábado, recuperou no domingo após notícias sobre o Irã, foi rejeitado em $70.000 na terça e depois se estabilizou na faixa dos $67.000. Nenhum dos dois atuou como porto seguro de verdade. Ambos apresentaram volatilidade considerável. Bitcoin simplesmente foi menos volátil, o que não é o resultado que Dalio esperaria.
Suas críticas específicas também não são novas. Ele aponta que qualquer transação de bitcoin pode ser monitorada e potencialmente controlada em um livro razão público. Questiona se bancos centrais algum dia vão realmente acumular um ativo assim. E sim, menciona computação quântica como risco existencial.
Mas ele não é totalmente pessimista. Dalio mantém cerca de 1% do portfólio em bitcoin para diversificação. Já recomendou até uma alocação de 15% combinada entre bitcoin ou ouro, chamando de melhor retorno ajustado ao risco diante da trajetória da dívida americana. No mês passado alertou que a ordem mundial liderada pelos EUA tinha "quebrado" e que investidores precisam repensar como protegem patrimônio.
A questão que fica: se ouro ainda é a única prescrição, por que o mercado está debatendo tão ativamente isso? A ação de preço desta semana não ajudou a defender sua tese. Bitcoin se estabilizou melhor que o esperado enquanto o ouro, o "único verdadeiro", tomou uma queda maior. Talvez seja exatamente esse tipo de comportamento que está fazendo o mercado reconsiderar o que realmente funciona como proteção em tempos de crise.