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O Japão propõe legislação para limitar o uso de redes sociais por jovens, a onda global de regulação continua a se espalhar
O grupo de pesquisa do Ministério das Comunicações do Japão está considerando implementar mecanismos de filtragem de conteúdo por faixa etária nas plataformas de redes sociais, juntando-se a vários países que estão reforçando a regulação digital para proteger os menores.
(Antecedentes: Trump’s Truth Social e a possível fusão com X de Musk! Análise de estratégias, vantagens e desvantagens)
(Complemento: O que é o New Media mencionado pela a16z? A transferência de poder na nova mídia em andamento)
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O governo japonês está considerando aplicar uma classificação etária às plataformas de redes sociais, juntando-se à tendência global de reforçar a regulação digital para proteger os menores. Segundo a Bloomberg, o grupo de pesquisa do Ministério das Comunicações divulgou nesta semana documentos relacionados, discutindo a exigência de ativar por padrão mecanismos de filtragem de conteúdo por faixa etária.
A Bloomberg aponta que o grupo deve publicar um relatório até o verão deste ano, possivelmente levando a uma alteração na legislação ou a novas diretrizes até o final do ano. Atualmente, a legislação japonesa já exige que operadoras de telecomunicações móveis e provedores de internet ofereçam serviços de filtragem para menores, mas se os pais optarem por solicitar a desativação, as empresas não são obrigadas a cumprir, uma brecha que é um dos focos das discussões para a futura legislação.
Legislação impulsionada por preocupações de saúde mental
De acordo com dados do Ministério das Comunicações, adolescentes japoneses usam em média quase 70 minutos por dia em redes sociais durante a semana. LINE e YouTube são as plataformas mais populares, enquanto o Instagram cresceu rapidamente nos últimos anos, atingindo uma penetração de 75% entre os jovens em 2024, um aumento significativo em relação aos 25% de uma década atrás.
O meio acadêmico também continua a alertar sobre a relação entre redes sociais e a saúde mental dos menores.
Segundo a Bloomberg, dados do Ministério da Educação do Japão mostram que, em 2024, mais de 27 mil casos de denúncias de difamação, bullying ou experiências desagradáveis via computador ou dispositivos móveis foram reportados, com aumento contínuo nos últimos anos. Alguns psicólogos relacionam o uso de redes sociais a cyberbullying, distorções na imagem corporal, transtornos alimentares e risco de suicídio.
Limite de idade ainda pendente, especialistas mantêm reservas sobre abordagem de “tamanho único”
A Bloomberg destaca que o grupo de pesquisa ainda não estabeleceu um limite de idade específico. Os especialistas presentes na discussão alertam que diferentes plataformas enfrentam riscos distintos, e uma idade limite única pode não ser a solução mais adequada.
No aspecto técnico, os participantes sugeriram a verificação de idade por meio de dados de usuários fornecidos pelas operadoras de telecomunicações, embora haja preocupações quanto à privacidade; outros questionaram que, se os usuários puderem inserir idades falsas para burlar a verificação, a eficácia do filtro será comprometida.
A proposta do grupo também inclui a criação de um sistema de classificação para plataformas, avaliando-as com base em filtros de conteúdo, limites de uso, restrições de publicidade e outras medidas de proteção, facilitando a comparação do nível de risco entre diferentes plataformas.
Efeito de demonstração do banimento na Austrália é limitado, países continuam a seguir
Após a Austrália obrigar o encerramento de 4,7 milhões de contas de menores de idade em dezembro passado, os resultados foram mistos: alguns pais relataram melhorias no comportamento de seus filhos, enquanto outros disseram que as crianças migraram para outros aplicativos ou burlaram as restrições. Mesmo sem possibilidade de comentar ou enviar mensagens, menores ainda podem navegar pelo conteúdo se a plataforma não exigir login obrigatório.
Apesar disso, a onda de regulação global continua a se espalhar. Reino Unido, Grécia, Indonésia e outros países já implementaram medidas semelhantes; uma corte na Califórnia, EUA, decidiu em março deste ano que Meta e Alphabet devem pagar 6 milhões de dólares por terem projetado suas plataformas de forma a serem altamente viciantes, um precedente importante para regulações mais rigorosas.
A Bloomberg acredita que a ação do Japão marca uma mudança do “recomendado” para o “obrigatório” na regulação de redes sociais, mas os detalhes finais, incluindo limites de idade, mecanismos de verificação e penalidades, ainda dependem do relatório que será aprovado neste verão.