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Achei bem interessante essa análise que saiu recentemente sobre stablecoins. Sabe quando todo mundo fica falando de volume, volume, volume? Pois é. Mas ninguém realmente explica o que tá acontecendo por trás desses números gigantes. Quem tá segurando essas moedas? Quanto concentrado está? Onde elas realmente circulam?
A Dune em parceria com a Steakhouse Financial soltou um dataset bem completo sobre isso. E os números são meio reveladores.
Primeiro, o óbvio: USDT e USDC dominam tudo mesmo. Até janeiro deste ano, as 15 maiores stablecoins atingiram 304 bilhões em oferta. Tether com seus 197 bilhões e Circle com 73 bilhões controlam 89% do mercado. Mas o interessante é que 2025 foi o ano dos desafiadores. A USDS da Sky subiu 376%, a PYUSD do PayPal 753%, a RLUSD da Ripple disparou 1.803%. Nem todos cresceram - USDe ficou mais modesto com 23% de alta - mas a diversificação tá acontecendo.
Agora, quem tá segurando esses ativos? Aí muda bastante. Nas redes EVM e Solana, as CEX são a maior categoria de holders com 80 bilhões. Baleias têm 39 bilhões. Protocolos de rendimento quase dobraram, chegando a 9,3 bilhões. Isso reflete como estratégias de yield farming explodiram na cadeia. O que me chamou atenção é que 77% da oferta está em endereços identificados. Para dados on-chain, isso é uma taxa de identificação extremamente alta. Significa que conseguimos rastrear onde a coisa tá de verdade.
Mas aqui vem o twist: 172 milhões de endereços únicos detêm pelo menos uma dessas stablecoins. Parece gigante, né? Mas a concentração varia muito. USDT tem 136 milhões de holders e seus 10 maiores wallets controlam apenas 23-26%. USDC, 36 milhões de holders com distribuição parecida. Mas outros tokens? USDS tem 90% concentrado em 10 carteiras. USDF tem 99%. USD0 é extremo com 99% em 10 wallets. Isso não significa necessariamente problema - muitos são novos, criados por instituições - mas muda completamente como você deveria interpretar esses dados de oferta.
O volume em janeiro foi absurdo: 10,3 trilhões de dólares em transações. Mais que o dobro de janeiro de 2025. Base liderou com 5,9 trilhões em volume apesar de ter apenas 4,4 bilhões em oferta. Ethereum com 2,4 trilhões, Tron com 682 bilhões. USDC dominou com 8,3 trilhões em transações - quase cinco vezes o USDT - mesmo tendo oferta 2,7 vezes menor. Isso mostra que a velocidade e frequência do USDC é bem superior.
Agora, o que essas stablecoins realmente fazem? Aqui é onde fica interessante. Dos 10,3 trilhões em janeiro, 90% passou por categorias identificáveis de atividade. Liquidez em DEX e operações de market-making: 5,9 trilhões. Isso é o maior caso de uso. Empréstimos relâmpago: 1,3 trilhões. Fluxo em CEX: 599 bilhões. Operações de emissão (cunhagem, queima): 106 bilhões - quase cinco vezes mais que o mesmo período do ano passado. Protocolo de rendimento: 2,7 bilhões. Basicamente, as stablecoins funcionam como infraestrutura de negociação, não tanto como meio de pagamento.
A velocidade de circulação é um indicador que muita gente subestima. USDC na Base tem velocidade média diária de 14 vezes - toda a oferta circulando 14 vezes por dia. Em Solana e Polygon, cerca de 1 vez. USDT é mais rápido em BNB (1,4 vezes) e extremamente estável no Tron (0,3 vezes), o que faz sentido pra pagamentos transfronteiriços. Mas na Ethereum, USDT circula apenas 0,2 vezes - 100 bilhões em oferta praticamente parada.
USDe e USDS têm velocidade propositalmente lenta. USDe na Ethereum: 0,09 vezes. USDS: 0,5 vezes. Ambos foram desenhados como stablecoins de rendimento. Você stakeia pra capturar yield, não pra circular. Então a baixa velocidade é feature, não bug.
O que achei mais revelador é que a mesma moeda funciona diferente em cada cadeia. PYUSD em Solana tem velocidade de 0,6 vezes, quatro vezes mais rápido que na Ethereum (0,1 vezes). O ecossistema importa mais que o token.
E tem algo que não tá recebendo atenção: stablecoins de moedas locais. Euro tem 17 tokens com 990 milhões em oferta. Real brasileiro: 141 milhões. Iene: 13 milhões. Tem naira nigeriano, shilling queniano, rand sul-africano, lira turca, rupia indonésia. Já são 59 tokens distribuídos por seis continentes. Conversão como 230 euro to naira mostra a relevância desse mercado crescente. A oferta total em moedas não-dólar é apenas 1,2 bilhão, mas a infraestrutura tá sendo construída. Os dados tão lá pra rastrear como isso evolui.
No geral, o que esses dados mostram é que o mercado de stablecoins é bem mais sofisticado do que parece na superfície. Não é só "volume em circulação". É sobre quem detém, como circula, pra onde vai o fluxo, qual a velocidade, qual a concentração. Instituições e reguladores precisam entender essas camadas pra tomar decisões de verdade.