O Gato sempre achou uma frase muito absurda:


"Viajar deve ser feito quando se é jovem."
Até acha que isso é uma sopa de galinha inventada por blogueiros de viagens para te fazer gastar dinheiro, apenas para te lavar o cérebro e gerar resultados.
Até que nestes últimos anos, descobri que há alguns factos que temos de admitir.
Não é uma questão de ter mais ou menos dinheiro, é por causa do corpo.
Se pensas que a maior barreira para viajar é o orçamento,
na verdade não é bem assim, a verdadeira barreira podem ser as tuas pernas.
Porquê dizer isto? Por exemplo, aos vinte anos, quando se é jovem,
sentar-se num lugar duro por mais de vinte horas, e mesmo assim sair e andar trinta mil passos sem problema.
Sem qualquer problema.
Num albergue, num quarto com uma dúzia de pessoas, a conversar até às três da manhã, e no dia seguinte levantar-se às seis para ver o nascer do sol.
Por exemplo, comer em barracas de rua, dormir na estação de comboios! Mesmo que apanhes um banho de chuva.
Isto é viajar.
Aos trinta e cinco, depois dos quarenta?
Talvez se queira hotéis cada vez mais luxuosos,
bilhetes de avião cada vez mais caros, porque se quer uma experiência melhor,
e restaurantes cada vez mais requintados.
Mas a pessoa fica cada vez mais cansada, a energia física diminui visivelmente.
Por exemplo, não dorme bem, as costas começam a doer. O estômago começa a ser exigente.
Quando se caminha durante várias horas seguidas, talvez o que se pense já não seja a paisagem, mas onde se pode sentar para descansar.
Talvez alguém diga:
«Com a idade, viajar tem mais profundidade, o que se vê, o que se pensa é diferente.»
Isso também concordo.
Mas a profundidade talvez não seja um substituto para a amplitude.
Podes perceber mais de história, mais de arquitetura, mais de arte.
Mas se o teu corpo já não te apoia para escalar aquela montanha, percorrer aquela rua, subir aqueles degraus,
essas compreensões talvez acabem por ficar apenas no mapa.
Dizemos sempre gratificação adiada, para pensar no futuro,
mas há uma coisa que não deveria ser adiada para sempre.
Não fiques sempre a pensar em poupar algum dinheiro hoje para ter uma vida mais rica e confortável no futuro,
mas depois pode ser que não tenhas mais o corpo de hoje.
Talvez muitas pessoas comecem a poupar aos vinte ou trinta anos, esperando viajar pelo mundo aos quarenta,
mas esquecem que o corpo aos quarenta nunca poderá comprar de volta as pernas dos vinte.
O maior bem depreciável da vida talvez não seja o carro, nem a casa,
mas sim o teu corpo.
Ganhar dinheiro é claro que é importante.
Mas não deixes todas as experiências para o futuro!
Às vezes o maior risco do futuro pode não ser a falta de dinheiro,
mas sim quando finalmente tens tempo e dinheiro, o corpo já não quer ir. O que acham disto?
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