Oportunidades nos mercados asiáticos: Análise crítica para 2024

Quando Benjamin Graham afirmava que as cotações elevadas aumentam o risco enquanto as baixas o reduzem, possivelmente pensava em situações como a atual nas bolsas asiáticas. Com correções superiores a 40% nos principais índices desde 2021, estes mercados apresentam um panorama complexo mas potencialmente atrativo para investidores atentos.

O cenário atual: Retrocesso sem precedentes

Os mercados financeiros asiáticos atravessam uma fase de reavaliação severa. As principais praças bolsistas da China registaram perdas acumuladas de aproximadamente 6 biliões de dólares em capitalização desde os seus máximos de 2021. Os números falam por si: o índice China A50 caiu 44,01%, Hang Seng despencou 47,13% e Shenzhen 100 perdeu 51,56%.

O que originou esta debacle? Uma combinação de fatores estruturais e conjunturais:

  • Desajustes de política sanitária anterior que impactou severamente a atividade económica
  • Restrições regulatórias intensificadas sobre corporações tecnológicas líderes
  • Crise imobiliária no setor que sustenta grande parte da economia
  • Contração da procura global derivada do abrandamento económico mundial
  • Fricções comerciais especialmente em cadeias de abastecimento de tecnologia avançada

O crescimento económico da China diminuiu para taxas modestas, atingindo 5,2% no último trimestre de 2023, afastando-se dos dois dígitos que caracterizavam décadas anteriores. O investimento estrangeiro direto mostra retrocesso, enquanto manufaturas deslocam-se para alternativas como a Índia, Indonésia e Vietname.

Dinâmicas demográficas e estruturais

Os desafios a longo prazo transcendem os ciclos económicos de curto prazo. A população chinesa envelhece aceleradamente com taxas de natalidade deprimidas, projetando um possível declínio demográfico que pressionará o mercado de trabalho progressivamente. Este fenómeno não é exclusivo da China, mas é particularmente pronunciado.

A região da Ásia-Pacífico, onde residem os principais mercados asiáticos, enfrenta além disso:

Inestabilidade geopolítica: focos de tensão na Península Coreana, Mar da China Meridional, Estreito de Taiwan e Índia-China são fatores latentes que podem escalar para conflitualidade comercial ou militar, alterando a cooperação regional.

Pressões climáticas e ambientais: a zona é vulnerável a eventos climáticos extremos e contribui aproximadamente com 50% das emissões globais de gases de efeito estufa, requerendo transições para energias renováveis que impactem modelos produtivos.

Brechas demográficas: migração, urbanização acelerada e desajustes de competências laborais colocam pressões sobre a segurança social e produtividade.

Respostas de política económica

As autoridades chinesas começaram a reagir ao cenário adverso. O Banco Central da China anunciou redução do Coeficiente de Reservas Obrigatórias em 50 pontos base, libertando aproximadamente 1 bilião de yuanes (139,45 mil milhões de dólares) para a economia.

Mais significativo ainda, discute-se um pacote de estabilização de valores por 2 biliões de yuanes (278,90 mil milhões de dólares), proveniente de fundos offshore de empresas estatais chinesas, destinado a deter vendas massivas através de compras sustentadas de ações.

Simultaneamente, as taxas preferenciais de crédito mantêm-se em mínimos históricos em torno de 3,45%. O país enfrenta pressões deflacionárias, indicador de consumo interno contraído que estas medidas procuram reverter.

No entanto, a demora na implementação e a aparente desconexão entre diferentes iniciativas geram questões sobre a sua suficiência para restaurar o dinamismo económico e parar o sangramento bolsista.

Tamanho e composição das bolsas asiáticas

A China domina através de três principais praças: a Bolsa de Xangai lidera a região com 7,357 biliões de dólares em capitalização de mercado, seguida por Shenzhen com 4,934 biliões e Hong Kong com 4,567 biliões. No total, estas bolsas asiáticas atingem 16,86 biliões de dólares.

Tóquio mantém 5,586 biliões, a Índia e a Coreia do Sul participam significativamente, enquanto a Austrália e Taiwan completam as maiores praças. Estes mercados asiáticos integram milhares de emissores: Xangai e Hong Kong acolhem mais de 6.800 empresas, Bombaim supera 5.500.

Apesar da sua magnitude, os mercados asiáticos representam apenas 12,2% da capitalização global combinada, longe dos 58,4% que concentra os Estados Unidos. Embora a China tenha conseguido ascender notavelmente, o seu papel de Estado sobre a economia poderá limitar perspetivas futuras de crescimento nas bolsas locais.

Perspetiva técnica dos principais índices

Índice China A50: Replica 50 ações de classe A das maiores de Xangai e Shenzhen. Mantém tendência de baixa desde fevereiro de 2021, quando atingiu máximo de 20.603,10$. Atualmente cotado a 11.160,60$, significativamente abaixo da média móvel de 50 semanas (12.232,90$). O Índice de Força Relativa oscila abaixo da zona média, indicando consolidação de baixa. Suporte relevante em 10.169,20$ e resistência em 15.435,50$.

Hang Seng: Índice ponderado por capitalização que rastreia as maiores empresas de Hong Kong, cobrindo 65% da capitalização total. Comportamento paralelo ao A50, cotando abaixo de tendência de baixa e média de 50 semanas. RSI evidencia consolidação de baixa. Nível atual de 16.077,25 HK$ com possível movimento para 10.676,29 HK$.

Shenzhen 100: Mede as 100 principais ações de classe A de Shenzhen. Em tendência de baixa desde fevereiro de 2021 (máximo de 8.234,00 yuans). Cotiza a 3.838,76 yuans com RSI praticamente em sobrevenda. Suportes em 2.902,32 yuans e resistência em 4.534,22 yuans.

Considerações horárias para operadores

Quem opera bolsas asiáticas a partir da Europa deve considerar diferenças horárias e sobreposições. Madrid (CET/GMT+1) face a Tóquio (GMT+9) mantém diferença de 8 horas, enquanto Xangai, Shenzhen e Hong Kong (GMT+8) variam 7 horas.

A sobreposição asiática ótima ocorre entre as 2:30 e as 8:00 da manhã, hora de Madrid, quando funcionam simultaneamente as quatro principais praças, garantindo volume e liquidez. Esta janela horária apresenta oportunidades significativas para traders e investidores de outras regiões.

Estratégias de investimento em mercados asiáticos

Acesso direto: Comprar ações de corporações chinesas cotadas em bolsas ocidentais através de corretores convencionais. Empresas como JD.com (156 biliões de dólares de receitas em 2022), Alibaba, Tencent, BYD e Pinduoduo oferecem exposição. State Grid, China National Petroleum e Sinopec lideram por receitas, mas enfrentam restrições para investidores estrangeiros.

Acesso indireto por meio de derivados: Contratos por Diferença permitem especulação sem aquisição do ativo subjacente, operáveis através de plataformas especializadas em mercados asiáticos.

Conclusão: Atenção a estímulos e políticas

As bolsas asiáticas apresentam valorizações deprimidas que podem transformar-se em oportunidades se as políticas de estímulo monetário, fiscal e regulatório conseguirem restabelecer o dinamismo económico. A chave está em monitorar anúncios das autoridades chinesas e a evolução das medidas implementadas. Apesar dos desafios estruturais serem evidentes, a história de recuperação destas regiões sugere que mudanças políticas favoráveis podem catalisar movimentos significativos nestes mercados.

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