Se está a considerar trabalhar em Portugal vindo do Brasil, uma das primeiras questões que surge é: afinal, qual o ordenado mínimo em Portugal e será que compensa fazer esta mudança? Para responder adequadamente, é preciso ir muito além do número bruto e entender os descontos obrigatórios, a variação por setor profissional e, sobretudo, quanto realmente sobra no final do mês após as despesas essenciais.
Valor do Ordenado Mínimo em Portugal em 2025
Em 2025, o ordenado mínimo em Portugal atingiu € 870 mensais na zona continental, representando um aumento face aos € 820 registados em 2024. Nas ilhas, os valores são ligeiramente superiores:
Madeira: € 913,50
Açores: € 915
Este crescimento anual faz parte de um plano governamental que prevê revisões sucessivas até 2026, numa tentativa de aproximar o piso português à média europeia. Ainda assim, Portugal continua entre os cinco países com rendimento mínimo mais baixo da União Europeia, conforme indicadores da Eurostat.
Conversão para Reais: Considerando a cotação atual, € 870 corresponde aproximadamente a R$ 5.580-R$ 5.650, valor que pode variar de acordo com as flutuações cambiais.
Sistema de Descontos Obrigatórios
Antes de celebrar o ordenado, é fundamental compreender que o valor bruto nunca chega na íntegra à conta bancária. Os principais cortes são:
Segurança Social (11%): Contribuição obrigatória para todos os trabalhadores dependentes. Este valor é descontado diretamente do salário e vai para o fundo de pensões e proteção social.
Imposto sobre Rendimento de Pessoas Singulares (IRS): Aplicável apenas acima de determinados limiares, varia conforme o número de dependentes, situação familiar e outras circunstâncias pessoais.
Exemplo Prático de Cálculo
Tomando um trabalhador solteiro sem dependentes que recebe o ordenado mínimo:
Valor bruto: € 870,00
Desconto Segurança Social (11%): -€ 95,70
Valor após Segurança Social: € 774,30
IRS (estimado para solteiro sem dependentes): -€ 15 a € 25
Ordenado líquido estimado: € 750-€ 759
Este cálculo demonstra que praticamente 13% do rendimento fica retido antes de o trabalhador ter acesso efetivo ao dinheiro.
Trajetória da Revisão Salarial em Portugal
Portugal tem seguido uma política consistente de aumentos anuais do piso:
2020: € 665
2021: € 705
2022: € 705 (congelado)
2023: € 760
2024: € 820
2025: € 870
Esta progressão reflete o compromisso político em melhorar o poder de compra, embora o ritmo de crescimento ainda seja inferior ao aumento do custo de vida.
Remuneração por Sector Profissional
O rendimento mínimo é apenas o piso. Dependendo da qualificação e experiência, os ganhos variam significativamente:
Profissões com Rendimento Próximo ao Mínimo:
Assistente de logística: € 900-€ 1.100
Operário de limpeza: € 850-€ 950
Trabalhador de retalho: € 880-€ 1.050
Profissões Qualificadas:
Programador (entrada): € 1.400-€ 1.800
Enfermeiro: € 1.300-€ 1.600
Professor do ensino público: € 1.200-€ 1.500
Profissões Especializadas:
Engenheiro civil: € 2.000-€ 3.000
Arquiteto: € 1.800-€ 2.500
Médico: € 2.500-€ 4.500
Estes valores referem-se a contratos de 40 horas semanais (176 horas mensais).
Valor da Hora de Trabalho
Com o ordenado mínimo de € 870 e uma jornada padrão de 176 horas por mês, o valor horário fica em torno de € 4,94 por hora.
Para contexto:
Meio-período (20h/semana): aproximadamente € 435 mensais
Profissões qualificadas: € 8 a € 15 por hora
Profissões especializadas: € 15 a € 30+ por hora
Mapa do Custo de Vida em Portugal
O custo de vida português é mais elevado que no Brasil, mas inferior a muitos países europeus. De acordo com dados de plataformas de custo de vida internacionais:
Despesa Mensal Estimada:
Uma pessoa a viver sozinha: € 1.750-€ 1.900
Família de quatro elementos: € 3.200-€ 3.600
Portugal classifica-se como o segundo país mais económico da Europa Ocidental, logo após a Grécia.
Desagregação de Custos Típicos
Alimentação:
Refeição rápida: € 7,50-€ 9,00
Menu do dia (restaurante): € 11-€ 14
Frango (500g): € 3,20-€ 3,60
Queijo nacional (500g): € 4,70-€ 5,20
Pão integral: € 1,10-€ 1,50
Habitação:
Apartamento T2 (85m²) em zona central: € 1.400-€ 1.600
Apartamento T2 em zona periférica: € 900-€ 1.100
Estúdio em zona residencial média: € 650-€ 800
Arrendamento em cidades secundárias (Braga, Covilhã): 30-40% menos
Transportes:
Gasolina: € 1,65-€ 1,75 por litro
Passe de transporte urbano mensal: € 32-€ 40
Bilhete de comboio (Lisboa-Porto ida e volta): € 50-€ 70
Utilidades e Serviços:
Eletricidade + Água + Gás: € 100-€ 130 mensais
Ginásio: € 30-€ 45
Consulta médica particular: € 60-€ 80
Seguro de saúde básico: € 40-€ 70
É Viável Viver com o Ordenado Mínimo em Portugal?
A resposta é matizada: sim, é possível, mas com condições específicas.
Em Grandes Cidades (Lisboa, Porto):
Com € 750-€ 760 líquidos, viver com conforto é desafiador. Um apartamento T0 numa zona decente consume € 600-€ 700, deixando apenas € 50-€ 160 para alimentação, transportes e outros gastos. É possível, mas requer disciplina rigorosa.
Em Cidades Médias (Braga, Covilhã, Évora):
O mesmo ordenado permite uma vida mais confortável. Arrendamento de € 500-€ 600 e custos gerais ligeiramente inferiores proporcionam melhor qualidade de vida.
Estratégias para Viabilizar:
Compartilhar habitação (reduz aluguel em 30-40%)
Viver em zona periférica com transporte público
Aproveitar refeições de trabalho subsidiadas
Gerir compras em supermercados de desconto
Ordenado Mínimo em Portugal vs Brasil: Análise Comparativa
Para quem vem do Brasil, a comparação deve ser multidimensional.
Valores Nominais:
Portugal: € 870 brutos = aproximadamente R$ 5.600
Brasil: R$ 1.518 (2025)
Portugal paga 3,7 vezes mais nominalmente. Contudo, isto é apenas o primeiro nível da análise.
Poder de Compra Real:
Em Portugal, após descontos obrigatórios, o trabalhador fica com cerca de € 750. Neste montante:
Aluguel (zona média): € 550-€ 700
Alimentação e transporte: € 150-€ 200
Sobra para poupança/lazer: € 0-€ 100
No Brasil, um trabalhador com salário mínimo de R$ 1.518 após descontos menores (aproximadamente 9-11%) fica com R$ 1.350. Neste caso:
Aluguel (zona média, interior): R$ 400-R$ 600
Alimentação e transporte: R$ 400-R$ 600
Sobra para poupança/lazer: R$ 150-R$ 350
Conclusão da Comparação:
Embora o valor nominal português seja claramente superior, a margem de manobra financeira real pode ser semelhante ou até inferior em grandes cidades portuguesas. A verdadeira vantagem emerge quando se tem formação ou experiência profissional, pois os salários para profissões qualificadas em Portugal são consistentemente 50-100% superiores aos do Brasil, numa proporção muito mais acentuada que nos pisos mínimos.
Perspectiva para Diferentes Perfis
Trabalhador Sem Qualificação Especial:
Portugal oferece margem financeira ligeiramente superior, mas o desafio é semelhante ao Brasil. Recomenda-se: ter economias acumuladas (3-6 meses de despesas), aceitar compartilhação de habitação e buscar ativamente progressão profissional.
Profissional Qualificado (Técnico, Bacharel, Especialista):
Aqui reside a verdadeira oportunidade. Um técnico informático, enfermeiro ou especialista ganha em Portugal 2-3 vezes mais que no Brasil relativo, e o custo de vida, embora mais elevado, não compensa totalmente essa diferença. Resultado: poder de compra significativamente maior.
Profissional com Experiência Europeia Reconhecida:
Praticamente qualquer profissional experiente terá salário 50% acima da mediana, abrindo oportunidades reais de poupança e investimento.
Considerações Finais
A decisão de mudar para Portugal não pode basear-se unicamente no valor do ordenado mínimo. A análise deve incluir:
Setor profissional: Qual é o potencial salarial real na sua área?
Localização: Lisboa e Porto oferecem mais oportunidades, mas cobram 30-40% mais em habitação
Experiência pessoal: Profissionais experientes têm acesso a mercados significativamente mais vantajosos
Objetivo temporal: Curto prazo (poupar) vs. longo prazo (carreira e estabilidade)
Estrutura familiar: Com dependentes, os descontos de IRS reduzem-se, melhorando o rendimento líquido
Em 2025, Portugal continua a ser uma opção interessante para brasileiros que buscam não apenas melhores salários, mas também estabilidade, segurança social, acesso a saúde de qualidade e oportunidades de desenvolvimento profissional a médio-longo prazo. O ordenado mínimo, por si só, não justifica uma mudança. Mas associado a uma carreira profissional em evolução e a uma qualidade de vida significativamente superior, pode constituir uma decisão financeira inteligente e equilibrada.
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Qual é o Ordenado Mínimo em Portugal? Guia Completo para 2025
Se está a considerar trabalhar em Portugal vindo do Brasil, uma das primeiras questões que surge é: afinal, qual o ordenado mínimo em Portugal e será que compensa fazer esta mudança? Para responder adequadamente, é preciso ir muito além do número bruto e entender os descontos obrigatórios, a variação por setor profissional e, sobretudo, quanto realmente sobra no final do mês após as despesas essenciais.
Valor do Ordenado Mínimo em Portugal em 2025
Em 2025, o ordenado mínimo em Portugal atingiu € 870 mensais na zona continental, representando um aumento face aos € 820 registados em 2024. Nas ilhas, os valores são ligeiramente superiores:
Este crescimento anual faz parte de um plano governamental que prevê revisões sucessivas até 2026, numa tentativa de aproximar o piso português à média europeia. Ainda assim, Portugal continua entre os cinco países com rendimento mínimo mais baixo da União Europeia, conforme indicadores da Eurostat.
Conversão para Reais: Considerando a cotação atual, € 870 corresponde aproximadamente a R$ 5.580-R$ 5.650, valor que pode variar de acordo com as flutuações cambiais.
Sistema de Descontos Obrigatórios
Antes de celebrar o ordenado, é fundamental compreender que o valor bruto nunca chega na íntegra à conta bancária. Os principais cortes são:
Segurança Social (11%): Contribuição obrigatória para todos os trabalhadores dependentes. Este valor é descontado diretamente do salário e vai para o fundo de pensões e proteção social.
Imposto sobre Rendimento de Pessoas Singulares (IRS): Aplicável apenas acima de determinados limiares, varia conforme o número de dependentes, situação familiar e outras circunstâncias pessoais.
Exemplo Prático de Cálculo
Tomando um trabalhador solteiro sem dependentes que recebe o ordenado mínimo:
Este cálculo demonstra que praticamente 13% do rendimento fica retido antes de o trabalhador ter acesso efetivo ao dinheiro.
Trajetória da Revisão Salarial em Portugal
Portugal tem seguido uma política consistente de aumentos anuais do piso:
Esta progressão reflete o compromisso político em melhorar o poder de compra, embora o ritmo de crescimento ainda seja inferior ao aumento do custo de vida.
Remuneração por Sector Profissional
O rendimento mínimo é apenas o piso. Dependendo da qualificação e experiência, os ganhos variam significativamente:
Profissões com Rendimento Próximo ao Mínimo:
Profissões Qualificadas:
Profissões Especializadas:
Estes valores referem-se a contratos de 40 horas semanais (176 horas mensais).
Valor da Hora de Trabalho
Com o ordenado mínimo de € 870 e uma jornada padrão de 176 horas por mês, o valor horário fica em torno de € 4,94 por hora.
Para contexto:
Mapa do Custo de Vida em Portugal
O custo de vida português é mais elevado que no Brasil, mas inferior a muitos países europeus. De acordo com dados de plataformas de custo de vida internacionais:
Despesa Mensal Estimada:
Portugal classifica-se como o segundo país mais económico da Europa Ocidental, logo após a Grécia.
Desagregação de Custos Típicos
Alimentação:
Habitação:
Transportes:
Utilidades e Serviços:
É Viável Viver com o Ordenado Mínimo em Portugal?
A resposta é matizada: sim, é possível, mas com condições específicas.
Em Grandes Cidades (Lisboa, Porto): Com € 750-€ 760 líquidos, viver com conforto é desafiador. Um apartamento T0 numa zona decente consume € 600-€ 700, deixando apenas € 50-€ 160 para alimentação, transportes e outros gastos. É possível, mas requer disciplina rigorosa.
Em Cidades Médias (Braga, Covilhã, Évora): O mesmo ordenado permite uma vida mais confortável. Arrendamento de € 500-€ 600 e custos gerais ligeiramente inferiores proporcionam melhor qualidade de vida.
Estratégias para Viabilizar:
Ordenado Mínimo em Portugal vs Brasil: Análise Comparativa
Para quem vem do Brasil, a comparação deve ser multidimensional.
Valores Nominais:
Portugal paga 3,7 vezes mais nominalmente. Contudo, isto é apenas o primeiro nível da análise.
Poder de Compra Real:
Em Portugal, após descontos obrigatórios, o trabalhador fica com cerca de € 750. Neste montante:
No Brasil, um trabalhador com salário mínimo de R$ 1.518 após descontos menores (aproximadamente 9-11%) fica com R$ 1.350. Neste caso:
Conclusão da Comparação: Embora o valor nominal português seja claramente superior, a margem de manobra financeira real pode ser semelhante ou até inferior em grandes cidades portuguesas. A verdadeira vantagem emerge quando se tem formação ou experiência profissional, pois os salários para profissões qualificadas em Portugal são consistentemente 50-100% superiores aos do Brasil, numa proporção muito mais acentuada que nos pisos mínimos.
Perspectiva para Diferentes Perfis
Trabalhador Sem Qualificação Especial: Portugal oferece margem financeira ligeiramente superior, mas o desafio é semelhante ao Brasil. Recomenda-se: ter economias acumuladas (3-6 meses de despesas), aceitar compartilhação de habitação e buscar ativamente progressão profissional.
Profissional Qualificado (Técnico, Bacharel, Especialista): Aqui reside a verdadeira oportunidade. Um técnico informático, enfermeiro ou especialista ganha em Portugal 2-3 vezes mais que no Brasil relativo, e o custo de vida, embora mais elevado, não compensa totalmente essa diferença. Resultado: poder de compra significativamente maior.
Profissional com Experiência Europeia Reconhecida: Praticamente qualquer profissional experiente terá salário 50% acima da mediana, abrindo oportunidades reais de poupança e investimento.
Considerações Finais
A decisão de mudar para Portugal não pode basear-se unicamente no valor do ordenado mínimo. A análise deve incluir:
Em 2025, Portugal continua a ser uma opção interessante para brasileiros que buscam não apenas melhores salários, mas também estabilidade, segurança social, acesso a saúde de qualidade e oportunidades de desenvolvimento profissional a médio-longo prazo. O ordenado mínimo, por si só, não justifica uma mudança. Mas associado a uma carreira profissional em evolução e a uma qualidade de vida significativamente superior, pode constituir uma decisão financeira inteligente e equilibrada.