Variações nos preços dos bens: inflação versus défice
No mundo económico que não para de evoluir, tanto investidores como consumidores enfrentam fenómenos económicos conhecidos como inflação (Inflation), ou seja, a situação em que os preços de bens e serviços aumentam continuamente. Além de refletir que o valor do dinheiro em mãos diminui, este fenómeno também afeta as decisões de investimento e o planeamento financeiro, especialmente quando comparado com o défice que é a situação oposta.
Principais causas da inflação em curso
Atualmente, a economia global enfrenta inflação por várias razões. A primeira é a aumento da procura (Demand Pull Inflation). Após a recuperação económica de medidas restritivas rigorosas, muitos consumidores começaram a gastar mais, enquanto os produtores não conseguem acompanhar a procura elevada, levando a aumentos de preços.
A segunda causa é o aumento dos custos de produção (Cost Push Inflation). Os preços de matérias-primas essenciais a nível mundial, como gás natural, petróleo bruto, ferro e cobre, aumentaram significativamente. Além disso, problemas na cadeia de abastecimento (Supply Chain Disruption) elevam ainda mais os custos de transporte e produção.
A terceira causa resulta da emissão excessiva de dinheiro por parte do governo (Printing Money Inflation), levando a uma circulação de dinheiro maior do que a quantidade de bens disponíveis.
De acordo com um relatório do FMI de janeiro de 2567, a economia mundial deverá crescer cerca de 3,1% este ano. Embora seja um crescimento ligeiramente superior ao previsto anteriormente, permanece abaixo da média histórica, devido às políticas monetárias restritivas e à redução do apoio financeiro.
Diferenças claras entre inflação e défice
Aspecto comparativo
Inflação
Défice
Definição básica
Aumento contínuo dos preços de bens e serviços
Queda contínua dos preços de bens e serviços
Causas principais
Demanda superior à oferta
Oferta superior à procura
Impacto no emprego
Pode aumentar a curto prazo
Reduz significativamente
Risco
Diminuição do poder de compra
Recessão económica
O défice é considerado mais prejudicial à economia, pois leva os produtores a adiar investimentos, reduzir contratações e provocar uma recessão.
Quem beneficia e quem sofre com a inflação
Grupos beneficiados:
Empresários e proprietários de negócios, pois podem ajustar os preços dos seus bens conforme a inflação
Acionistas, especialmente de setores que se beneficiam da inflação
Devedores, pois o valor das dívidas a pagar diminui
Grupos prejudicados:
Trabalhadores, pois os salários aumentam a uma taxa inferior à inflação
Credores, que recebem valores com menor poder de compra
Poupadores, pois a inflação corrói o valor das suas poupanças
Como a inflação afeta a economia
Impacto na população geral
O aumento do custo de vida significa que o mesmo montante de dinheiro compra menos bens. Por exemplo, 50 euros há dois anos compravam várias porções de arroz, agora apenas uma. Este problema reduz o poder de compra das famílias, levando a um consumo mais restrito.
De acordo com os preços de bens essenciais do dia a dia, podemos observar que:
Carne de porco: passou de 137,5 euros/kg (2021) para 133,31 euros/kg (2027)
Gás liquefeito: subiu de 318 euros por garrafa para 423 euros
Gasolina: aumentou de 28,75 euros/litro para 39,15 euros/litro
Impacto nos empresários e no mercado bolsista
Com a inflação elevada, muitas empresas, especialmente do setor de petróleo e gás, beneficiam do aumento de preços. Por exemplo, a PTT Public Company Limited (มหาชน) no primeiro semestre de 2565 registou um lucro líquido de 64.419 milhões de baht, um aumento de 12,7%, sendo 24% do lucro proveniente das operações da própria PTT.
No entanto, pequenas e médias empresas podem enfrentar dificuldades, pois os custos sobem enquanto o poder de compra dos consumidores diminui, levando a uma redução nas vendas e, por vezes, a cortes de pessoal.
Impacto a longo prazo no país
Se a inflação persistir por demasiado tempo, pode evoluir para uma “Stagflation”, uma situação de inflação elevada com crescimento económico lento, aumento do desemprego, menor consumo, queda nas vendas, redução de investimentos e despedimentos, podendo até levar ao encerramento de empresas. Estas condições fazem o PIB crescer mais lentamente.
Medidas governamentais e do banco central para combater a inflação
Política monetária: O banco central aumenta a taxa de juro de referência para retirar excesso de dinheiro do sistema, reduzindo a quantidade de dinheiro em circulação.
Política fiscal: Proíbe aumentos de preços de bens escassos, controla bens essenciais e fornece apoio às populações mais afetadas.
Monitorização do índice de preços ao consumidor (CPI): Mensalmente, o Ministério do Comércio recolhe dados de 430 itens para calcular o CPI. A subida do CPI ano a ano (Year-on-Year) indica a inflação geral, que o Banco de Portugal usa como objetivo.
De acordo com os dados de janeiro de 2567, o CPI foi de 110,3, um aumento de 0,3% face ao ano anterior. A inflação geral (YoY) situou-se em 1,11%, o valor mais baixo em 35 meses, devido à redução dos preços da energia por medidas governamentais e à diminuição dos preços de alimentos frescos devido ao aumento da produção.
Histórico da inflação em Portugal
Ao olhar para trás, verifica-se que Portugal já enfrentou uma inflação máxima de 24,3% em 2517, devido à crise do petróleo na Guerra do Médio Oriente. Em 2541, após a crise económica de 2540, o euro desvalorizou-se, levando a uma inflação de 7,89%. Desde então, Portugal conseguiu manter a inflação abaixo de 5% durante longos períodos, até que em 2551 ultrapassou esse valor para 5,51%, devido à crise do petróleo. Mais recentemente, em 2565, atingiu 7,10%, devido à guerra Rússia-Ucrânia que elevou os preços da energia.
Estratégias de investimento em contexto de inflação elevada
Fixar a taxa de juro através de depósitos a prazo
Quando há inflação, as taxas de juro dos depósitos aumentam naturalmente. Ou seja, ao abrir uma conta a prazo agora, pode garantir uma taxa de juro relativamente favorável, sem riscos.
Ações que beneficiam da inflação
Bancos: Lucram com a margem de juros líquida (Net Interest Margin), que aumenta com a subida das taxas de juro.
Seguradoras: Investem em títulos de dívida (Títulos do Estado), que oferecem retornos mais elevados com a inflação.
Alimentação e energia: Empresas destes setores podem ajustar os preços dos seus bens, mantendo os lucros.
Títulos de dívida ajustados à inflação
Floating Rate Bonds: Taxas de juro ajustam-se às taxas de mercado.
Inflation Linked Bonds: Juros aumentam conforme a inflação, protegendo o valor.
Imóveis e ouro
Imóveis: Os rendimentos de arrendamento ajustam-se à inflação, sem impacto direto no mercado bolsista.
Ouro: É um ativo cujo preço sobe com a inflação. Os investidores podem especular através de CFDs, beneficiando de movimentos ascendentes e descendentes.
Como preparar-se para a inflação
Reduzir dívidas: Evitar compras desnecessárias e controlar despesas.
Investir com retorno superior à inflação: Poupanças sem investimento perdem valor devido à inflação; investir em ativos que rendam mais do que a inflação.
Acompanhar notícias regularmente: Políticas do banco central, alterações nos preços de energia e eventos económicos influenciam as decisões de investimento.
Resumo: compreender inflação e défice
A inflação moderada é sinal de crescimento económico, permitindo lucros às empresas e maior contratação. Contudo, uma inflação demasiado elevada, conhecida como “Hyperinflation”, leva ao Stagflation, uma situação indesejada.
Por outro lado, o défice parece indicar uma descida de preços, mas esconde perigos, pois leva os consumidores a parar de comprar, os empresários a adiar investimentos, o emprego a diminuir e a economia a estagnar.
Como ambos os fenómenos, inflação e défice, podem prejudicar a economia se excessivos, os investidores devem acompanhar de perto as notícias económicas, planear cuidadosamente os investimentos e escolher ativos adequados às condições económicas, para evitar perdas por causa da inflação.
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Conheça a inflação: as causas reais e como se preparar
Variações nos preços dos bens: inflação versus défice
No mundo económico que não para de evoluir, tanto investidores como consumidores enfrentam fenómenos económicos conhecidos como inflação (Inflation), ou seja, a situação em que os preços de bens e serviços aumentam continuamente. Além de refletir que o valor do dinheiro em mãos diminui, este fenómeno também afeta as decisões de investimento e o planeamento financeiro, especialmente quando comparado com o défice que é a situação oposta.
Principais causas da inflação em curso
Atualmente, a economia global enfrenta inflação por várias razões. A primeira é a aumento da procura (Demand Pull Inflation). Após a recuperação económica de medidas restritivas rigorosas, muitos consumidores começaram a gastar mais, enquanto os produtores não conseguem acompanhar a procura elevada, levando a aumentos de preços.
A segunda causa é o aumento dos custos de produção (Cost Push Inflation). Os preços de matérias-primas essenciais a nível mundial, como gás natural, petróleo bruto, ferro e cobre, aumentaram significativamente. Além disso, problemas na cadeia de abastecimento (Supply Chain Disruption) elevam ainda mais os custos de transporte e produção.
A terceira causa resulta da emissão excessiva de dinheiro por parte do governo (Printing Money Inflation), levando a uma circulação de dinheiro maior do que a quantidade de bens disponíveis.
De acordo com um relatório do FMI de janeiro de 2567, a economia mundial deverá crescer cerca de 3,1% este ano. Embora seja um crescimento ligeiramente superior ao previsto anteriormente, permanece abaixo da média histórica, devido às políticas monetárias restritivas e à redução do apoio financeiro.
Diferenças claras entre inflação e défice
O défice é considerado mais prejudicial à economia, pois leva os produtores a adiar investimentos, reduzir contratações e provocar uma recessão.
Quem beneficia e quem sofre com a inflação
Grupos beneficiados:
Grupos prejudicados:
Como a inflação afeta a economia
Impacto na população geral
O aumento do custo de vida significa que o mesmo montante de dinheiro compra menos bens. Por exemplo, 50 euros há dois anos compravam várias porções de arroz, agora apenas uma. Este problema reduz o poder de compra das famílias, levando a um consumo mais restrito.
De acordo com os preços de bens essenciais do dia a dia, podemos observar que:
Impacto nos empresários e no mercado bolsista
Com a inflação elevada, muitas empresas, especialmente do setor de petróleo e gás, beneficiam do aumento de preços. Por exemplo, a PTT Public Company Limited (มหาชน) no primeiro semestre de 2565 registou um lucro líquido de 64.419 milhões de baht, um aumento de 12,7%, sendo 24% do lucro proveniente das operações da própria PTT.
No entanto, pequenas e médias empresas podem enfrentar dificuldades, pois os custos sobem enquanto o poder de compra dos consumidores diminui, levando a uma redução nas vendas e, por vezes, a cortes de pessoal.
Impacto a longo prazo no país
Se a inflação persistir por demasiado tempo, pode evoluir para uma “Stagflation”, uma situação de inflação elevada com crescimento económico lento, aumento do desemprego, menor consumo, queda nas vendas, redução de investimentos e despedimentos, podendo até levar ao encerramento de empresas. Estas condições fazem o PIB crescer mais lentamente.
Medidas governamentais e do banco central para combater a inflação
Política monetária: O banco central aumenta a taxa de juro de referência para retirar excesso de dinheiro do sistema, reduzindo a quantidade de dinheiro em circulação.
Política fiscal: Proíbe aumentos de preços de bens escassos, controla bens essenciais e fornece apoio às populações mais afetadas.
Monitorização do índice de preços ao consumidor (CPI): Mensalmente, o Ministério do Comércio recolhe dados de 430 itens para calcular o CPI. A subida do CPI ano a ano (Year-on-Year) indica a inflação geral, que o Banco de Portugal usa como objetivo.
De acordo com os dados de janeiro de 2567, o CPI foi de 110,3, um aumento de 0,3% face ao ano anterior. A inflação geral (YoY) situou-se em 1,11%, o valor mais baixo em 35 meses, devido à redução dos preços da energia por medidas governamentais e à diminuição dos preços de alimentos frescos devido ao aumento da produção.
Histórico da inflação em Portugal
Ao olhar para trás, verifica-se que Portugal já enfrentou uma inflação máxima de 24,3% em 2517, devido à crise do petróleo na Guerra do Médio Oriente. Em 2541, após a crise económica de 2540, o euro desvalorizou-se, levando a uma inflação de 7,89%. Desde então, Portugal conseguiu manter a inflação abaixo de 5% durante longos períodos, até que em 2551 ultrapassou esse valor para 5,51%, devido à crise do petróleo. Mais recentemente, em 2565, atingiu 7,10%, devido à guerra Rússia-Ucrânia que elevou os preços da energia.
Estratégias de investimento em contexto de inflação elevada
Fixar a taxa de juro através de depósitos a prazo
Quando há inflação, as taxas de juro dos depósitos aumentam naturalmente. Ou seja, ao abrir uma conta a prazo agora, pode garantir uma taxa de juro relativamente favorável, sem riscos.
Ações que beneficiam da inflação
Bancos: Lucram com a margem de juros líquida (Net Interest Margin), que aumenta com a subida das taxas de juro.
Seguradoras: Investem em títulos de dívida (Títulos do Estado), que oferecem retornos mais elevados com a inflação.
Alimentação e energia: Empresas destes setores podem ajustar os preços dos seus bens, mantendo os lucros.
Títulos de dívida ajustados à inflação
Floating Rate Bonds: Taxas de juro ajustam-se às taxas de mercado.
Inflation Linked Bonds: Juros aumentam conforme a inflação, protegendo o valor.
Imóveis e ouro
Imóveis: Os rendimentos de arrendamento ajustam-se à inflação, sem impacto direto no mercado bolsista.
Ouro: É um ativo cujo preço sobe com a inflação. Os investidores podem especular através de CFDs, beneficiando de movimentos ascendentes e descendentes.
Como preparar-se para a inflação
Resumo: compreender inflação e défice
A inflação moderada é sinal de crescimento económico, permitindo lucros às empresas e maior contratação. Contudo, uma inflação demasiado elevada, conhecida como “Hyperinflation”, leva ao Stagflation, uma situação indesejada.
Por outro lado, o défice parece indicar uma descida de preços, mas esconde perigos, pois leva os consumidores a parar de comprar, os empresários a adiar investimentos, o emprego a diminuir e a economia a estagnar.
Como ambos os fenómenos, inflação e défice, podem prejudicar a economia se excessivos, os investidores devem acompanhar de perto as notícias económicas, planear cuidadosamente os investimentos e escolher ativos adequados às condições económicas, para evitar perdas por causa da inflação.