## Mercado de trabalho nos EUA está a secar: será que a fraqueza do emprego é o início de problemas maiores?
Em novembro, os Estados Unidos enfrentaram uma realidade difícil – **a procura de trabalho** atingiu um ponto de inflexão, e os empregadores começaram a desacelerar claramente as contratações. Os dados do Departamento do Trabalho mostram que o número de vagas diminuiu para 7,146 milhões, o que representa o valor mais baixo desde setembro de 2024. Isto está muito abaixo das previsões dos economistas, que esperavam cerca de 7,60 milhões de posições não preenchidas.
O mais interessante é que a deterioração não resulta de despedimentos em massa – o número de pessoas a ficar sem emprego diminuiu em 163 mil, e o índice de saídas voluntárias mantém-se em níveis historicamente baixos. Os economistas descrevem esta situação como “falta de contratação, falta de despedimentos” – os empregadores não querem expandir, mas também temem novos despedimentos.
### Para onde desaparece a **procura de trabalho**?
Ao observar os setores que perderam ofertas de emprego, vemos uma tendência clara. O setor hoteleiro e de restauração registou uma queda de 148 mil vagas, enquanto os cuidados de saúde e assistência social perderam 66 mil posições. Ao mesmo tempo, o comércio a retalho registou um aumento de 121 mil, provavelmente devido aos preparativos para a época festiva, e a construção acrescentou 90 mil posições disponíveis.
As empresas de menor dimensão ainda conseguiram aumentar o número de anúncios, mas as entidades de médio porte (50-999 trabalhadores) enfrentam os maiores problemas. Isto sugere que a incerteza afeta mais os empresários do que as grandes corporações.
### A incerteza política e a inteligência artificial paralisam o crescimento
Marc Giannoni, do Barclays, chamou a atenção para “uma queda clara no número de ofertas de emprego e a ausência de sinais de melhoria nas condições do mercado”. Os economistas apontam duas razões principais. Em primeiro lugar, a incerteza relacionada com possíveis tarifas de importação – o Supremo Tribunal tinha de emitir uma decisão na sexta-feira sobre as tarifas globais do presidente Donald Trump, o que paralisa as decisões de investimento das empresas.
Em segundo lugar, a integração da inteligência artificial em funções específicas reduz a procura por trabalhadores. Os empregadores estão a testar novas tecnologias em vez de expandir as suas equipas – este é um cenário típico de transição estrutural, e não uma simples fraqueza cíclica.
### Indicadores de um problema crescente
Particularmente preocupante é a relação entre ofertas e desempregados – caiu para 0,91 em novembro, o valor mais baixo desde março de 2021. Isto significa que há menos de uma vaga por cada desempregado. O índice geral de vagas diminuiu para 4,3% de 4,5% em outubro.
Sarah House, do Wells Fargo, alerta: “Embora os despedimentos permaneçam moderados, o baixo índice de saídas voluntárias aumenta o risco de os empregadores serem obrigados a reduzir o pessoal, em vez de dependerem da rotatividade natural”.
### E agora? A Reserva Federal mantém-se na linha
Estes dados reforçam as expectativas de que a Reserva Federal manterá as taxas de juro inalteradas neste mês. O protocolo da reunião de 9 a 10 de dezembro revelou profundas divisões no Fed, o que sugere uma abordagem cautelosa em relação a futuros cortes nas taxas.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho não está completamente congelado. O índice de gestores de compras no setor de serviços subiu para 54,4 em dezembro, de 52,6 em novembro, e o índice de emprego nos serviços recuperou para 52,0 após seis meses de quedas. Isto indica que a economia pode retomar um crescimento sólido no início do ano, apoiada por cortes fiscais e pela diminuição da incerteza comercial.
### Perspetiva para 2026
Ben Ayers, da Nationwide, prevê que “um crescimento económico estável e consistente em 2026 deverá manter o setor de serviços numa fase de expansão sólida, com potencial de crescimento, se os efeitos dos estímulos fiscais forem significativos”.
Questão-chave: será que a fraqueza do **poder de compra** é o início de problemas maiores, ou uma pausa transitória antes de um crescimento? Os próximos relatórios de emprego serão decisivos para avaliar a saúde da economia.
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## Mercado de trabalho nos EUA está a secar: será que a fraqueza do emprego é o início de problemas maiores?
Em novembro, os Estados Unidos enfrentaram uma realidade difícil – **a procura de trabalho** atingiu um ponto de inflexão, e os empregadores começaram a desacelerar claramente as contratações. Os dados do Departamento do Trabalho mostram que o número de vagas diminuiu para 7,146 milhões, o que representa o valor mais baixo desde setembro de 2024. Isto está muito abaixo das previsões dos economistas, que esperavam cerca de 7,60 milhões de posições não preenchidas.
O mais interessante é que a deterioração não resulta de despedimentos em massa – o número de pessoas a ficar sem emprego diminuiu em 163 mil, e o índice de saídas voluntárias mantém-se em níveis historicamente baixos. Os economistas descrevem esta situação como “falta de contratação, falta de despedimentos” – os empregadores não querem expandir, mas também temem novos despedimentos.
### Para onde desaparece a **procura de trabalho**?
Ao observar os setores que perderam ofertas de emprego, vemos uma tendência clara. O setor hoteleiro e de restauração registou uma queda de 148 mil vagas, enquanto os cuidados de saúde e assistência social perderam 66 mil posições. Ao mesmo tempo, o comércio a retalho registou um aumento de 121 mil, provavelmente devido aos preparativos para a época festiva, e a construção acrescentou 90 mil posições disponíveis.
As empresas de menor dimensão ainda conseguiram aumentar o número de anúncios, mas as entidades de médio porte (50-999 trabalhadores) enfrentam os maiores problemas. Isto sugere que a incerteza afeta mais os empresários do que as grandes corporações.
### A incerteza política e a inteligência artificial paralisam o crescimento
Marc Giannoni, do Barclays, chamou a atenção para “uma queda clara no número de ofertas de emprego e a ausência de sinais de melhoria nas condições do mercado”. Os economistas apontam duas razões principais. Em primeiro lugar, a incerteza relacionada com possíveis tarifas de importação – o Supremo Tribunal tinha de emitir uma decisão na sexta-feira sobre as tarifas globais do presidente Donald Trump, o que paralisa as decisões de investimento das empresas.
Em segundo lugar, a integração da inteligência artificial em funções específicas reduz a procura por trabalhadores. Os empregadores estão a testar novas tecnologias em vez de expandir as suas equipas – este é um cenário típico de transição estrutural, e não uma simples fraqueza cíclica.
### Indicadores de um problema crescente
Particularmente preocupante é a relação entre ofertas e desempregados – caiu para 0,91 em novembro, o valor mais baixo desde março de 2021. Isto significa que há menos de uma vaga por cada desempregado. O índice geral de vagas diminuiu para 4,3% de 4,5% em outubro.
Sarah House, do Wells Fargo, alerta: “Embora os despedimentos permaneçam moderados, o baixo índice de saídas voluntárias aumenta o risco de os empregadores serem obrigados a reduzir o pessoal, em vez de dependerem da rotatividade natural”.
### E agora? A Reserva Federal mantém-se na linha
Estes dados reforçam as expectativas de que a Reserva Federal manterá as taxas de juro inalteradas neste mês. O protocolo da reunião de 9 a 10 de dezembro revelou profundas divisões no Fed, o que sugere uma abordagem cautelosa em relação a futuros cortes nas taxas.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho não está completamente congelado. O índice de gestores de compras no setor de serviços subiu para 54,4 em dezembro, de 52,6 em novembro, e o índice de emprego nos serviços recuperou para 52,0 após seis meses de quedas. Isto indica que a economia pode retomar um crescimento sólido no início do ano, apoiada por cortes fiscais e pela diminuição da incerteza comercial.
### Perspetiva para 2026
Ben Ayers, da Nationwide, prevê que “um crescimento económico estável e consistente em 2026 deverá manter o setor de serviços numa fase de expansão sólida, com potencial de crescimento, se os efeitos dos estímulos fiscais forem significativos”.
Questão-chave: será que a fraqueza do **poder de compra** é o início de problemas maiores, ou uma pausa transitória antes de um crescimento? Os próximos relatórios de emprego serão decisivos para avaliar a saúde da economia.