A Bolsa de Nova Iorque (NYSE) anunciou na metade do mês passado o desenvolvimento de uma plataforma de negociação e liquidação de títulos tokenizados utilizando tecnologia blockchain. Esta decisão não representa apenas uma atualização da plataforma tecnológica, mas uma tentativa de reconstruir as próprias regras da negociação de títulos, que possui uma história de 200 anos. No entanto, esta entrada pode ser uma espada de dois gumes para os mercados financeiros. Enquanto traz uma eficiência inovadora, também pode gerar riscos imprevisíveis para os players existentes e participantes do mercado.
A entrada da maior bolsa do mundo no mercado de títulos tokenizados é um sinal claro de que esta área deixou de ser uma atividade exclusiva de startups de criptoativos, tornando-se um campo de batalha para infraestruturas financeiras tradicionais. A determinação de Wall Street em incorporar a alta produtividade do DeFi está causando ondas em todo o mercado de criptomoedas, forçando todos os participantes a escolherem entre “adaptar-se ou ser eliminados”.
Negociação 24 horas e liquidação instantânea: os prós e contras da eficiência inovadora
A NYSE pretende adotar uma “arquitetura híbrida”, que combina um motor de negociação de alto desempenho existente com um mecanismo de liquidação baseado em blockchain. O motor de matching Pillar, capaz de processar milhões de ordens por segundo, processa rapidamente ordens denominadas em dólares, enquanto o processo de liquidação é concluído na blockchain.
Com esse design, atrasos e riscos de crédito associados ao ciclo de liquidação T+1/T+2 são eliminados, permitindo a troca de fundos e ativos (liquidação atômica) simultaneamente às negociações. Além disso, a funcionalidade de “negociação de ações fracionadas” permitirá a compra de ações caras por tokens denominados em dólares em quantidades menores, reduzindo significativamente as barreiras de entrada para investidores individuais ao redor do mundo.
Por outro lado, essa eficiência tem um custo oculto. Em um mercado de negociação 24/7, há uma alta probabilidade de dispersão extrema de liquidez durante a madrugada e fins de semana, quando os mercados locais estão fechados. Existe também o risco de aumento do spread e de volatilidade anormal em negociações que atravessam fusos horários. Ou seja, a otimização para investidores institucionais pode representar uma ameaça para provedores de liquidez menores.
Outra inovação é o “depósito tokenizado”. Em parceria com o Citibank e o Bank of New York Mellon, a plataforma permitirá liquidações em tempo real mesmo fora do horário bancário, reduzindo drasticamente o capital ocioso necessário para operações de compensação. A eficiência de capital será significativamente aprimorada, mas ao mesmo tempo, o gerenciamento de riscos do sistema financeiro como um todo se tornará mais complexo.
Guerra global entre bolsas: estratégias distintas para garantir liquidez
A NYSE não está isolada neste campo. As principais bolsas do mundo estão competindo, cada uma adotando abordagens diferentes para entrar no mercado de títulos tokenizados.
A NASDAQ, no outono passado, apresentou uma solicitação à SEC para integrar negociações de ações tokenizadas. Sua estratégia de “modelo híbrido” permite que investidores escolham entre métodos tradicionais de liquidação e métodos tokenizados, uma evolução cautelosa. Por outro lado, a NYSE adota uma abordagem mais agressiva e inovadora, construindo uma plataforma independente de títulos tokenizados.
Do outro lado do Atlântico, uma competição ainda mais acirrada está em andamento. A Bolsa de Londres promove o projeto DiSH (Digital Clearing House), visando realizar liquidações instantâneas transfronteiriças 24/7. A estratégia “Horizon 2026” da Deutsche Börse já atingiu uma emissão superior a 10 bilhões de euros na plataforma digital de emissão de títulos D7, garantindo uma vantagem pioneira na Europa. Simultaneamente, a Bolsa de Cingapura colabora com a Autoridade Monetária de Cingapura (MAS) para experimentar operações de liquidação de títulos do governo usando uma moeda digital de banco central.
Essas estratégias variadas indicam que o mercado de títulos tokenizados é uma arena de competição onde não há um padrão único. O vencedor dependerá não apenas da superioridade tecnológica, mas também da capacidade de adaptação às regulações e de construir interoperabilidade entre diferentes players.
De projetos de tokenização a provedores de liquidez: estratégias de sobrevivência dos participantes do mercado
A entrada da NYSE representa uma espada de dois gumes, trazendo impactos complexos para toda a indústria de criptoativos.
Desafios para projetos de tokenização
Para empresas nativas como Ondo Finance e Securitize, a entrada da NYSE representa tanto uma oportunidade quanto uma ameaça. A maior certeza regulatória aumentará as oportunidades de cooperação com investidores institucionais. Contudo, ao controlar a fonte de liquidez de ativos, a NYSE pode forçar esses projetos a mudarem de papéis, de “emissores de ativos” para “distribuidores de ativos”. A perda de privilégios pode aumentar a incerteza de novos negócios.
Mudança de liquidez para exchanges de criptomoedas
A oferta de negociação de títulos tokenizados 24/7 pela NYSE representa uma forte concorrência ao mercado de criptoativos. Muitos fundos que mantêm liquidez em stablecoins podem migrar para ativos de ações americanas com rendimentos mais estáveis. Títulos tokenizados, com regulamentação clara e modelos de receita definidos, podem atrair fundos de altcoins que dependem de narrativa e pouca utilidade prática. Como resultado, há preocupações de que a liquidez de pequenas altcoins possa se deteriorar ainda mais.
Além disso, investidores individuais que tradicionalmente acessavam ações americanas via exchanges de criptomoedas podem migrar diretamente para a funcionalidade de “negociação de ações fracionadas” na plataforma da NYSE.
Revolução algorítmica para provedores de liquidez
Com o mercado operando 24/7, os market makers precisarão oferecer funções de hedge em tempo real, cruzando mercados e ativos. Os market makers tradicionais da NYSE precisarão integrar lógica de AMMs (Automated Market Makers) do DeFi, enquanto protocolos DeFi precisarão incorporar tecnologias de matching de alta frequência do estilo Pillar. Somente players que conseguirem essa fusão tecnológica garantirão sua sobrevivência na próxima geração de mercados.
Por outro lado, o risco de dispersão de liquidez também aumenta. A dispersão geográfica de liquidez devido a negociações em fusos horários diferentes pode ampliar spreads e gerar volatilidade anormal. Para provedores de liquidez menores, a reestruturação de estratégias de sobrevivência será uma prioridade urgente.
Adaptar-se ou falir: o caminho da digitalização do sistema financeiro
O desenvolvimento de plataformas de títulos tokenizados pela NYSE equivale a uma declaração de reconstrução fundamental do mercado financeiro “no nível do código”. Não se trata apenas de estender o horário de negociação, mas de uma inovação na eficiência de capital e na fusão de DeFi e CeFi.
Para o mercado de criptoativos, isso significa uma transição de “narrativa” para “suporte físico”. Para o sistema financeiro tradicional, representa uma revolução secundária após a absorção da alta produtividade do DeFi.
O mais importante é que a entrada da NYSE no mercado não é uma questão de “entrar ou não”, mas de “como se adaptar”. A digitalização do sistema financeiro é irreversível, e apenas os players capazes de se ajustar serão líderes do próximo mercado de capitais. A fusão entre a confiabilidade do mercado tradicional e as tecnologias de ponta é o único caminho para sobreviver na era digital. Todos os participantes do mercado precisarão compreender e dominar esse “contexto digital” desde já.
Ver original
Esta página pode conter conteúdo de terceiros, que é fornecido apenas para fins informativos (não para representações/garantias) e não deve ser considerada como um endosso de suas opiniões pela Gate nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Isenção de responsabilidade para obter detalhes.
Os títulos tokenizados são uma espada de dois gumes? A entrada na NYSE e a mudança de paradigma nos mercados financeiros
A Bolsa de Nova Iorque (NYSE) anunciou na metade do mês passado o desenvolvimento de uma plataforma de negociação e liquidação de títulos tokenizados utilizando tecnologia blockchain. Esta decisão não representa apenas uma atualização da plataforma tecnológica, mas uma tentativa de reconstruir as próprias regras da negociação de títulos, que possui uma história de 200 anos. No entanto, esta entrada pode ser uma espada de dois gumes para os mercados financeiros. Enquanto traz uma eficiência inovadora, também pode gerar riscos imprevisíveis para os players existentes e participantes do mercado.
A entrada da maior bolsa do mundo no mercado de títulos tokenizados é um sinal claro de que esta área deixou de ser uma atividade exclusiva de startups de criptoativos, tornando-se um campo de batalha para infraestruturas financeiras tradicionais. A determinação de Wall Street em incorporar a alta produtividade do DeFi está causando ondas em todo o mercado de criptomoedas, forçando todos os participantes a escolherem entre “adaptar-se ou ser eliminados”.
Negociação 24 horas e liquidação instantânea: os prós e contras da eficiência inovadora
A NYSE pretende adotar uma “arquitetura híbrida”, que combina um motor de negociação de alto desempenho existente com um mecanismo de liquidação baseado em blockchain. O motor de matching Pillar, capaz de processar milhões de ordens por segundo, processa rapidamente ordens denominadas em dólares, enquanto o processo de liquidação é concluído na blockchain.
Com esse design, atrasos e riscos de crédito associados ao ciclo de liquidação T+1/T+2 são eliminados, permitindo a troca de fundos e ativos (liquidação atômica) simultaneamente às negociações. Além disso, a funcionalidade de “negociação de ações fracionadas” permitirá a compra de ações caras por tokens denominados em dólares em quantidades menores, reduzindo significativamente as barreiras de entrada para investidores individuais ao redor do mundo.
Por outro lado, essa eficiência tem um custo oculto. Em um mercado de negociação 24/7, há uma alta probabilidade de dispersão extrema de liquidez durante a madrugada e fins de semana, quando os mercados locais estão fechados. Existe também o risco de aumento do spread e de volatilidade anormal em negociações que atravessam fusos horários. Ou seja, a otimização para investidores institucionais pode representar uma ameaça para provedores de liquidez menores.
Outra inovação é o “depósito tokenizado”. Em parceria com o Citibank e o Bank of New York Mellon, a plataforma permitirá liquidações em tempo real mesmo fora do horário bancário, reduzindo drasticamente o capital ocioso necessário para operações de compensação. A eficiência de capital será significativamente aprimorada, mas ao mesmo tempo, o gerenciamento de riscos do sistema financeiro como um todo se tornará mais complexo.
Guerra global entre bolsas: estratégias distintas para garantir liquidez
A NYSE não está isolada neste campo. As principais bolsas do mundo estão competindo, cada uma adotando abordagens diferentes para entrar no mercado de títulos tokenizados.
A NASDAQ, no outono passado, apresentou uma solicitação à SEC para integrar negociações de ações tokenizadas. Sua estratégia de “modelo híbrido” permite que investidores escolham entre métodos tradicionais de liquidação e métodos tokenizados, uma evolução cautelosa. Por outro lado, a NYSE adota uma abordagem mais agressiva e inovadora, construindo uma plataforma independente de títulos tokenizados.
Do outro lado do Atlântico, uma competição ainda mais acirrada está em andamento. A Bolsa de Londres promove o projeto DiSH (Digital Clearing House), visando realizar liquidações instantâneas transfronteiriças 24/7. A estratégia “Horizon 2026” da Deutsche Börse já atingiu uma emissão superior a 10 bilhões de euros na plataforma digital de emissão de títulos D7, garantindo uma vantagem pioneira na Europa. Simultaneamente, a Bolsa de Cingapura colabora com a Autoridade Monetária de Cingapura (MAS) para experimentar operações de liquidação de títulos do governo usando uma moeda digital de banco central.
Essas estratégias variadas indicam que o mercado de títulos tokenizados é uma arena de competição onde não há um padrão único. O vencedor dependerá não apenas da superioridade tecnológica, mas também da capacidade de adaptação às regulações e de construir interoperabilidade entre diferentes players.
De projetos de tokenização a provedores de liquidez: estratégias de sobrevivência dos participantes do mercado
A entrada da NYSE representa uma espada de dois gumes, trazendo impactos complexos para toda a indústria de criptoativos.
Desafios para projetos de tokenização
Para empresas nativas como Ondo Finance e Securitize, a entrada da NYSE representa tanto uma oportunidade quanto uma ameaça. A maior certeza regulatória aumentará as oportunidades de cooperação com investidores institucionais. Contudo, ao controlar a fonte de liquidez de ativos, a NYSE pode forçar esses projetos a mudarem de papéis, de “emissores de ativos” para “distribuidores de ativos”. A perda de privilégios pode aumentar a incerteza de novos negócios.
Mudança de liquidez para exchanges de criptomoedas
A oferta de negociação de títulos tokenizados 24/7 pela NYSE representa uma forte concorrência ao mercado de criptoativos. Muitos fundos que mantêm liquidez em stablecoins podem migrar para ativos de ações americanas com rendimentos mais estáveis. Títulos tokenizados, com regulamentação clara e modelos de receita definidos, podem atrair fundos de altcoins que dependem de narrativa e pouca utilidade prática. Como resultado, há preocupações de que a liquidez de pequenas altcoins possa se deteriorar ainda mais.
Além disso, investidores individuais que tradicionalmente acessavam ações americanas via exchanges de criptomoedas podem migrar diretamente para a funcionalidade de “negociação de ações fracionadas” na plataforma da NYSE.
Revolução algorítmica para provedores de liquidez
Com o mercado operando 24/7, os market makers precisarão oferecer funções de hedge em tempo real, cruzando mercados e ativos. Os market makers tradicionais da NYSE precisarão integrar lógica de AMMs (Automated Market Makers) do DeFi, enquanto protocolos DeFi precisarão incorporar tecnologias de matching de alta frequência do estilo Pillar. Somente players que conseguirem essa fusão tecnológica garantirão sua sobrevivência na próxima geração de mercados.
Por outro lado, o risco de dispersão de liquidez também aumenta. A dispersão geográfica de liquidez devido a negociações em fusos horários diferentes pode ampliar spreads e gerar volatilidade anormal. Para provedores de liquidez menores, a reestruturação de estratégias de sobrevivência será uma prioridade urgente.
Adaptar-se ou falir: o caminho da digitalização do sistema financeiro
O desenvolvimento de plataformas de títulos tokenizados pela NYSE equivale a uma declaração de reconstrução fundamental do mercado financeiro “no nível do código”. Não se trata apenas de estender o horário de negociação, mas de uma inovação na eficiência de capital e na fusão de DeFi e CeFi.
Para o mercado de criptoativos, isso significa uma transição de “narrativa” para “suporte físico”. Para o sistema financeiro tradicional, representa uma revolução secundária após a absorção da alta produtividade do DeFi.
O mais importante é que a entrada da NYSE no mercado não é uma questão de “entrar ou não”, mas de “como se adaptar”. A digitalização do sistema financeiro é irreversível, e apenas os players capazes de se ajustar serão líderes do próximo mercado de capitais. A fusão entre a confiabilidade do mercado tradicional e as tecnologias de ponta é o único caminho para sobreviver na era digital. Todos os participantes do mercado precisarão compreender e dominar esse “contexto digital” desde já.