Os preços globais do açúcar enfrentam pressão sustentada devido aos níveis recordes de oferta

O mercado de commodities continua a lidar com dinâmicas de excesso de oferta que estão a criar obstáculos significativos para as avaliações. Na segunda-feira, março, o açúcar mundial #11 de Nova Iorque (SBH26) fechou a subir 0,06 pontos (+0,41%), enquanto o açúcar branco ICE de Londres de março (SWH26) terminou a perder 4,70 pontos (-1,12%). O desempenho misto reflete tensões subjacentes entre fatores técnicos—como movimentos cambiais que afetam o dólar mais fraco—e preocupações fundamentais de oferta que continuam a dominar o sentimento do mercado em relação aos preços do açúcar.

A produção recorde do Brasil impulsiona a pressão descendente sobre as avaliações

O maior produtor mundial de açúcar está prestes a atingir níveis de produção sem precedentes que estão a remodelar fundamentalmente a dinâmica do mercado. A produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil até dezembro atingiu 40,222 milhões de toneladas métricas (MMT), representando um aumento de 0,9% em relação ao ano anterior, segundo a Unica. Mais notavelmente, a produção de açúcar como percentagem do total de moagem de cana subiu para 50,82% na temporada 2025/26, de 48,16% no ano anterior, indicando uma mudança deliberada para maximizar a produção de açúcar em detrimento da produção de etanol.

Olhando para o futuro, a agência de previsão de safras do Brasil, Conab, projeta que a produção de açúcar de 2025/26 atingirá 45 MMT, estabelecendo um novo marco para o abastecimento global. No entanto, análises prospectivas da Safras & Mercado sugerem que essa produção recorde será seguida por uma contração. A consultora prevê que a produção de 2026/27 diminuirá para 41,8 MMT (uma queda de -3,91%), com as exportações a esperar uma redução de 11% face ao ano anterior, para 30 MMT. Esta projeção fornece um apoio modesto aos preços do açúcar a médio prazo, embora as avaliações de curto prazo permaneçam limitadas pelo atual ambiente de excesso.

O aumento da produção na Índia e a expansão das exportações impactam os valores das commodities

O segundo maior produtor de açúcar emergiu como um fator-chave que limita os preços do açúcar nesta temporada. Segundo a Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA), a produção acumulada da Índia de 1 de outubro a 15 de janeiro atingiu 15,9 MMT, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Essa trajetória de produção levou a ISMA a revisar para cima a sua estimativa para o ano completo de 2025/26, para 31 MMT (um aumento de 18,8% face ao ano anterior), superando as previsões anteriores de 30 MMT.

Um desenvolvimento crítico que afeta os preços do açúcar é a mudança nas prioridades políticas internas da Índia. O governo sinalizou disposição para expandir as exportações de açúcar para gerir um excesso de oferta interno. O ministério da alimentação da Índia aprovou a exportação de 1,5 MMT na temporada 2025/26, representando uma mudança significativa em relação ao sistema de quotas implementado em 2022/23, quando existiam restrições de produção. Para apoiar essa expansão de exportações, a ISMA reduziu a sua previsão de açúcar desviado para produção de etanol para 3,4 MMT, de uma estimativa anterior de 5 MMT, libertando volumes adicionais para os mercados internacionais. Esta flexibilidade política deverá impulsionar significativamente as remessas internacionais da Índia, adicionando momentum de baixa aos preços globais do açúcar.

Previsões de oferta concorrentes destacam preocupações contínuas de excesso

Várias firmas de análise e organizações internacionais convergiram numa perspetiva sombria para os balanços do mercado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) previu um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025-26, uma reversão dramática do défice de 2,916 milhões de MT registado em 2024-25. A ISO projeta que a produção global aumentará 3,2% face ao ano anterior, para 181,8 milhões de MT, impulsionada pelo aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão.

A Covrig Analytics apresentou um cenário ainda mais pessimista, elevando a sua estimativa de excedente global para 2025/26 para 4,7 MMT em dezembro, em comparação com os 4,1 MMT projetados em outubro. No entanto, a Covrig prevê algum alívio à frente, estimando que o excedente de 2026/27 se reduzirá para apenas 1,4 MMT, à medida que avaliações fracas desencorajem novos investimentos na produção. A Czarnikow, uma das maiores traders de açúcar, adotou a posição mais agressiva, estimando um excedente global de 8,7 MMT para 2025/26—mais 1,2 MMT do que a previsão de setembro de 7,5 MMT. Estas projeções divergentes refletem a incerteza contínua, mas o consenso aponta claramente para condições de excesso de oferta que continuarão a pressionar os preços do açúcar.

O crescimento da produção na Tailândia sustenta obstáculos no mercado

A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, está a acrescentar pressões de oferta. A Thai Sugar Millers Corp previu que a safra de 2025/26 aumentará 5% face ao ano anterior, para 10,5 MMT. Este aumento, embora modesto em termos absolutos, representa mais um incremento na oferta global num momento em que o crescimento da procura permanece relativamente moderado. A previsão da organização indica que o impulso de produção continuará a suportar uma maior disponibilidade de oferta, criando desafios estruturais para que os preços do açúcar apreciem de forma significativa.

O USDA apresenta um quadro de produção global recorde e crescimento de consumo limitado

O relatório bi-anual do Departamento de Agricultura dos EUA, divulgado a 16 de dezembro, forneceu previsões abrangentes que evidenciam a magnitude das pressões de oferta que afetam as avaliações. O USDA prevê que a produção global de açúcar de 2025/26 atingirá um recorde de 189,318 MMT, um aumento de 4,6% face ao ano anterior. Em contrapartida, o consumo global deverá crescer apenas 1,4% face ao ano anterior, para 177,921 MMT, revelando um desequilíbrio acentuado onde o crescimento da oferta supera o do consumo por um fator superior a três.

O Serviço de Agricultura Estrangeira (FAS) do USDA forneceu previsões detalhadas por país: a produção do Brasil deverá aumentar 2,3% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 44,7 MMT, enquanto a produção da Índia deverá saltar 25% para 35,25 MMT, impulsionada por condições favoráveis de monções e expansão de área plantada. A produção da Tailândia está prevista aumentar 2% face ao ano anterior, para 10,25 MMT. Globalmente, os stocks finais deverão diminuir apenas 2,9% face ao ano anterior, para 41,188 MMT, sugerindo que a disponibilidade de oferta se manterá ao longo da temporada e continuará a exercer pressão sobre os preços do açúcar em 2026.

A confluência de uma produção recorde em vários continentes, expansões de exportação impulsionadas por políticas e o crescimento do consumo a atrasar-se face aos ganhos de oferta criam um ambiente desafiante onde os preços do açúcar enfrentam obstáculos estruturais que dificilmente dissipar-se-ão no curto prazo.

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