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#US-IranTalksStall esforços para reviver o Plano de Ação Conjunto Global de 2015 (JCPOA), conhecido como acordo nuclear do Irã, enfrentaram mais um obstáculo significativo. Na última semana, a hashtag #USIranTalksStall tem estado em alta, refletindo um pessimismo crescente entre analistas e autoridades. Após meses de negociações indiretas em Viena e Doha, tanto Washington quanto Teerã estão publicamente colocando a culpa um no outro, sinalizando que um retorno ao acordo original está mais distante do que esteve em quase dois anos.
Então, por que essas negociações não conseguiram produzir um avanço? A resposta está em uma teia complexa de novas demandas, pressões políticas internas e uma desconfiança mútua enraizada que só piorou desde que a administração Trump saiu do acordo em 2018.
As Principais Divergências
No centro do impasse estão duas questões fundamentais que vão além do texto original do JCPOA.
Primeiro, a designação do Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos (IRGC) como organização terrorista. Teerã exigiu que Washington removesse o IRGC de sua lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) como parte de qualquer acordo. Para a administração Biden, isso é um ponto inegociável. Autoridades americanas seniores argumentam que retirar o IRGC — uma força militar e econômica poderosa, responsabilizada pelos EUA por ataques a aliados e pessoal americanos — seria um desastre político e colocaria em risco a política de combate ao terrorismo dos EUA. Enquanto o Irã insiste que isso é uma questão de soberania e honra nacional, os EUA veem como uma expansão irracional do escopo do acordo original.
Segundo, a questão do cumprimento futuro e das garantias de “snapback”. O Irã quer garantias legalmente vinculantes de que nenhum futuro presidente dos EUA se retirará do acordo novamente, como Donald Trump fez em 2018. Dado o sistema político americano, onde a política externa pode mudar drasticamente entre administrações, a equipe Biden não pode oferecer tal garantia. Teerã também busca o encerramento permanente da investigação da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) sobre vestígios de urânio encontrados em três locais não declarados. Washington e aliados europeus argumentam que essa é uma questão da IAEA, não um ponto de negociação bilateral.
De Viena a Doha: Uma Queda de Ritmo
As negociações indiretas, nas quais o coordenador da UE, Enrique Mora, fazia a ponte entre negociadores dos EUA e do Irã, colapsaram no final de junho após dois dias de discussões técnicas em Doha, Catar. Segundo resumos vazados, as reuniões terminaram quando os negociadores iranianos se recusaram a discutir a questão do IRGC, reiterando que a designação deve ser retirada sem pré-condições.
A equipe dos EUA, liderada pelo enviado especial Rob Malley, saiu argumentando que o Irã havia apresentado demandas extrínsecas que nada tinham a ver com a não proliferação nuclear. Em resposta, o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, declarou publicamente que os EUA não podem ser confiáveis e que “o outro lado mostrou que não quer um bom acordo”. Desde então, os canais de comunicação esfriaram, sem novas datas marcadas para futuras negociações.
A Escalada no Terreno
À medida que os diplomatas fracassam, a situação no terreno se torna cada vez mais tensa. Nas últimas semanas, a IAEA confirmou que o Irã instalou centrífugas avançadas IR-6 em sua instalação de Natanz. Essas máquinas enriquecem urânio muito mais rápido do que os modelos IR-1 mais antigos permitidos pelo acordo original. Embora o Irã ainda afirme que seu programa é para energia civil pacífica, seu estoque de urânio enriquecido a 60% — um passo técnico abaixo do grau de armas, 90% — continua crescendo.
Além disso, houve um aumento na guerra de zona cinzenta. Israel, que se opõe ao retorno ao JCPOA, é amplamente considerado responsável por uma série de operações clandestinas contra sites militares iranianos e cientistas nucleares. Por sua vez, grupos proxy ligados ao Irã aumentaram ataques com drones e mísseis contra bases americanas na Síria e no Iraque. Sem uma válvula de escape diplomática, essas ações de retaliação correm o risco de escalar para um confronto direto.
Política Interna: Um Dilema do Prisioneiro
Nenhuma das partes entra nesse impasse de uma posição de força em casa. Para o presidente Biden, um ano eleitoral se aproxima. Os republicanos no Congresso estão unidos contra o JCPOA, e qualquer concessão ao Irã seria vista como um sinal de fraqueza. Democratas moderados também estão divididos, com alguns exigindo que o Irã seja responsabilizado por seu histórico de direitos humanos e pelo apoio à Rússia na Ucrânia antes de qualquer alívio de sanções.
Em Teerã, o cálculo é semelhante. O governo linha-dura do presidente Ebrahim Raisi, apoiado pelo Líder Supremo Khamenei, tem pouco incentivo para ceder. Eles veem o JCPOA como uma armadilha ocidental que beneficia reformistas internos. Ao atrasar e enriquecer urânio, o campo de Raisi pode se apresentar como firme contra os EUA, conquistando pontos políticos antes das eleições importantes da assembleia clerical. Entregas de drones à Rússia para uso na Ucrânia também deram a Teerã uma nova fonte de receita e influência geopolítica, reduzindo a urgência do alívio de sanções.
O Que Acontece Agora?
A janela para a diplomacia não está permanentemente fechada, mas está se fechando rapidamente. Sem um acordo, o caminho mais provável é um status quo fragmentado: sem um acordo formal, mas também sem guerra aberta. O Irã provavelmente continuará avançando lentamente em direção ao limiar de uma arma nuclear, evitando testar uma de fato — uma estratégia conhecida como “saturação”. Os EUA provavelmente continuarão aplicando sanções existentes e podem até impor novas, direcionadas às redes de contrabando de petróleo do IRGC.
O Conselho de Governadores da IAEA pode emitir outra resolução censurando o Irã, o que pode levar Teerã a retaliar removendo mais câmeras e monitores. No pior cenário, Israel poderia realizar um ataque preventivo contra Fordow ou Natanz, uma ação que poderia desencadear uma guerra regional que os EUA já disseram querer evitar.
Conclusão
A hashtag #USIranTalksStall não é apenas conversa nas redes sociais; é um reconhecimento de que dois anos de diplomacia não conseguiram ressuscitar um acordo de seis anos. Ambos os lados estão presos por suas próprias linhas vermelhas e realidades políticas. Até que um ceda ou uma crise externa importante force uma redefinição, o mundo terá que conviver com um Irã mais próximo do que nunca de uma ruptura nuclear e um EUA incapaz de impedir isso sem ação militar. O caminho de volta a Viena, por ora, parece um beco sem saída.