Dua Raksasa do Bitcoin se Unem para Rejeitar o BIP 110; Adam Back e Michael Saylor Alertam sobre Risco de Divisão da Rede



O debate técnico que, por meses, ficou restrito basicamente aos desenvolvedores centrais do Bitcoin finalmente explodiu na esfera pública. Adam Back, um dos fundadores da Blockstream e criador do algoritmo Hashcash cujo nome consta no whitepaper do Bitcoin, e Michael Saylor, CEO da Strategy que detém uma das maiores reservas corporativas de Bitcoin do mundo, declararam de forma aberta e contundente a rejeição ao proposal chamado BIP 110, ou, mais conhecido, como Filtered Fork.

As declarações de ambos foram feitas em 11 de julho passado, poucos semanas antes da janela de ativação obrigatória desta proposta, tornando esta disputa uma das mais significativas divergências de protocolo no ecossistema do Bitcoin desde a Guerra do Tamanho do Bloco, ocorrida entre 2015 e 2017.

O que é o BIP 110, afinal

O BIP 110, com o nome oficial Reduced Data Temporary Softfork, foi introduzido pela primeira vez em dezembro do ano passado por um desenvolvedor que usa o pseudônimo Dathon Ohm. A proposta circulou anteriormente com o número BIP 444 antes de ser renumerada, e o desenvolvedor Bitcoin Knots Luke Dashjr aparece como colaborador no rascunho inicial, além de permanecer como principal defensor até hoje.

Tecnicamente, a proposta busca limitar dados de grande porte que não estejam relacionados à função monetária do Bitcoin, como imagens e tokens incorporados via Ordinals, BRC-20 e Runes, por aproximadamente um ano. As regras de consenso adicionais propostas incluem limitar o output OP_RETURN a no máximo 83 bytes, limitar a quantidade de carga de dados a 256 bytes e restringir alguns recursos específicos do Taproot.

O que torna a proposta controversa não é apenas a finalidade, mas o mecanismo de ativação. O BIP 110 usa uma abordagem de soft fork ativada pelo usuário, em que os nós continuarão a aplicar as novas regras independentemente de haver aprovação da maioria dos mineradores, com um limiar de sinalização de apoio dos mineradores de apenas 55%, bem abaixo do patamar convencional de 90% a 95% normalmente utilizado em soft forks anteriores do Bitcoin. A janela de sinalização obrigatória está agendada para começar por volta do início de agosto, com meta de ativação total em cerca de 1º de setembro de 2026.

Apoio dos mineradores é Quase Zero

Dados mais recentes de meados de julho mostram um quadro bastante marcante: o apoio sinalizado pelos mineradores ao BIP 110 está bem abaixo de 1%; inclusive, desde o começo de maio, nunca chegou a ultrapassar 1% de forma cumulativa, e nenhum grande pool de mineração apoiou oficialmente a proposta. A adoção no nível de nós também é baixa: a maior parte vem apenas de usuários do Bitcoin Knots e de implementações de nós alternativas mantidas pelo próprio Dashjr.

Esse cenário, por sua vez, levou a preocupações sérias entre figuras sêniores do Bitcoin, já que impor a ativação sem um apoio amplo do ecossistema pode resultar não numa melhoria legítima do protocolo, mas sim numa cadeia minoritária separada da rede principal.

Argumento de Adam Back: “Isso é sobre o princípio básico do Bitcoin”

Adam Back expressou sua objeção em uma longa thread, chamando o BIP 110 de tentativa de supervisionar e filtrar as transações escolhidas enviadas por outros usuários. Segundo ele, uma abordagem desse tipo contraria diretamente o princípio fundamental do Bitcoin, que é ser descentralizado e permissionless, em que qualquer pessoa pode enviar quaisquer transações válidas de acordo com o protocolo sem precisar de permissão de ninguém.

Back também alertou que, se os apoiadores da proposta continuarem a tentar impor as novas regras sem amplo acordo, a consequência pode ser a criação de uma cadeia separada do Bitcoin principal. Ele afirmou que qualquer pessoa insatisfeita, em tese, é livre para se reunir e criar seu próprio fork, mas ressaltou com firmeza que o Bitcoin não entrará nessa cadeia. Ele ainda revelou preocupação de que alguns apoiadores da proposta, que seriam recém-chegados ao mundo do Bitcoin, possam se frustrar no futuro sem compreender de verdade por que a maioria do ecossistema rejeita a proposta.

Argumento de Michael Saylor: “Um precedente perigoso, além do próprio spam”

No dia seguinte à declaração de Back, Michael Saylor seguiu com sua própria fala na plataforma X, em 11 de julho. Ele ressaltou que existem 110 coisas muito mais perigosas para o Bitcoin do que o próprio problema de spam de dados. Para ele, o BIP 110 basicamente transforma uma disputa sobre spam em uma mudança de consenso capaz de invalidar algumas transações válidas que já pagaram taxas de forma adequada hoje.

Para Saylor, a ameaça real não está na existência de dados não monetários na blockchain, mas no precedente que será criado caso a comunidade do Bitcoin permita que a definição de spam seja embutida diretamente nas regras de consenso. Ele descreveu esse tipo de precedente como um risco muito mais perigoso e incentivou a comunidade a direcionar energia para ameaças que sejam realmente significativas para o futuro da rede. Saylor ainda acrescentou que as taxas atuais de transação do Bitcoin são relativamente baixas e o fluxo de dinheiro global segue funcionando bem, de modo que, na visão dele, spam não seria um problema urgente que exige resposta por meio dessa mudança radical de protocolo.

Críticas técnicas de outros desenvolvedores centrais

A rejeição não ficou apenas no nível filosófico. O desenvolvedor sênior do Bitcoin Core, Greg Maxwell, já havia alertado por uma lista de discussão para desenvolvedores que o BIP 110 poderia invalidar transações válidas previamente assinadas ou transações com time-lock, um risco técnico sério que pode afetar amplamente usuários que nem sequer estão envolvidos no debate sobre Ordinals nem em dados não monetários.

Outro desenvolvedor, Peter Todd, também trouxe críticas técnicas, incluindo a inserção de uma transação propositalmente desenhada para cumprir as especificações do BIP 110, com o objetivo de demonstrar que as regras propostas não impedem completamente o armazenamento de dados na cadeia do Bitcoin, ao mesmo tempo em que evidencia uma brecha potencialmente explorável para contornar as limitações sugeridas.

Lado dos apoiadores: Dashjr segue firme

Diante dessa onda de rejeição, Luke Dashjr não deu sinais de recuo. Em um relatório inicial de julho, ele rechaçou pedidos para retirar sua proposta, afirmando de forma categórica que já era tarde demais para cancelar o BIP 110. Ele argumentou que a existência de Ordinals, Runes e formas semelhantes de dados colocam conteúdo não financeiro dentro da blockchain do Bitcoin e, gradualmente, elevam os custos de longo prazo para armazenar e manter todo o histórico da blockchain para cada operador de nó.

Os dados sustentam parte do argumento de Dashjr sobre queda de atividade, já que o número médio diário de inscrições de Ordinals está abaixo de 10 mil nos últimos 30 dias, bem menor do que o pico que já superou 400 mil inscrições por dia em agosto de 2023. Ainda assim, essa queda de atividade foi usada pelos opositores do BIP 110 como argumento inverso, questionando a urgência de uma mudança radical de protocolo se o problema que tenta resolver já diminuiu de forma significativa por conta própria.

O que deve acontecer a seguir

Com a janela de sinalização obrigatória que começa por volta do início de agosto e com meta de ativação no começo de setembro, enquanto o apoio dos mineradores segue praticamente inexistente, o caminho do BIP 110 até a ativação total parece cada vez mais difícil. Analistas avaliam que o cenário mais provável não é a aplicação de novas regras em toda a rede do Bitcoin, mas sim a criação de uma cadeia minoritária pequena operada por alguns nós do Bitcoin Knots, separada da rede principal que continua sendo mantida pela maioria do ecossistema sem mudanças nas regras.

No fim das contas, este debate revela uma tensão essencial que vinha sendo mantida dentro da comunidade do Bitcoin: de um lado, aqueles que querem manter a rede o mais livre possível de uso não monetário para eficiência de longo prazo; do outro, os que defendem com firmeza que o Bitcoin precisa continuar sendo uma rede de dinheiro verdadeiramente permissionless, sem guardiões com direito de decidir quais transações são aceitáveis e quais não são. Como esse debate vai terminar provavelmente se tornará um precedente importante para a forma como a comunidade do Bitcoin lidará com disputas de protocolo semelhantes no futuro.
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ShainingMoon
· 9h atrás
À Lua 🌕
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ShainingMoon
· 9h atrás
Para a Lua 🌕
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ShainingMoon
· 9h atrás
2026 GOGOGO 👊
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MrFlower_XingChen
· 15h atrás
Para a Lua 🌕
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· 18h atrás
Faça sua própria pesquisa 🤓
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ThisIsTranslateContent:
· 18h atrás
Suba no trem agora! 🚗
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· 07-13 11:05
冲就完了 👊
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