O chip de retina devolve a visão a pessoas cegas! A Science Corp dos EUA se adianta a Musk e vai começar a vender na Europa

A nova startup de interface cérebro-computador dos EUA, Science Corp, anunciou que o chip de retina Prima já recebeu a certificação CE da União Europeia e deve começar a ser vendido na Europa; um estudo publicado no “The New England Journal of Medicine” mostrou que, entre 32 pacientes, 26 apresentaram melhora clinicamente significativa na visão.
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Depois da morte dos fotorreceptores na retina, o que o paciente vê diante dos olhos vira apenas um borrão ou um “buraco negro”; trata-se da “atrofia geográfica”, ou seja, o estágio avançado da degeneração macular relacionada à idade, que é a causa mais comum de cegueira em idosos. Atualmente, não há tratamento, só é possível retardar a piora… mas esse cenário está sendo abalado por um chip.

O CEO da Science Corp, Max Hodak, disse à Bloomberg que o chip de retina Prima da empresa já recebeu a certificação CE. Ou seja, é a autorização de comercialização de dispositivos médicos na União Europeia; depois de obtê-la, a empresa poderá vender em toda a União Europeia e no Espaço Econômico Europeu, sem precisar pedir autorização país a país.

A empresa também anunciou anteriormente a listagem comercial para a Europa, com o cronograma marcado para agosto. O primeiro implante comercial provavelmente será feito na Alemanha. Neste ano, a meta é implantar dezenas de pessoas; no ano que vem, o objetivo é aumentar para cerca de 200 pessoas. O preço ainda não foi definido e vai variar conforme a região e o plano de seguro.

O cronograma é sustentado por um conjunto de dados clínicos publicado no ano passado no “The New England Journal of Medicine”. Entre 32 pacientes em estágio avançado que completaram 12 meses de acompanhamento, 26 apresentaram melhora clinicamente significativa na visão, o suficiente para voltar a reconhecer letras, números e palavras.

Como o Prima funciona e que tipo de cegueira ele trata

O sistema Prima é composto por duas partes: um chip sem fio de fotovoltaica que é implantado atrás do olho, abaixo da retina, e um par de óculos especialmente projetado com câmera embutida e um projetor micro. Em termos simples, os óculos primeiro capturam a imagem à frente e, em seguida, projetam essa imagem no chip. O chip gera energia por meio da luz, converte a imagem em sinais elétricos e estimula as células ainda vivas na retina, fazendo o cérebro “ver” novamente o contorno das imagens.

Ele mira a doença chamada atrofia geográfica, o estágio avançado da degeneração macular relacionada à idade, que é a causa mais comum de cegueira em idosos.

Atualmente, existem medicamentos para retardar a piora das doenças na mácula, mas não há nenhum que consiga reverter. O Prima é o primeiro dispositivo comercial comprovado para essa fase avançada, permitindo que parte dos pacientes recupere “visão de forma”. A atrofia geográfica é mais comum em pessoas com mais de 70 anos; com o envelhecimento da população global, esse grupo de pacientes tende a continuar crescendo, e é por isso que Hodak enfatiza que só na Europa há centenas de milhares de pessoas potencialmente beneficiadas.

A 2ª maior avaliação de mercado: por que, então, a Science Corp é a primeira a vender o produto

Neste setor de interface cérebro-computador nos EUA, a Science Corp é apenas a segunda colocada entre os players, com valor de mercado de US$ 1,5 bilhão; à frente está a Neuralink, fundada por Musk e atualmente ainda mais em evidência. Mas quem de fato transformou o produto implantável em mercadoria e conseguiu entregá-lo primeiro às clínicas para começar a vender foi a Science Corp.

Hodak foi um dos cofundadores da Neuralink; depois que saiu em 2021, abriu seu próprio caminho e colocou o foco em uma restauração visual com menor dificuldade, mas com um número maior de pacientes, em vez de desafiar diretamente sinais cerebrais mais complexos, como linguagem e movimento. Essa escolha permitiu que a Science Corp contornasse primeiro o demorado processo de aprovação nos EUA, usando a certificação CE como primeira porta de entrada.

Uma licença na Europa cobre o mercado de toda a União Europeia e do Espaço Econômico Europeu, com velocidade muito maior do que aprovações por estado e por caso nos EUA. No caso do mesmo chip, se ele entrasse primeiro na fila dos EUA, só o processo de aprovação poderia arrastar por vários anos; ao seguir pelo caminho da certificação CE na Europa, é como se a empresa antecipasse a comercialização ao contornar esse conjunto de etapas, entre as mais longas.

O capital também não esteve ausente. A Science Corp já levantou US$ 489 milhões no total; em março, a Bloomberg reportou que a avaliação chegou a US$ 1,5 bilhão. Esse dinheiro permite que a empresa sustente simultaneamente os chips de retina e a próxima geração de dispositivos que usam neurônios de engenharia para se conectar ao tecido cerebral. A empresa vende produtos para gerar fluxo de caixa e, ao mesmo tempo, continua avançando em direção a interfaces cérebro-computador ainda mais profundas.

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