A Samsung lança dois novos óculos inteligentes com IA, com funções praticamente copiadas da Meta, e as questões de privacidade também não foram resolvidas

A Samsung, pela primeira vez, divulga o design físico de dois novos modelos de smart glasses, além dos dois que fizeram sua aparição em maio. Com isso, a parceria com a Google se expande para um elenco de quatro armações, com previsão de lançamento nesta temporada de outono. A autonomia chega a no máximo 9 horas, com a mesma plataforma da Qualcomm usada pela Meta e, também, uma combinação de funções bastante parecida.
(Histórico: Google em parceria com a Samsung lança novas smart glasses: Audio glasses chegam no outono para desafiar a Meta em mais de 70% de participação)
(Detalhe de contexto: a Snap lança os óculos AR “Specs” e promete encerrar a era dos smartphones; aposta de US$ 2.195)

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  • Quatro armações, completando as especificações de uma vez
  • Combinação de funções, praticamente copiando o roteiro da Meta
  • Privacidade, a fase pela qual toda a indústria inevitavelmente passa

Nove horas é o número específico que a Samsung apresentou para a autonomia das smart glasses desta vez. A Samsung afirma que isso as torna mais duráveis do que as smart glasses atualmente em destaque da Meta. Também é a primeira vez que a Samsung expõe os óculos fisicamente para o público, mostrando que realmente pretende atuar em conjunto com a Google, enfrentando diretamente a Meta neste mercado, que já tem mais de 70% de participação.

Quatro armações, completando as especificações de uma vez

Em um comunicado oficial, a Samsung revelou dois novos designs: uma armação quadrada preta feita pela Gentle Monster e um modelo mais arredondado em vermelho-marrom desenvolvido pela Warby Parker. Somando-se aos dois primeiros modelos apresentados na Google I/O de maio, o segmento de “smart glasses” Android XR criado pela Samsung e pela Google agora se expande para quatro armações, com lançamento oficial previsto para este outono.

Do primeiro lançamento em maio até agora apresentar designs físicos, a Samsung segue uma estratégia de avanço gradual: primeiro fazer o público saber que o produto existe, depois completar progressivamente especificações, visual e data de lançamento, evitando expor tudo de uma vez e ser comparada item por item com a Meta.

Na parte das especificações, a Samsung forneceu números concretos ao CNBC pela primeira vez: autonomia de bateria de até 9 horas; a caixa de carregamento inclusa ainda pode oferecer mais até 7 recargas, o que equivale a conseguir sustentar mais de uma semana inteira de deslocamento diário e uso ocasional. O que alimenta esses óculos é o chip Qualcomm Snapdragon AR1 Gen 1, o mesmo silício utilizado nos mais recentes smart glasses da Meta.

O vice-presidente executivo do setor de experiências móveis, Jaein Choi, afirma que ainda há mais designs a caminho, mas que preço e data exata de lançamento ainda não foram divulgados. Ela apenas descreveu como um produto “premium (de alto nível)”, sinalizando que a Samsung pretende posicionar as smart glasses na faixa de preço de linha de frente.

Combinação de funções, praticamente copiando o roteiro da Meta

Os usuários podem escolher entre emparelhar com o Google Gemini ou com o Bixby da própria Samsung para lidar com resumos de mensagens, tradução em tempo real, orientações de navegação e análise e descrição do que a câmera capta. Mas essa lista de funções, quase toda, é idêntica aos pontos de venda das smart glasses da Meta — tamanha a sensação de déjà vu que faz suspeitar que a Samsung tenha simplesmente copiado, sem mudanças, uma apresentação do produto do concorrente.

No design externo, a Samsung também segue o caminho de “não parecer um produto de tecnologia”: o peso da armação não é muito maior do que o de um par de óculos de acetato com aro grosso, e o volume é parecido; os alto-falantes e o microfone ficam escondidos nas hastes, há um botão único do lado direito, e do lado esquerdo fica o interruptor de energia, enquanto na frente da armação ficam a câmera e o LED de gravação.

Em outras palavras, a Samsung não escolheu abrir uma nova frente via aparência; ela copiou diretamente a fórmula de sucesso que a Meta já havia comprovado: fazer um par que se parece com óculos comuns, algo que as pessoas topem usar no dia a dia, e então ganhar participação de mercado com o ecossistema do Google e a base de usuários de celulares Galaxy. Falta imaginação, mas é pragmático: primeiro empatar para depois falar em diferenciação.

Privacidade, a fase pela qual toda a indústria inevitavelmente passa

Durante a gravação, o LED na frente da armação acende. Jaein Choi disse à Bloomberg que, assim que for detectado que o LED está coberto ou obstruído, os óculos bloqueiam a gravação diretamente — um mecanismo idêntico ao da Meta.

Mas esse mesmo mecanismo não impediu que as smart glasses da Meta fossem rotuladas de “óculos esquisitos” por parte do público, nem conseguiu eliminar a preocupação de transeuntes com “serem gravados sem consentimento”. Choi enquadrou as controvérsias sobre privacidade como “um problema compartilhado pela indústria”, e não como um fardo que a Samsung precisaria carregar sozinha.

Essa fala é honesta, mas também destaca um fato constrangedor: as duas empresas investiram no mesmo chip, nas mesmas funções de IA e nas mesmas armações leves, mas não conseguem apresentar uma solução realmente definitiva. No fim, ambas acabam dependendo apenas de uma luz LED e de promessas aos usuários do tipo “eu não estou te filmando”. Essa barreira de confiança não se resolve automaticamente pelo simples fato de entrar mais uma fabricante na disputa.

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