Relatório da CertiK: No 1º semestre de 2026, o número de ataques tipo invasão de “chave” no setor cripto aumentou 33%, o risco financeiro disparou 12 vezes, e assaltos à residência substituíram de forma esmagadora sequestros.

A empresa de segurança em blockchain CertiK publicou o relatório《Relatório de Ataques com Ferramenta (Intel3D) – 1º semestre de 2026》; no mundo todo, houve 52 casos verificados, alta de 33,3% ano a ano. O assalto a domicílio saiu de apenas 1 caso no ano passado para 20 casos, saltando e substituindo o sequestro como a principal forma de ataque. A exposição financeira total chegou a US$ 124 milhões, alta de 11,8 vezes. A Europa concentrou 39 casos (75%), e a França liderou com 33 casos no mundo; o ministro do Interior da França confirmou 77 casos de extorsão ligada a cripto registrados no primeiro semestre.
(Antecedentes: CertiK divulgou o relatório Skynet: em 2025, os “ataques com ferramenta” dispararam 75%, e a violência física se tornou uma ameaça importante no setor de cripto)
(Complemento de contexto: Immunefi: no 1º semestre de 2026, o número de ataques cibernéticos de cripto de hackers atingiu um recorde, com perdas totais abaixo de US$ 1 bilhão)

Sumário

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  • Visão geral dos dados-chave: um gráfico para entender as tendências de ataques com ferramenta no 1º semestre de 2026
  • Assalto a domicílio substitui sequestro e se torna a primeira forma de ataque
  • França e Europa: concentração geográfica de ataques violentos ligados a cripto
  • Crescimento explosivo da exposição financeira: de US$ 10,5 milhões para US$ 124 milhões
  • Evolução das táticas criminosas: de invasões digitais a coerção física
  • Perspectiva asiática: lições de Singapura e riscos potenciais para Taiwan
  • Redefinição da autocustódia: arquitetura de defesa em camadas

Visão geral dos dados-chave: um gráfico para entender as tendências de ataques com ferramenta no 1º semestre de 2026

A CertiK, empresa de auditoria de segurança em blockchain, divulgou em 23 de julho o relatório Intel3D, que mostra que os ataques com ferramenta (wrench attacks) ligados a cripto no mundo apresentaram uma tendência severa de alta conjunta de volume e valor no 1º semestre de 2026. A seguir, os indicadores centrais em comparação:

  • Total de ataques: 52 casos (H1 2025 com 39), aumento anual de 33,3%
  • Assalto a domicílio: 20 casos (no mesmo período do ano passado apenas 1), salto de 20 vezes, substituindo o sequestro como a forma mais comum
  • Casos de sequestro: 16 casos (no mesmo período do ano passado 12), alta anual de 33%
  • Casos de roubo: 1 caso (no mesmo período do ano passado 5), queda relevante
  • Exposição financeira: cerca de US$ 124 milhões (no mesmo período do ano passado US$ 10,5 milhões), alta de 11,8 vezes
  • Concentração geográfica: Europa com 39 casos (75% do total mundial); a França, um único país, com 33 casos (63% do total mundial)

A CertiK aponta que o montante total de exposição financeira não inclui apenas ativos roubados confirmados, mas também engloba exigências de resgate, transferências forçadas por parte das vítimas, ativos que foram congelados e os já recuperados, além de exigências de resgate que não tiveram sucesso. As perdas líquidas reais podem ser menores do que esse número, mas a expansão acelerada da escala de exposição, por si só, já reflete uma elevação significativa nas expectativas de retorno dos grupos criminosos no setor cripto.

Assalto a domicílio substitui sequestro e se torna a primeira forma de ataque

A mudança estrutural na forma dos ataques é a descoberta mais digna de atenção neste relatório. O assalto a domicílio saltou do patamar de evento marginal no 1º semestre de 2025 (1 caso) para a técnica mais comum (20 casos), respondendo por quase quatro décimos de todos os casos. Ao mesmo tempo, as formas tradicionais de sequestro também aumentaram de 12 para 16 casos, mas sua participação relativa caiu de 31% para 31% — a explosão do assalto a domicílio diluiu essa fatia.

A CertiK analisa que essa mudança reflete uma otimização tática por parte dos grupos criminosos: o assalto a domicílio tem um limiar de execução menor do que o sequestro (não exige vigilância prolongada, pontos de cativeiro nem gestão de reféns), mas ainda atinge o objetivo central de “burlar a proteção digital por coerção física”. Criminosos atacam na residência das vítimas — considerada o lugar mais seguro — forçando os detentores e suas famílias a entregar chaves privadas ou credenciais de login.

Chama atenção que os casos de roubo tradicional na rua caíram de 5 para 1, possivelmente refletindo que os criminosos perceberam que “levar o hardware wallet ou o celular lá fora” não garante obter dinheiro: se o dispositivo tiver proteção por senha ou usar uma configuração de multisig, a taxa de sucesso do roubo na rua é muito menor do que forçar a vítima a executar transferências em casa.

França e Europa: concentração geográfica de ataques violentos ligados a cripto

Do ponto de vista da distribuição territorial, os ataques com ferramenta cripto estão altamente concentrados no oeste da Europa. O continente europeu registrou um total de 39 casos, o que corresponde a 75% dos 52 casos globais; enquanto a França, isoladamente, comunicou 33 casos, representando 63% do total mundial e 85% do total europeu.

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, confirmou em 2 de julho que as autoridades registraram 77 casos de sequestro, extorsão ou extorsão tentada relacionada a criptomoedas no 1º semestre de 2026 — bem acima dos 45 casos do ano inteiro de 2025. Nuñez disse que as medidas de resposta emergencial resultaram na prisão de cerca de 200 pessoas. A CertiK destacou especialmente que sua metodologia de estatísticas é mais rigorosa do que a da França oficialmente: ela considera apenas casos com reportes públicos que podem ser verificados de forma independente; por isso, os 33 casos são o número após sua triagem estrita (os 77 casos da França ainda incluem casos que não foram verificados de modo independente).

A CertiK supõe que a alta concentração na França pode estar relacionada ao ecossistema cripto relativamente mais transparente do país — vazamentos de dados ligam identidade e endereço ao patrimônio cripto reconhecido, tornando os detentores mais fáceis de serem identificados. Além disso, a estrutura regulatória para ativos cripto na França (como o registro PSAN), embora atraia operadores legítimos, também permite que grupos criminosos identifiquem potenciais alvos a partir de informações públicas.

Crescimento explosivo da exposição financeira: de US$ 10,5 milhões para US$ 124 milhões

A alta anual de 11,8 vezes na exposição financeira — de US$ 10,5 milhões para US$ 124 milhões — é outro sinal que precisa ser encarado com seriedade. Embora exposição não signifique perda real (parte dos ativos pode ser congelada ou recuperada), a aceleração supera muito o aumento no número de casos (33,3%), o que indica:

  • Elevação acentuada da exposição média por caso: de cerca de US$ 270 mil para cerca de US$ 2,40 milhões, com alta próxima de 9 vezes
  • Escalonamento do alvo do crime: criminosos passaram de escolher aleatoriamente pequenos detentores para mirar detentores de alto patrimônio e instituições de porte médio
  • Aumento do valor das extorsões: com os preços de principais ativos cripto, como o Bitcoin, mantendo-se em patamares elevados, a estimativa do valor financeiro das vítimas por parte dos criminosos também sobe

Em comparação com ataques cibernéticos tradicionais — o relatório sincronizado da Immunefi mostra que a perda total de hackers em cripto no 1º semestre de 2026 ficou abaixo de US$ 1 bilhão — a exposição financeira dos ataques com ferramenta, embora menor em valor absoluto, tem uma curva de crescimento muito mais íngreme do que falhas de DeFi e ataques a contratos inteligentes, indicando que a “invasão física” está rapidamente se tornando um complemento importante às rotas de crimes cripto.

Evolução das táticas criminosas: de invasões digitais a coerção física

A tendência mais profunda revelada pelo relatório da CertiK é a seguinte: à medida que as técnicas de proteção digital (multisig, cold wallets, módulos de segurança de hardware) ficam cada vez mais maduras, criminosos começam a mirar no elo mais frágil da cadeia de ataque — o próprio ser humano. O salto no assalto a domicílio não significa redução dos hackers digitais tradicionais (na verdade, o relatório da Immunefi aponta que o número de ataques de hackers atingiu um nível recorde), e sim que os grupos criminosos estão adotando uma “estratégia em duas trilhas”:

  • Trilha digital: ataques a vulnerabilidades técnicas de protocolos DeFi, bridges entre cadeias (cross-chain bridges) e exchanges centralizadas
  • Trilha física: ataques de assalto a domicílio, sequestro e extorsão contra indivíduos — usando violência para contornar toda a proteção técnica

Essa dualidade implica que apenas reforçar a segurança da cold wallet, ou não carregar grandes quantias, já não basta para impedir ameaças do nível físico. Quando a vítima está em casa com uma arma apontada para a cabeça, mesmo que a chave privada esteja escondida profundamente em um cofre bancário, ainda pode haver coerção para ligar para o banco e pedir a abertura do cofre.

Perspectiva asiática: lições de Singapura e riscos potenciais para Taiwan

Embora as estatísticas do relatório da CertiK estejam altamente concentradas na Europa e na França, a Ásia não está imune. O relatório destaca Singapura como exemplo, alertando que detentores de autocustódia enfrentam novas ameaças físicas. A CertiK aponta que a alta concentração de riqueza cripto na Ásia (Singapura, Hong Kong e Dubai como os três hubs principais), somada ao alto custo de segurança privada em algumas regiões, faz com que detentores de alto patrimônio na Ásia se tornem alvos potenciais cada vez mais.

Para Taiwan, embora o país não tenha sido incluído nos pontos quentes estatísticos listados pela CertiK até agora, os seguintes fatores de risco merecem atenção:

  • Vazamento de dados KYC de exchanges: a CertiK destaca no relatório que eventos de vazamento de dados são o principal canal para criminosos mirarem objetivos. Taiwan tem uma das maiores quantidades de exchanges de criptomoedas do mundo, e o risco de vazamento de informações de identidade e ativos dos usuários não pode ser ignorado
  • Exposição excessiva em redes sociais: a CertiK acompanha e identifica que criminosos frequentemente usam plataformas sociais (X, Telegram, Discord) para localizar usuários que exibem seus ativos cripto. A preferência da comunidade em Taiwan por cultura de “mostrar compras/portfólio” pode aumentar o risco de ser identificado
  • Vinculação entre imóveis e ativos cripto: assim como no ecossistema transparente da França, se dados cadastrais e informações tributárias em Taiwan forem cruzados com dados de declaração de exchanges, indivíduos que detêm grandes quantias em cripto podem ser identificados de forma indireta

Redefinição da autocustódia: arquitetura de defesa em camadas

Diante da ascensão de ataques por coerção física, a CertiK recomenda que os detentores reavaliem a prática da autocustódia — que não é mais apenas um problema de criptografia e gestão de chaves privadas, mas sim uma engenharia sistêmica envolvendo segurança pessoal e processos operacionais.

  • Multisig e operações com múltiplas partes: adotar configuração de multisig (multisignature) ou MPC, impedindo que um único signatário coagido libere imediatamente todos os ativos
  • Atraso na retirada e limite de gastos: configurar timelocks e limites diários de saque; mesmo sob coerção, o dinheiro não consegue ser transferido totalmente de uma vez, ganhando tempo para tentar recuperar
  • Assinaturas distribuídas geograficamente: distribuir signatários do multisig em países ou cidades diferentes, impedindo que o atacante force todos os signatários no mesmo local
  • Mecanismo de “senha de pânico”: definir uma senha especial ou sequência de operações; ao ser ativada, notificar imediatamente os co-signatários, congelar os ativos ou acionar um plano pré-definido de transferência de fundos
  • Reforço de segurança física: para detentores de alto patrimônio, sistemas de segurança residencial (câmeras, conexão de alarmes, portas antiarrombamento) e uma vida mais discreta podem ser medidas de defesa mais eficazes do que qualquer esquema puramente criptográfico

Na conclusão, a CertiK enfatiza que, com a contínua expansão do valor de mercado dos ativos cripto e sua crescente massificação, os incentivos financeiros dos ataques com ferramenta só vão aumentar, não diminuir. Da “proteção da chave privada” para a “proteção da pessoa que detém a chave privada” será o desafio central que a indústria de segurança cripto precisará enfrentar nos próximos anos. Isso não é apenas um problema técnico: também envolve estrutura legal (enquadramento criminal em cada país sobre transferência forçada de ativos digitais), produtos de seguros (seguro contra roubo violento de ativos cripto) e educação da comunidade (como participar do mercado sem expor a situação dos ativos).

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