Previsão de Intel frustra expectativas, ação dispara 13% em segundos, mas rapidamente devolve: data centers sustentam a retomada da Intel na luta pela recuperação

A previsão de ganhos do 3º trimestre da Intel superou em muito as expectativas do mercado. A demanda dos cálculos de data centers sustentou esta reviravolta, e as ações dispararam mais de 13% no pós-mercado, mas em algumas horas voltaram a cair até pouco restarem 3%.
(Histórico: as ações da Intel, com demissões, saltaram 8,6%; o mercado apostava na transição para “perder para a Nvidia”)
(Complemento de contexto: AI queimando caixa esta noite: Alphabet encerra o cabo com US$ 190 bilhões de despesas de capital; Tesla entra em grande volatilidade)

As projeções de receita do 3º trimestre divulgadas pela Intel (Intel) nesta manhã (24) ficaram entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões. Mesmo considerando o limite inferior do intervalo, o valor ainda ficou bem acima dos US$ 15,1 bilhões que Wall Street esperava. Este é o desempenho mais firme do CEO, Lip-Bu Tan, desde que assumiu o cargo há mais de um ano: a receita do segmento de data centers cresceu 59% ano contra ano, com ritmo mais de duas vezes superior ao crescimento total da receita da empresa.

A notícia fez as ações entrarem num “montanha-russa” de alta e queda no pós-mercado. O preço chegou a disparar mais de 13%; o mercado primeiro comemorou, mas logo depois voltou a perder terreno rapidamente. Até o horário de fechamento, o avanço havia se reduzido para cerca de 3%. Uma possível razão para a alta não ter se sustentado é que o balanço pode esconder uma perda contábil de mais de US$ 11 bilhões, fazendo com que esta batalha de virada pareça menos tranquila.

O “problema gostoso” de “CPU decolando”

A reportagem da Bloomberg aponta que, desta vez, a previsão superou bastante o esperado graças ao aquecimento dos gastos com data centers, enquanto a receita geral do mesmo período cresceu 25% ano contra ano. Por trás disso há uma virada no nível de setor: quando o foco da indústria de IA sai de “treinar modelos” e passa para “rodar inferência”, não basta mais apenas o acelerador da Nvidia; a CPU de uso geral também voltou para a lista de compras.

Lip-Bu Tan disse à Bloomberg que, dentro dos data centers, “as CPUs estão decolando”. Como a demanda supera a oferta que a empresa vem aumentando continuamente, “isso é um problema gostoso”. Ele mencionou que a taxa de produção está melhorando, dando à Intel mais confiança para atender a mais pedidos e também aumentando a chance de outras empresas escolherem terceirizar a fabricação com ela. Embora não queira revelar clientes, disse que há várias parcerias em negociação, com o desfecho mais rápido para o começo do próximo ano.

O CFO Dave Zinsner colocou de forma mais direta: a empresa planejava reduzir os gastos de capital, mas agora mudou o discurso e se comprometeu a aumentar o investimento. Neste ano, os gastos de capital devem ficar em cerca de US$ 20 bilhões, e no ano que vem pode haver novo aumento. Um ano atrás, ainda era uma empresa que perdeu a liderança de processo e continuava em prejuízo após perder a onda de IA; agora, está enfrentando o “problema” de ter falta de capacidade.

Prejuízo contábil gigante: é derrota ou vitória?

O relatório financeiro da Intel mostra que, no 2º trimestre, o prejuízo líquido no padrão GAAP (princípios contábeis geralmente aceitos nos EUA, ou seja, a regra oficial mais rigorosa) chegou a US$ 11,033 bilhões, com prejuízo por ação de US$ 2,16. Por que a diferença é tão grande?

O ponto-chave é uma perda avaliada a preço de mercado de US$ 12,529 bilhões (em termos simples: quando o valor dos ativos em balanço muda, o resultado também precisa ser ajustado), que está ligada às ações em custódia obtidas pelo governo dos EUA no ano passado por meio de warrants. A perda contábil ser tão grande se deve ao fato de a cotação da Intel ter subido demais este ano: quanto mais valiosas ficam aquelas ações que o governo tem, maior fica a perda que precisa ser reconhecida no balanço. Mas isso é perda no papel, não um prejuízo que “queima caixa” de verdade.

A margem bruta também fica num misto de bons e maus sinais. No trimestre, a margem bruta ajustada ampliou para 40,4%, um aumento de quase 13 pontos percentuais ano contra ano. Ainda assim, está longe do patamar de 60% ou mais que a Intel já teve no auge, então ainda há um caminho. A receita do segmento de foundry (fabricação terceirizada de semicondutores) foi de US$ 5,8 bilhões, alta de 31% ano contra ano, mas os pedidos vêm quase totalmente do próprio segmento de produtos; clientes externos ainda estão procurando. A área da planta-mãe em Ohio também já foi adiada mais de uma vez.

Antes da divulgação do balanço, as ações da Intel já haviam subido mais de 170% neste ano. Em relação à máxima histórica, ainda recuaram cerca de 28%. As expectativas já estavam muito à frente dos fundamentos.

INTC-2,27%
TSLA-14,60%
NVDA-1,58%
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