Receita de nuvem do Google dispara 82% no 2º trimestre! JPMorgan: a IA está entrando na fase de retorno; dá para comprar em queda

As excelentes finanças do Google no 2T, com uma alta de 82% na receita do negócio de nuvem, entrada em fase de retorno para investimentos em IA; a JPMorgan mantém recomendação de sobrepeso.
(Histórico: a Anthropic investe US$ 200 bilhões de 5 anos no Google Cloud! Duas startups de IA abocanham metade das encomendas das quatro maiores nuvens)
(Complemento de contexto: a Qualcomm fecha grande pedido de chips de IA da ByteDance! Milhões de clientes com ASICs sob medida; as ações disparam 8,3% e atingem máxima histórica)

Sumário do artigo

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  • Crescimento do negócio de nuvem segue acima do esperado, aceleração da implantação da comercialização de IA
  • Resiliência do negócio de busca acima do esperado, consultas incrementais impulsionadas por IA
  • CAPEX volta a ser elevado, impulsionado por demanda e não por pressão de custos
  • Margem de lucro pressiona no curto prazo, tendência de recuperação clara no longo prazo
  • Visão de mercado

O Google (Google) mostra um desempenho forte no relatório mais recente, com receita do segmento de nuvem subindo 82% ano a ano, atingindo nova máxima, e com a comercialização de IA claramente acelerando. A análise da JPMorgan aponta que isso indica que os investimentos do gigante de tecnologia em IA já entraram na fase de retorno, e não é mais apenas um período de queima de caixa. O aumento do CAPEX foi puxado principalmente pela demanda dos clientes, e não por pressão de custos. Se o mercado, por preocupação com o tamanho do CAPEX, vender ações, isso pode ser uma boa oportunidade de posicionamento. A instituição mantém classificação de sobrepeso, preço-alvo de US$ 420, o que corresponde a um múltiplo de 25x sobre o lucro por ação (GAAP) de US$ 16,66 em 2028.

O relatório do 2T do Google apresenta duas linhas mestras centrais: aceleração do cronograma de comercialização de IA e, ao mesmo tempo, nova elevação na expectativa de CAPEX.

A receita do negócio de nuvem cresce 82% ano a ano, o negócio de busca avança 17% ano a ano, e a contribuição do TPU pela primeira vez em um único trimestre ultrapassa US$ 1 bilhão. A força motriz da IA já se infiltrou em todas as linhas de negócios da empresa. A companhia elevou a orientação de CAPEX de 2026, de uma faixa de US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões, para US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões, e alertou que o CAPEX de 2027 continuará a crescer de forma significativa. A JPMorgan estima que o CAPEX de 2027 atinja US$ 378 bilhões, com crescimento de 85% ano a ano.

A JPMorgan mantém recomendação de sobrepeso para o Google, preço-alvo de US$ 420, correspondendo a 25x de P/E do lucro por ação (GAAP) de US$ 16,66 em 2028, e sugere compra em quedas. A instituição entende que o investimento em IA já entrou na fase de realização de retorno; a elevação do CAPEX é impulsionada pela demanda; e a pressão sobre a margem de lucro é um fenômeno temporário. Se o mercado der início a uma liquidação por receio do tamanho do CAPEX, isso constituirá um momento mais favorável para se posicionar.

Crescimento do negócio de nuvem segue acima do esperado, comercialização de IA ganha velocidade para virar receita

No 2T, a nuvem do Google gerou receita de US$ 24,77 bilhões, alta de 82% ano a ano, com aceleração contínua. A carteira de pedidos no fim do período alcançou US$ 514 bilhões, mais US$ 52 bilhões no trimestre anterior; desse total, cerca de 50% deverá ser confirmada como receita nos próximos 24 meses.

O número de novos clientes dobrou em relação ao ano anterior, e o consumo de recursos pelos clientes existentes excedeu em mais de 50% as quantidades comprometidas. O volume processado pela Gemini API subiu de cerca de 16 bilhões de Tokens por minuto no 1T para 22 bilhões de Tokens por minuto, com avanço de 37,5% em relação ao trimestre anterior. Cerca de 90% das empresas Fortune 100 já adotaram a Gemini Enterprise, e o número de desenvolvedores com atividade mensal ultrapassa 9 milhões.

O negócio de TPU no 2T passou a reconhecer receita de forma independente pela primeira vez, e a JPMorgan estima que a receita por trimestre supere US$ 1 bilhão. O Google adota o modelo de vendas diretas, modelo não licenciado; a receita é reconhecida pelo método de valor bruto. No momento, a maior parte dos pedidos de TPU já foi incluída na carteira de pedidos; a previsão é de entrega concentrada em 2027, e a receita de TPU seguirá sendo liberada continuamente em 2026.

Resiliência do negócio de busca acima do esperado, consultas incrementais impulsionadas por IA

O mercado vinha demonstrando preocupação generalizada de que a IA desviaria o tráfego da busca, mas os dados do 2T mostram o oposto. A receita de busca e de outros negócios cresceu 17% ano a ano, e as principais verticais, como varejo, financeiro e tecnologia, registraram contribuição positiva.

Usuários ativos mensais dos recursos de IA superam 1 bilhão, continuando a gerar requests incrementais de buscas. A otimização de IA aumentou em 20% a relevância dos anúncios de compras; cerca de 500 mil anunciantes já adotaram a ferramenta AI Max, impulsionando dezenas de bilhões de consultas adicionais que podem ser monetizadas. A receita de anúncios do YouTube subiu 13% ano a ano; anúncios de marca e anúncios de performance impulsionam em dupla, e as veiculações relacionadas à Copa do Mundo da FIFA também contribuíram.

CAPEX volta a ser elevado, impulsionado por demanda e não por pressão de custos

A empresa elevou a orientação de CAPEX de 2026, de uma faixa de US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões, para US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões, um aumento de aproximadamente US$ 15 bilhões. A JPMorgan destacou que essa elevação se deve principalmente ao fato de a empresa acelerar a entrega de capacidade de computação para acompanhar a forte demanda, e não a aumento de custos na cadeia de suprimentos. O CAPEX de 2027 continuará a crescer de forma significativa; a previsão da instituição foi ajustada para US$ 378 bilhões, com avanço de 85% ano a ano.

A preocupação do mercado com o tamanho do CAPEX é razoável, mas é preciso observar a estrutura da origem dos recursos. No 2T, a empresa concluiu emissão de dívidas de cerca de US$ 20 bilhões e captação de equity de US$ 85 bilhões para sustentar o CAPEX. A administração afirmou que não há plano de voltar ao mercado acionário; daqui em diante, a empresa seguirá principalmente com fluxos de caixa das operações somados a emissões adicionais de dívida, mantendo o CAPEX enquanto preserva uma estrutura saudável de balanço.

Margem de lucro pressiona no curto prazo, tendência de recuperação de longo prazo é clara

A margem operacional no 2T foi de 34,0%, ligeiramente abaixo da previsão de 34,4% da JPMorgan. A pressão sobre a margem vem principalmente de fatores não recorrentes e temporários: locação de capacidade de computação de terceiros para compensar a lacuna de capacidade construída; vendas de hardware de TPU, com margem bruta de hardware abaixo da de software; taxas de integração da Wiz; além de aceleração de depreciação e despesas jurídicas — todos sem representar deterioração estrutural. A instituição espera que, à medida que a capacidade construída vá sendo implementada gradualmente e que o efeito de escala das receitas de TPU fique evidente, a margem de lucro se recupere de forma constante.

Visão de mercado

O sinal mais central deste relatório é que o investimento do Google em IA saiu do “período de queima de caixa” e entrou na “fase de realização de receita”. A aceleração do crescimento na nuvem continua; o TPU contribui para a receita de forma independente pela primeira vez; o negócio de busca não só não foi prejudicado pelo desvio de tráfego causado pela IA, como também acelerou seu crescimento; e múltiplos dados corroboram que a comercialização de IA está mais rápida do que o mercado esperava.

O mercado ainda costuma avaliar o Google usando o arcabouço tradicional de “CAPEX e margem de lucro”, mas a JPMorgan acredita que esse modelo precisa ser atualizado. A elevação do CAPEX é impulsionada pela demanda: a necessidade de capacidade computacional dos clientes está forte, então a empresa precisa acelerar o ritmo de entrega. A pressão sobre a margem é um fenômeno temporário: trata-se de custos de transição, não de deterioração estrutural. Se o mercado continuar precificando com base no arcabouço antigo, isso pode trazer oportunidades de posicionamento.

A estratégia de financiamento do Google também merece atenção. A combinação do 2T de US$ 20 bilhões em emissão de dívidas com US$ 85 bilhões em captação de equity mostra tanto a decisão da administração de ampliar o CAPEX quanto a intenção de não deixar que o balanço fique excessivamente pressionado. O volume de captação de equity de US$ 85 bilhões é raro entre gigantes de tecnologia, mas a JPMorgan avalia que se trata de uma operação pontual, sem repetição de captação de equity no futuro.

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