Nvidia vs AMD está em alta: grande confronto de arquitetura de CPU. Quem consegue definir um novo padrão para agentes de IA?

O BofA aponta que a disputa entre os caminhos de CPU da NVIDIA e da AMD é, essencialmente, uma briga pelo poder: quem consegue definir os padrões de medição da era dos agentes de IA.
(Resumo: Intel: nossos chips de IA serão mais baratos do que os da NVIDIA e da AMD, com Crescent Island focado em inferência com resfriamento a ar)
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  • Dois caminhos técnicos, duas filosofias de design
  • x86 e ARM: um duelo oculto na disputa pelo ecossistema de software
  • Com o AI Day se aproximando, a AMD ganha uma janela para responder

A NVIDIA e a AMD estão, na prática, travando uma disputa pelo poder de definir o padrão no mercado de CPU para agentes, um segmento com tamanho de US$ 170 mil milhões. Na onda da IA de agentes, as rotas de arquitetura de CPU dos servidores começam a se diferenciar. A NVIDIA defende núcleos mais rápidos, argumentando que o desempenho single-core determina o teto do sistema. A AMD, por sua vez, aposta em mais núcleos e sustenta que a capacidade de throughput de concorrência é o fator-chave.

A NVIDIA lançou na semana passada a arquitetura Vera CPU, com 88 núcleos ARM customizados, largura de banda de memória de 1,2 TB/s e um design de die de computação única. A lógica é que, na IA de agentes, a CPU e a GPU precisam interagir repetidamente, e cada ciclo depende do que foi concluído no passo anterior; por isso, o desempenho single-core determina diretamente a velocidade de resposta geral. A AMD divulgará a resposta na quinta-feira em seu AI Day, e o mercado espera que ela priorize a rota de “mais núcleos”. Atualmente, o EPYC 9965, em cenários de implantação de 100 kW, já alcança um throughput no nível de rack 2,4 vezes o da Vera.

Duas rotas técnicas, duas filosofias de design

A avaliação do BofA sobre essa disputa é clara: quem definir o próximo padrão de medição da indústria sairá na frente.

A Vera CPU da NVIDIA é diferente dos processadores de servidor tradicionais que “só empilham núcleos”. Embora 88 núcleos não sejam especialmente destacados no segmento de CPU de servidor, a NVIDIA aposta no “maior desempenho por thread única”. A Vera também oferece largura de banda de memória de 1,2 TB/s e largura de banda de interconexão interna de 3,4 TB/s, com cada parte do design voltada para elevar a eficiência de execução single-core.

A lógica da NVIDIA é que a IA de agentes difere de um cálculo maciçamente paralelo de uso único; ela aparece mais como um ciclo de interação repetida entre CPU e GPU. Em etapas como chamadas de ferramentas, execução de código, busca e orquestração, cada passo depende do anterior. Se o desempenho single-core for insuficiente, a velocidade de resposta de todo o agente será atrasada, fazendo a GPU esperar e, em seguida, reduzindo a utilização geral das “fábricas de IA”.

A filosofia de design da AMD é totalmente diferente. A AMD acredita que a IA de nível de produção está mais próxima de uma plataforma de software distribuída: componentes como bancos de dados, APIs, armazenamento vetorial, motores de orquestração, cache e middleware são executados em paralelo. Nesse cenário, o gargalo do sistema está na quantidade de fluxos de trabalho concorrentes que cabem dentro de um orçamento fixo de consumo de energia. O EPYC 9965, em implantação de 100 kW, tem throughput no nível de rack 2,4 vezes o da Vera, e a próxima geração do EPYC 6 deve elevar isso para 3,3 vezes.

x86 e ARM: um duelo oculto no ecossistema de software

Além da briga entre “mais rápido e mais” pelo número de núcleos, existe outra frente mais discreta, mas igualmente importante: a escolha do conjunto de instruções, com um duelo de ecossistema entre x86 e ARM.

A Vera da NVIDIA é baseada em ARM. A NVIDIA considera que, desde que a microarquitetura seja suficientemente forte, a diferença no conjunto de instruções não importa tanto. A ARM consegue sustentar cargas de trabalho de IA? A resposta é sim. A ARM consegue executar software corporativo? Se a performance superar completamente a do x86, o ecossistema de software migrará junto.

AMD e Intel claramente defendem pontos de vista distintos. O argumento é direto: a IA de agentes está se expandindo de inferência de modelos para fluxos de trabalho em nível empresarial; em cenários como bancos de dados, middleware, plataformas de segurança e aplicações corporativas, tudo isso foi otimizado com base na arquitetura x86 pelos últimos dezenas de anos. A viabilidade da ARM substituir o x86 não pode ser provada apenas por alguns resultados de testes de IA.

Com o AI Day se aproximando, a AMD ganha uma janela para responder

O AI 2026 Day que a AMD realizará na quinta-feira será o primeiro ponto público de resposta nessa disputa de rotas.

O BofA espera que a AMD não vá apenas competir em velocidade por meio de rankings de desempenho, o que cairia no “framework de avaliação de desempenho single-core” definido pela NVIDIA. A AMD precisa redefinir as dimensões da concorrência: sair de “desempenho de um único núcleo” e ir para “capacidade real de agentes em ambientes de produção”.

O BofA entende que é exatamente nisso que está o cerne do debate. A vitória não depende apenas de uma comparação de superioridade técnica, mas de qual padrão de medição a indústria decide aceitar.

A capacidade analítica dessa nota do BofA está em pegar uma disputa de rota técnica de CPU e reinterpretá-la como uma briga pelo “poder de definir padrões” para a indústria.

As necessidades de computação da IA de agentes diferem da IA tradicional de treinamento. O treinamento tradicional é dominado por grande paralelismo; já a IA de agentes é uma mistura de ciclos sequenciais e escalonamento concorrente. Qual arquitetura é mais adequada depende de como os critérios de avaliação são definidos. Se a indústria usar “latência de resposta de um único agente” como indicador principal, a rota da NVIDIA faz mais sentido. Se a indústria usar “quantidade de agentes suportados por uma única máquina” como indicador principal, a AMD fica com vantagem.

O AI Day da AMD na quinta-feira será um marco importante nesse debate. Mas a leitura implícita do BofA é que a disputa de rotas não será resolvida no curto prazo. O vencedor final talvez não seja o lado com rankings mais altos, e sim o fornecedor que conseguir impulsionar a aceitação, pela indústria, dos padrões de medição definidos por ele.

Para investidores, o valor de investimento desse debate não está em decidir quem está certo ou errado sobre as rotas, e sim em entender as apostas estratégicas específicas das duas empresas. A NVIDIA aposta que a IA de agentes é extremamente sensível à latência; a AMD aposta que o que mais importa em ambiente de produção é a necessidade central de concorrência em densidade. As duas rotas têm possibilidades reais de funcionarem, e o resultado dependerá da evolução prática das aplicações de IA.

O BofA dá recomendação de compra para as duas empresas: preço-alvo de US$ 350 para a NVIDIA e US$ 620 para a AMD. Isso mostra que o BofA não vê essa competição como um jogo de soma zero; ambas podem crescer com suas respectivas rotas de diferenciação, mas com caminhos de crescimento diferentes.

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