EUA atacam o Irã por 13ª noite seguida, petróleo Brent ultrapassa US$ 100, e o Bitcoin é pressionado a recuar US$ 64 mil

O CENTCOM (Comando Central dos EUA) confirmou que o ataque ao Irã já chega à 13ª noite consecutiva, e o preço de liquidação do Brent fechou na quinta-feira acima de US$ 100, registrando máxima desde maio. Em contraste com a reação intensa dos ativos tradicionais, o Bitcoin seguiu em linha fraca, ficando perto de US$ 64.000, mas o mercado, em geral, acredita que o BTC nesta rodada “não está mais precificando a guerra”, com a condução voltando para o Federal Reserve e os fluxos de capital dos ETFs spot.

(Antecedentes: Forças militares dos EUA bombardeiam o Irã por sete noites seguidas! Reativam bloqueio nos portos, e o petróleo se aproxima de US$ 79)
(Complemento de contexto: Bloomberg: Guerra EUA-Irã tem impacto limitado no Bitcoin, com consolidação entre US$ 60 mil e US$ 70 mil)

Resumo dos destaques

  • O CENTCOM dos EUA concluiu ações consecutivas contra o Irã pela 13ª noite, atingindo cerca de 140 alvos militares na terceira rodada de operações
  • O Brent fechou em US$ 100,69 na quinta-feira, ultrapassando US$ 100 e atingindo máxima desde maio, com salto em relação aos US$ 71,57 de 1º de julho
  • O Bitcoin abriu em 24 de julho a US$ 65.047 e caiu apenas 1,6%; o ETF spot registrou saída líquida de US$ 225 milhões no dia

Os combates entre EUA e Irã já entraram na 13ª noite. O CENTCOM (Comando Central dos EUA) afirmou que a terceira fase da ação mais recente atingiu cerca de 140 alvos militares iranianos, com alcance incluindo centros de comando e instalações de vigilância costeira e hangares de drones nas áreas de Bushire, Jask, Abu Musa e Bandar Abbas, com o objetivo de reduzir a capacidade do Irã de atacar navios mercantes.

O Irã respondeu imediatamente. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) afirmou que bases navais foram atingidas por ataques dos EUA e anunciou ter atacado a base dos EUA no Kuwait, dizendo ter destruído um sistema de defesa aérea “Patriot”. O Irã também informou que atacou bases militares relacionadas aos EUA dentro de Jordânia, Bahrein e Kuwait.

A Jordânia disse ter interceptado 7 mísseis e 6 drones lançados pelo Irã. O Irã também acusou os EUA de terem atingido inadvertidamente um navio mercante, causando a morte de 2 tripulantes, mas o lado americano ainda não confirmou. Desde 7 de julho, cerca de 100 militares dos EUA ficaram feridos e 4 morreram, e Trump mais cedo participou de uma cerimônia de homenagem aos corpos dos militares que caíram.

Petróleo acima de US$ 100; Bitcoin, porém, não mexe

Na semana mais intensa do conflito, a maior reação foi nos ativos tradicionais. O Brent disparou temporariamente cerca de 7% na quinta-feira (24) e fechou em US$ 100,69, saltando em relação aos US$ 71,57 de 1º de julho. O gatilho foi o ataque do grupo Houthi, no Iêmen, a navios da Arábia Saudita no Mar Vermelho, ameaçando cortar uma rota adicional de exportação de petróleo além do Estreito de Ormuz.

O mercado cripto, por sua vez, ficou relativamente mais calmo. O Bitcoin, no fim da noite de 24 de julho, antes da abertura nos EUA, foi a US$ 65.047,87, caindo apenas 1,6% em relação ao dia anterior; o Ethereum abriu a US$ 1.876,92, recuando 2,9%. Com preços do petróleo mais altos e novas políticas de tarifas elevando expectativas de inflação, os rendimentos dos Treasuries dos EUA subiram, fazendo o dinheiro deixar ativos de risco como cripto; o ETF spot de Bitcoin registrou saída líquida de US$ 225 milhões na quinta-feira.

Vale notar que, nesta rodada, o Bitcoin praticamente “não negocia esta guerra”: o BTC segue perto de US$ 63.800, com a direção passando a ser determinada pela liquidez em dólares e pelo ciclo de ações de chips. Quem passou a “precificar” a guerra foram, de fato, o petróleo, o ouro e as taxas de juros. No mesmo período, o ouro caiu 1,6% para cerca de US$ 4.050, o índice de ações da MSCI Ásia-Pacífico recuou 1,6% e o rendimento dos Treasuries de 2 anos subiu para máxima desde fevereiro de 2025. Ao longo de toda a escalada, o Bitcoin caiu menos de 2%, enquanto o petróleo subiu mais de 4%.

Em liquidações, durante o momento de maior pressão vendedora, o mercado cripto viu estouros de posições no mesmo dia acima de US$ 350 milhões. O índice de medo e ganância chegou a cair para 26 e ficou preso na zona de “medo”, com o valor total de mercado oscilando entre US$ 2,1 trilhões e US$ 2,5 trilhões.

Os EUA vão exigir que o Irã seja responsabilizado por quaisquer ataques adicionais do grupo Houthi; se o grupo atacar novamente navios, enfrentará “uma punição militar significativa”.
— O presidente dos EUA, Donald Trump

Recusa trégua, negociação travada em Ormuz

O impasse também persiste no eixo diplomático. Segundo o The New York Times, o Irã recusou a proposta de cessar-fogo apresentada por Trump, mas autoridades americanas negaram essa versão. Autoridades iranianas disseram que Teerã não pretende aceitar um acordo provisório que mantém o controle do Estreito de Ormuz em aberto.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que discutiu uma iniciativa de mediação com o Paquistão e disse que o problema entre EUA e Irã está nos próprios EUA, e não na falta de um mediador. Trump, por sua vez, afirmou que ainda não decidiu se fará um ataque importante ao Irã e considera que o Irã está levando a negociação mais a sério, enquanto também se mostrou frustrado com o fato de a guerra estar se arrastando por tempo demais.

Em meio às tensões em torno do Estreito de Ormuz, a agência de notícias iraniana informou que uma delegação diplomática de Omã foi a Teerã para discutir mecanismos de passagem; e que EUA e Reino Unido, supostamente, realizarão reuniões sobre a segurança do estreito para promover a formação de uma aliança de escolta.

Os EUA abriram ainda outra via de pressão. O Departamento do Tesouro americano anunciou uma nova rodada de sanções contra o Irã, e a mídia citou avaliações de inteligência de que a nova liderança do Irã pode ter ambições nucleares ainda mais fortes. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve visitar Washington na semana que vem e se reunir com Trump.

Perguntas frequentes

Por que a guerra no Oriente Médio não derrubou o Bitcoin?

Nesta rodada do conflito entre EUA e Irã, o Bitcoin caiu menos de 2%, ficando perto de US$ 65 mil, enquanto o petróleo subiu mais de 4%. O mercado entende que o BTC passou a ser dominado pela liquidez em dólares, pelas taxas do Federal Reserve e pelos fluxos de ETFs spot, com sensibilidade bem menor aos grandes manchetes de geopolítica.

Qual é o impacto da tensão no Estreito de Ormuz sobre o preço do petróleo e o mercado cripto?

O Estreito de Ormuz é a principal garganta do transporte de petróleo global; a escalada das tensões impulsionou o Brent em 24 de julho, quebrando a marca de US$ 100 e chegando a US$ 100,69. Preços altos do petróleo elevam expectativas de inflação e empurram os rendimentos dos Treasuries dos EUA para cima; com isso, o dinheiro sai de ativos de risco como o Bitcoin. No dia, o ETF spot de Bitcoin registrou saída líquida de US$ 225 milhões.

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